sexta-feira, 31 de julho de 2026

O TOQUE DE SILÊNCIO

Há algo de especial na vida no campo. Longe do conforto do lar, do telemóvel e da azáfama do quotidiano, descobrimos que a verdadeira aventura não se esgota nas caminhadas, na construção de acampamentos ou nas noites em torno da fogueira. Muitas vezes, ela acontece dentro de uma simples tenda de patrulha.
Para quem nunca lá dormiu, uma tenda não passa de um abrigo de lona. Para um escuteiro, é muito mais. É um pequeno mundo onde cabem amizades, gargalhadas, discussões, cumplicidades e histórias que perdurarão por muitos anos.
Tudo começa na montagem.
Há sempre alguém que afirma com confiança inabalável: "Deixem comigo... Já montei dezenas destas!".
Cinco minutos depois, a tenda parece ter sido desenhada por um artista abstrato. Sobram estacas, faltam varões e, por alguma razão inexplicável, a entrada fica virada para a vala de drenagem. Após várias tentativas, alguns conselhos não solicitados e muitas expressões como "puxa desse lado!", "não é assim!" ou "isto no desenho parecia mais fácil!", a obra fica concluída. Mais ou menos.
Ultrapassado este desafio, chega um dos momentos mais delicados: a distribuição dos lugares para dormir.
Há quem chegue cedo e escolha o melhor lugar. Outros descobrem tarde de mais que ficaram ao lado das botas mais aromáticas da patrulha, da enorme mochila do novato ou daquele companheiro que fala e responde enquanto dorme.
Há sempre um otimista que garante: "Esta noite ninguém vai ressonar."
Uma afirmação que dificilmente resiste até à meia-noite.
Quando o toque de silêncio ecoa pelo acampamento, pensa-se que finalmente vai reinar a tranquilidade. Nada mais enganador.
Alguém sussurra:
— "Já alguém viu a minha lanterna?"
Depois, há mochilas que se abrem e fecham, lanternas que são apontadas diretamente aos olhos de quem já estava quase a adormecer e uma procura intensa por um objeto que, inevitavelmente, é encontrado no bolso onde o dono já tinha procurado três vezes.
A seguir, começa o desfile de idas à casa de banho. O primeiro sai discretamente. O segundo tropeça num saco-cama. O terceiro pisa uma bota, produzindo um estrondo digno de um trovão. No regresso, ninguém consegue encontrar a entrada da tenda sem iluminar o seu interior como se estivesse a orientar a aterragem de um helicóptero.
Há também o eterno debate sobre a temperatura.
— "Está um calor insuportável!"
Cinco minutos depois...
— Fechem a porta! Está um frio de rachar!"
Nunca há consenso.
No entanto, há uma tradição que atravessa gerações de escuteiros: o famoso "contrabando".
Oficialmente, ninguém levou comida para dentro da tenda.
Oficialmente.
Assim que o silêncio se instala, começam a ouvir-se sons muito suspeitos: o crepitar de um pacote de bolachas, o estalar de um invólucro de chocolate ou o discreto "clique" de uma caixa de gomas que, curiosamente, parecia estar vazia.
De repente, ouve-se uma voz quase inaudível:
— Queres uma?
Em poucos segundos, instala-se um verdadeiro mercado paralelo. Circulam bolachas Maria, chocolates, barras de cereais, rebuçados, gomas e todo o tipo de petiscos que, até então, se desconhecia existirem. Há quem partilhe generosamente e quem esconda o seu tesouro no fundo da mochila, convencido de que ninguém conhece o esconderijo.
O único problema é que as embalagens parecem ter sido fabricadas para fazer o máximo de barulho possível, precisamente durante o toque de silêncio.
Na manhã seguinte, surge inevitavelmente a pergunta que denuncia o crime quase perfeito:
— De quem é este pacote vazio que apareceu debaixo da tenda?
No entanto, a vida numa tenda de patrulha não se resume ao "contrabando".
Há também o grito clássico que ecoa pelo subcampo:
— Quem trouxe o papel higiénico?
Segue-se um silêncio embaraçoso... até que alguém responde do fundo da tenda:
— Achei que eras tu...
Quando finalmente todos estão prestes a adormecer, entra em cena o protagonista inesperado da noite: um mosquito, uma melga ou qualquer outro inseto voador que escolhe precisamente aquele momento para visitar a patrulha.
O que se segue é uma operação digna de uma unidade de forças especiais. Lanternas apontadas para o teto, chinelos transformados em armas de precisão, ordens sussurradas e movimentos coordenados. O inseto parece divertir-se com a situação e, normalmente, sai vitorioso. Só desaparece quando todos desistem... ou adormecem de cansaço.
Apesar de todas estas pequenas aventuras, a tenda é muito mais do que um local para dormir.
É lá que se contam histórias, partilham preocupações, planeiam as atividades do dia seguinte, riem-se dos erros cometidos e descobrem talentos escondidos. É lá que se aprende a viver em comunidade, a respeitar o espaço dos outros, a resolver conflitos, a pedir desculpa e a aceitar que cada um tem a sua forma de fazer as coisas... ou nem sequer as faz.
É precisamente esta convivência que faz da vida no acampamento uma extraordinária escola de cidadania.
No campo, aprendemos que cada tarefa é importante. Montar uma tenda, cozinhar, lavar a louça, manter o espaço limpo ou ajudar um companheiro são gestos simples que ensinam responsabilidade, autonomia, trabalho de equipa e serviço.
Também aprendemos o valor do silêncio. Quando é dado o Toque de Silêncio, não significa apenas o fim das conversas. Trata-se de um convite ao descanso, ao respeito pelos outros e à preparação para um novo dia de aventuras. Afinal, a alvorada chega sempre mais depressa do que desejaríamos.
A vida no campo desafia-nos constantemente. Nem sempre o tempo ajuda, nem tudo corre como planeado e nem sempre encontramos a solução de imediato. No entanto, são precisamente esses desafios que nos tornam mais resilientes, criativos e confiantes.
Ser escuteiro é isso mesmo.
Significa descobrir que as melhores recordações não nascem da perfeição, mas sim dos pequenos imprevistos que vivemos em conjunto.
Anos mais tarde, é possível que ninguém se lembre do menu do jantar ou da pontuação de um jogo. No entanto, todos recordar-se-ão do companheiro que roncava como um gerador, daquele que nunca encontrava as meias, do chefe dos "cinco minutos", da caçada épica ao moscardo, do misterioso desaparecimento do papel higiénico e, claro, do inesquecível "contrabando" de bolachas e chocolates partilhado às escondidas.
São estas pequenas histórias que transformam um acampamento simples numa coleção de memórias inesquecíveis.
Porque, afinal de contas, a maior conquista de um acampamento não é a distância percorrida nem o número de atividades realizadas.
É a pessoa em que nos tornamos durante essa caminhada.
Por isso, passados muitos anos, basta alguém dizer "Lembras-te daquele acampamento em que...?" para toda a patrulha começar a rir, mesmo antes de a história terminar.

QUANDO O DISTINTIVO DE CATEGORIA PESA MAIS DO QUE O UNIFORME

Já ganhei eleições.

Já perdi eleições.

As vitórias conferiram-me responsabilidades. As derrotas deram-me tempo para refletir.

Sempre aceitei os resultados de forma democrática. Isso faz parte da vida de qualquer dirigente. Quem se candidata a um cargo sabe que, um dia, será escolhido e, noutro, não.

No entanto, confesso que algumas derrotas me deixaram uma inquietação difícil de explicar.

Não pela derrota em si.

Essa ultrapassa-se.

O que custa é a sensação de que, por vezes, os caminhos são construídos longe da transparência. Conversas de corredor. Silêncios estratégicos. Influências discretas. Sorrisos oferecidos de frente e reservas manifestadas pelas costas.

Ao longo dos anos, percebi que as maiores desilusões raramente vêm dos adversários declarados.

Vêm, muitas vezes, daqueles que nos apertam a mão, mas que já decidiram seguir outro caminho. Daqueles que falam de fraternidade, mas que alimentam divisões. Que defendem o diálogo em público, mas cultivam a intriga em privado.

Não escrevo estas palavras por ressentimento.

Escrevo-as porque, após mais de cinquenta anos no Escutismo, aprendi que o valor de uma organização está na qualidade ética das pessoas que a servem.

Compreendi então que o verdadeiro desafio do Escutismo não é vestir um uniforme.

É honrar aquilo que este representa.

Ao longo da minha vida como escuteiro, ouvi muitas vezes a seguinte frase: "O importante é servir."

É verdade.

No entanto, com o passar dos anos, descobri que servir nem sempre é o mais difícil.

O mais difícil é continuarmos a servir quando percebemos que nem todos vivem os valores que proclamam.

O escutismo ensinou-me a montar tendas debaixo de chuva, a caminhar quilómetros com uma mochila às costas, a cozinhar no campo, a planear grandes atividades, a formar dirigentes, a organizar cursos, a dormir pouco e a levantar cedo para que centenas de jovens vivessem experiências inesquecíveis.

Nunca esperei receber aplausos.

Nunca procurei reconhecimento.

O trabalho de voluntariado não se avalia com base na medalhística, cargos ou fotografias.

Mede-se pelo impacto que temos na vida dos outros.

No entanto, aprendi outra lição.

Talvez a mais difícil de todas.

As maiores tempestades nem sempre vêm do céu.

Muitas vezes, vêm das pessoas.

Ao longo de mais de cinco décadas, encontrei dirigentes extraordinários.

Homens e mulheres íntegros, competentes, humildes e capazes de colocar o movimento acima do seu próprio ego, de trabalharem em silêncio e de reconhecerem o mérito dos outros.

São essas pessoas que mantêm vivo o sonho de Baden-Powell.

Infelizmente, também encontrei o seu oposto.

Pessoas que confundem autoridade com poder.

Que usam os cargos para alimentar vaidades.

Que transformam o serviço numa forma de protagonismo.

Pessoas que pregam a fraternidade, mas semeiam a discórdia.

Pessoas que falam de lealdade, mas praticam a conveniência.

Que sorriem para a cara das pessoas, mas trabalham secretamente para as enfraquecer por pensarem de forma diferente.

É aqui que nasce a hipocrisia.

E poucas coisas são tão destrutivas numa organização educativa como esta.

Porque destrói aquilo que nenhuma eleição consegue construir: a confiança.

Sem confiança, não há equipa.

Sem confiança, não há formação.

Sem confiança, não há comunidade educativa.

Ao longo da minha vida, aprendi também outra verdade.

Perdoar faz parte dos valores cristãos e escutistas que tento pôr em prática.

Perdoo porque guardar rancor corrói quem o alimenta.

No entanto, não confundo perdão com amnésia.

Não esquecer não significa viver preso ao passado.

Significa aprender.

Significa reconhecer padrões.

Significa compreender que a verdadeira natureza das pessoas se manifesta sobretudo nas suas ações e não nas suas palavras.

Durante muitos anos, formei dirigentes.

E sempre lhes transmiti a mesma ideia: o exemplo ensina muito mais do que qualquer manual.

Hoje, continuo absolutamente convencido disso.

Os jovens observam-nos muito mais do que nos ouvem.

Não aprendem humildade através de discursos.

Aprendem-na ao observar dirigentes humildes.

Não aprendem respeito lendo regulamentos.

Aprendem respeito quando observam adultos a respeitar-se entre si, mesmo quando têm opiniões diferentes.

Não aprendem o valor do serviço através de slogans.

Aprendem quando descobrem alguém que trabalhe sem procurar protagonismo.

Talvez tenha chegado o momento de falarmos menos sobre valores.

E de os vivermos mais.

O Escutismo não precisa de dirigentes perfeitos.

Nunca precisou.

Precisa, isso sim, de dirigentes coerentes.

Capazes de assumir os seus erros.

Capazes de reconhecer o mérito dos outros.

Que coloquem a missão educativa acima dos interesses pessoais.

Porque uma promessa não se cumpre apenas no dia em que é feita.

Renova-se todos os dias.

Nas pequenas decisões.

Na forma como tratamos as pessoas.

Na forma como exercemos a nossa autoridade.

Na nossa capacidade de sermos leais, mesmo quando ninguém está a ver.

Um lenço ao pescoço não torna ninguém melhor.

Uma insígnia não faz de alguém um educador.

Um cargo não cria carácter.

Tudo isso são apenas símbolos.

O verdadeiro distintivo está na coerência entre o que dizemos e o que fazemos.

Se pudesse deixar uma mensagem às novas gerações de dirigentes, seria esta: nunca deixem que a política interna vos faça esquecer a vossa missão educativa. Nunca deixem que as vaidades falem mais alto do que o serviço. Nunca confundam influência com liderança. E nunca tenham medo de defender a verdade, mesmo que vos torne incómodos.

No fim, os cargos desaparecem.

Os mandatos terminam.

As insígnias ficam guardadas numa gaveta.

Os nomes deixam de constar das listas.

Mas o que verdadeiramente permanece é o carácter.

É o exemplo.

É a marca que deixamos nas pessoas.

Porque, afinal, o escutismo não se mede pelos cargos que ocupámos.

Mede-se pelos jovens que ajudámos a crescer.

Pela formação das consciências que ajudámos a moldar.

Pelas amizades que construímos.

E pela fidelidade aos valores que prometemos viver.

Sempre Alerta Para Servir.

Acima de tudo, estamos sempre alertas para sermos dignos do exemplo que pedimos aos mais novos.

A NOSSA SEGUNDA CASA
Há um som que nunca se esquece: o das conversas alegres de crianças e jovens. Uns são leves e repletos de gargalhadas, outros são mais profundos, nos quais se partilham sonhos, dúvidas e projetos. Também há momentos de silêncio, oração e reflexão, que são, por vezes, interrompidos pelo apito do chefe, um sinal simples que todos conhecemos e respeitamos e que nos chama à concentração, ao silêncio ou ao início de mais uma aventura.
Na sede, há mochilas abertas, cordas, projetos de pioneiros por concluir, fardas penduradas, botas enlameadas e material de campo que, por vezes, está arrumado de forma exemplar e, noutras, parece contar a história da atividade que acabou de terminar. Há mesas onde se preparam jogos, imaginam projetos, se fazem esboços de construções e se aprendem a fazer nós. Há mapas abertos, canções ensaiadas e desafios lançados.
Existem os cantos de patrulha ou de equipa, pequenos mundos dentro da casa comum. São lugares quase secretos, cuidadosamente construídos e personalizados, onde cada elemento deixa um pouco de si. Antes de uma inspeção da chefia, tudo ganha um brilho especial; depois, regressa a desarrumação própria de quem vive intensamente. É aí que as amizades se fortalecem, as divergências se resolvem, as aventuras se planeiam e, tantas vezes, os trabalhos de casa que ficaram por concluir se fazem.
No entanto, a sede é muito mais do que paredes, mesas e armários. É o local onde se aprende a servir antes de ser servido, a ouvir antes de falar, a liderar com humildade e a ser liderado com confiança. É onde se descobrem talentos, se superam medos, se aprende com os erros e se celebram pequenas e grandes conquistas.
É lá que os novos elementos são recebidos com um sorriso, que nos lembramos daqueles que já partiram para outras etapas da vida e que a memória das gerações de escuteiros que por lá passaram é mantida viva. Cada fotografia na parede, cada bandeirola, cada marca deixada numa mesa ou cada recanto familiar guardam histórias que não cabem num álbum, mas que permanecem gravadas no coração de quem as viveu.
A sede é o ponto de partida e o porto de abrigo. É onde começa a expedição e onde se regressa para partilhar o que se viveu no campo. É uma escola de cidadania, serviço, fé, amizade e responsabilidade. É um local onde se cresce quase sem dar por isso, onde as crianças se tornam jovens e os jovens adultos, e onde muitos regressam anos mais tarde para ajudar outros a percorrer o mesmo caminho.
Porque a sede dos escuteiros nunca é apenas um edifício. É a nossa casa comum. É um local onde se aprende a viver em comunidade, a cuidar uns dos outros e a deixar o mundo um pouco melhor do que o encontramos. É um espaço feito de madeira e pedra, mas acima de tudo construído com sorrisos, serviço, espírito de patrulha, fé, amizade e memórias que duram para sempre.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

E OS NOSSOS DIRIGENTES ESTARÃO PREPARADOS?

Há perguntas inquietantes que não admitem respostas rápidas. Esta é uma delas.

Estaremos verdadeiramente preparados para incluir?

Nos últimos anos, a palavra "inclusão" entrou definitivamente no vocabulário do Movimento Escutista. Está presente nos nossos projetos educativos, formações, documentos e conversas entre dirigentes. No entanto, a inclusão não se mede pelo número de vezes que a mencionamos. É medida pelas decisões que tomamos quando um jovem chega à nossa unidade e nos desafia a sair da rotina, a repensar os nossos métodos e, sobretudo, a alterar a nossa perspetiva.

Durante muito tempo, questionávamos se determinados jovens seriam capazes de viver o escutismo. Talvez essa nunca tenha sido a questão. Talvez a verdadeira questão seja outra: seremos nós capazes de viver um escutismo em que todos tenham verdadeiramente lugar?

Porque a inclusão não começa quando surge um jovem com necessidades específicas. Começa muito antes, com a disponibilidade do dirigente para aprender, adaptar-se e crescer.

O primeiro desafio da inclusão não é metodológico, mas sim humano.

É demasiado fácil olhar primeiro para o diagnóstico e depois para o jovem. Ver primeiro as dificuldades, as limitações ou aquilo que "não vai conseguir fazer". No entanto, o Escutismo convida-nos precisamente a fazer o oposto. Cada jovem chega com talentos, sonhos, capacidades e potencialidades que muitas vezes permanecem ocultos até que alguém acredite neles.

Talvez a maior qualidade de um dirigente seja essa: conseguir ver possibilidades onde os outros apenas veem limitações. Quando olhamos desta forma, deixamos de perguntar "O que é que lhe falta?" e começamos a perguntar "O que poderá vir a ser?".

No entanto, acreditar nas capacidades de cada jovem não significa eliminar os desafios. O Escutismo nunca foi uma escola de comodidade. É uma escola de vida em que o crescimento acontece através da ação, do esforço, da descoberta e da superação.

Um jovem com necessidades específicas também precisa de enfrentar desafios, alcançar o sucesso através do seu próprio esforço e descobrir a alegria de conseguir ir mais longe do que imaginava. A verdadeira inclusão adapta o percurso, mas não lhe retira o sentido. Educar significa acreditar que todos os jovens podem crescer, ainda que cada um siga um caminho diferente.

Ao mesmo tempo, não podemos limitar a inclusão às adaptações das atividades. O Método Escutista procura educar a pessoa na sua totalidade. Cuidar do corpo, da mente, do carácter e do espírito faz parte da nossa missão educativa. Promover a autonomia, incentivar hábitos de vida saudáveis, desenvolver o sentido de responsabilidade e ajudar cada jovem a descobrir o seu lugar no mundo são manifestações concretas de uma inclusão autêntica.

As patrulhas também nos ensinam uma lição fundamental. Nunca foram constituídas por jovens iguais. Uns lideram naturalmente. Outros preferem observar antes de agir. Uns comunicam com facilidade. Outros revelam uma extraordinária capacidade de persistência, criatividade ou um serviço discreto. É precisamente essa diversidade que enriquece a patrulha.

Quando compreendemos isso, deixamos de nos perguntar "O que é que este jovem não consegue fazer?" e começamos a perguntar "Que riqueza é que este jovem traz ao grupo?". É nesse momento que a inclusão deixa de ser uma adaptação e se transforma numa verdadeira experiência de pertença.

Talvez o maior desafio seja encontrar o equilíbrio entre apoiar e sobreproteger. Acompanhar não significa substituir. Proteger não significa impedir o crescimento do outro. O dirigente escutista deve caminhar ao lado do jovem, oferecendo apoio quando necessário, desafiando-o sempre que possível e confiando nas suas capacidades. A verdadeira inclusão não visa eliminar todos os obstáculos, mas sim garantir que ninguém tenha de os enfrentar sozinho.

Talvez não haja nenhum dirigente que esteja completamente preparado para todas as situações. Todos os jovens que chegam à nossa unidade trazem novas perguntas e desafiam-nos a crescer como educadores. Talvez seja precisamente essa a beleza da missão escutista: aprendemos enquanto educamos. Crescemos à medida que ajudamos os outros a crescer.

A inclusão não começa num manual, numa formação ou num regulamento. Começa quando um dirigente olha para um jovem e decide vê-lo, acima de tudo, como uma pessoa.

Talvez seja esta a questão a colocar na próxima reunião de dirigentes, no próximo Conselho de Agrupamento ou no próximo acampamento:

Estaremos preparados para construir um escutismo em que ninguém tenha de pedir autorização para participar?

Se a resposta ainda não for um "sim" seguro, talvez seja precisamente aí que começa a nossa missão.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

QUANDO TUDO TEM DE SER “SEGURO”

Nos últimos anos, o movimento escutista tem assistido ao surgimento de várias iniciativas e programas que colocam a segurança no centro da sua comunicação, como o "Movimento Seguro" e o "Acampamento Seguro", entre outras designações que procuram reforçar a importância da prevenção, proteção e responsabilidade.
Ninguém questiona a necessidade de proporcionar ambientes seguros a crianças, jovens e adultos. A segurança física, emocional e institucional deve ser um compromisso permanente de qualquer organização educativa. Nesse aspeto, não há dúvidas.
No entanto, é pertinente refletir sobre uma tendência curiosa: a necessidade crescente de rotular tudo como "seguro". Chega a um ponto em que o próprio escutismo deixa de ser, por definição, um espaço de confiança, responsabilidade e educação, passando a necessitar de um selo linguístico que o certifique.
A ironia é evidente: se continuarmos neste caminho, em breve teremos também o "Fogo Seguro", a "Promessa Segura", o "Jogo Seguro" ou até o "Lenço Seguro". E, como o humor também faz parte da pedagogia, alguém poderá acrescentar que só faltará a "Benção do Seguro", numa divertida alusão ao apelido do dirigente político português, atual Presidente da República.
Naturalmente, esta é apenas uma brincadeira. Mas, como toda a boa sátira, convida a pensar. A comunicação institucional deve inspirar confiança, mas não deve recorrer à repetição excessiva de conceitos que, por serem muito utilizados, perdem impacto.
O escutismo sempre foi uma escola de responsabilidade, autonomia e serviço. A verdadeira segurança nasce da formação dos dirigentes, da preparação das atividades, do cumprimento das regras, do exemplo dado aos jovens e da aplicação da Lei e da Promessa. Nenhum logotipo ou slogan substitui estes pilares.
Talvez o maior desafio não seja criar mais programas com a palavra "seguro", mas sim continuar a construir comunidades em que cada escuteiro se sinta verdadeiramente acolhido, protegido, respeitado e incentivado a progredir.
Afinal de contas, o melhor "seguro" continua a ser um escutismo praticado com competência, bom senso e espírito de serviço.

ETERNAMENTE “JOVENS”!

Diz-se que os dirigentes dos escuteiros nunca envelhecem. Isso é mentira. Envelhecem como toda a gente. A diferença é que o escutismo não lhes permite admiti-lo. O corpo entra em pré-falência, mas eles continuam a aparecer de lenço ao pescoço, fingindo que dormir três horas numa tenda é uma opção de vida e não uma violação dos direitos humanos.
Há uma certa idade em que deixamos de correr atrás das crianças e passamos a gerir á distância para parecer que as estamos a supervisionar. Não se trata de falta de vontade, mas sim de uma estratégia de sobrevivência. A pedagogia chama-lhe autonomia. A coluna chama-lhe instinto de conservação.
Olho para trás e vejo um percurso repleto de decisões questionáveis. Um indivíduo que acreditou poder continuar a brincar aos escuteiros indefinidamente, como se as articulações fossem peças vitalícias e os discos da coluna tivessem garantia do fabricante.
O problema do dirigente é nunca crescer verdadeiramente. Ele continua convencido de que consegue construir um pórtico de campo monumental, cortar lenha, puxar reboques, organizar um jogo noturno e ainda cantar à volta da fogueira com entusiasmo. No entanto, no dia seguinte, demora quinze minutos a sair da cama e outros dez a perceber qual das pernas deixou de funcionar durante a noite.
O Escutismo vende a maravilhosa ilusão de que somos eternamente jovens por convivermos com jovens. É a mesma lógica de pensar que, ao entrarmos numa garagem, nos transformamos num automóvel. Rodear-nos de adolescentes cheios de energia não nos rejuvenesce, apenas torna mais evidente quão próximos estamos de atingir os cinquenta mil quilómetros.
Depois, há as atividades radicais. Aquelas em que um dirigente com mais de quarenta anos olha para um obstáculo e pensa: "Claro que consigo." E consegue, de facto. O problema nunca foi ultrapassar o obstáculo. O problema é conseguir vestir as meias no dia seguinte sem recorrer a todas as entidades divinas conhecidas.
Há sempre aquele dirigente veterano que surge com um sorriso sereno e afirma:
— Isto mantém-nos jovens.
Claro que sim. Tal como os incêndios mantêm as florestas quentes.
A verdade é bem menos romântica. Mantém-nos cansados, doloridos, privados de sono e com uma coleção de pomadas que faria inveja a uma farmácia de província. A mochila pesa exatamente o mesmo que há vinte anos. O que mudou foi o burro que a transporta.
O mais hilariante é continuarmos a dizer "eu trato disso". É uma doença. Quando um adolescente diz que precisa de ajuda para construir uma mesa, respondemos de imediato:
— Deixa comigo.
Uma hora depois, estamos a segurar troncos, a apertar sisal com os dentes, que já pagam IRS, e a perguntar discretamente onde está o Voltaren.
Depois, chega o domingo. As crianças vão para casa felizes, os pais agradecem o excelente fim de semana e nós regressamos com a elegância de um sobrevivente de uma campanha napoleónica. Há lama nas botas, nódoas na camisa, três mensagens por responder, uma carrinha para descarregar e uma hérnia que acabou de se manifestar.
Mas, na segunda-feira, quando alguém perguntar como correu...
— Espetacular! Para a próxima, fazemos melhor.
É aqui que percebemos que o envelhecimento não afetou o nosso corpo. Afetou o discernimento.
Só alguém profundamente avariado é que aceita trocar um fim de semana confortável por duas noites mal dormidas, refeições improvisadas, reuniões intermináveis, burocracia, autorizações, cargas e descargas, crianças hiperativas e um período de recuperação física mais longo do que a própria atividade.
E, no entanto, voltamos sempre.
Não porque sejamos heróis. Nem por sermos particularmente altruístas.
Voltamos porque o escutismo é uma doença crónica. Entra-nos no sangue, instala-se algures entre o sentido de missão e a completa falta de juízo, e recusa-se a sair.
Por isso, poupem-me à conversa de que os dirigentes nunca envelhecem.
Envelhecem, de facto.
Acontece que o Escutismo tem o dom raro de transformar adultos perfeitamente funcionais em pessoas que passam os fins de semana a dormir em tendas, a cozinhar para a equipa de chefia, que tem mais pessoas que o seu círculo familiar, a carregar madeira como se não houvesse amanhã e, no final, dizem ainda, com um sorriso completamente irracional:
"Quando é o próximo acampamento?"
Se isto não é a definição clínica de loucura, está muito próximo disso.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

SISTEMA VOLTA: UMA OPORTUNIDADE PARA FINANCIAR O ESCUTISMO

Independentemente da opinião que cada um tenha sobre o Sistema Volta, a sua implementação pode constituir uma oportunidade relevante para os agrupamentos escutistas angariarem fundos destinados às suas atividades, enquanto incentivam práticas ambientalmente responsáveis.
O Escutismo sempre teve como missão formar cidadãos conscientes da importância de proteger a natureza e de deixar o mundo um pouco melhor do que o encontraram. Nesse contexto, importa refletir sobre as oportunidades que o Sistema Volta pode criar para as nossas comunidades, conciliando a educação para a sustentabilidade com o apoio às atividades escutistas.
O Sistema Volta é o sistema de depósito e reembolso (SDR) de embalagens de bebidas em Portugal. Sempre que adquirimos uma bebida em garrafa de plástico ou lata de metal com menos de três litros e identificada com o símbolo Volta, pagamos um depósito de 0,10 euros. Este valor é devolvido quando a embalagem for entregue vazia, intacta e com o código de barras legível num dos milhares de pontos de recolha aderentes.
À primeira vista, 10 cêntimos podem parecer insignificantes. No entanto, quando um agrupamento mobiliza escuteiros, famílias, amigos e a comunidade para recolher centenas ou milhares de embalagens, o valor acumulado pode representar uma ajuda significativa para financiar acampamentos, atividades, aquisição de material, formação de dirigentes ou melhorias na sede.
Uma campanha de recolha durante um acampamento, em parceria com uma escola, uma associação local ou um estabelecimento comercial da freguesia, pode transformar resíduos em recursos. Além do benefício financeiro, estas iniciativas reforçam o sentido de responsabilidade ambiental, o trabalho de equipa e o espírito de serviço — valores que fazem parte da identidade do escutismo.
O Sistema Volta pode, assim, ser encarado como mais uma ferramenta ao serviço dos agrupamentos. Embora não substitua outras formas de financiamento, pode complementá-las, ao envolver a comunidade numa ação simples com um impacto ambiental positivo e benefícios concretos para os projetos escutistas.
Num momento em que os custos das atividades aumentam e a sustentabilidade ocupa um lugar central na sociedade, é pertinente refletir sobre esta possibilidade. Independentemente da opinião de cada um sobre o Sistema Volta, faz sentido aproveitar o que tem de positivo: transformar um pequeno gesto diário num apoio às aventuras, ao serviço e à missão educativa do Escutismo.
Afinal, se uma embalagem pode ajudar um jovem a participar num acampamento, numa atividade ou num grande projeto escutista, cada devolução pode representar muito mais do que dez cêntimos.

 # 3 - o botão que valia cem pontos


Quando o Tiago entrou para o Grupo de Exploradores, aos onze anos, tudo o que desejava era aprender a fazer nós, construir jangadas, acampar e viver aventuras. O uniforme? Para ele, não passava de uma roupa igual à de todos os outros.


Até ao dia da primeira inspeção.

O Chefe Álvaro percorria lentamente a frente das patrulhas, observando atentamente cada pormenor. O silêncio era tão profundo que se ouvia apenas o vento a agitar as bandeirolas.

De repente, deteve-se diante de um escuteiro.

— Estás nu! — disse, com firmeza.

O rapaz ficou perplexo.

— Tens um botão desapertado. Um escuteiro que não cuida do seu uniforme apresenta-se incompleto. Vai compor-te e regressa.

Sem dizer uma palavra, o jovem afastou-se e voltou poucos minutos depois, impecavelmente uniformizado.

Naquele momento, o Tiago pensou consigo:

"Que chefe tão exigente!"

Mal sabia ele que aquela seria apenas a primeira de muitas lições.

Nas cerimónias e nas atividades de maior formalidade, nada era deixado ao acaso. As botas de campo tinham de estar perfeitamente limpas, sem um único grão de poeira. A fivela do cinto devia brilhar. Os distintivos tinham de estar corretamente cosidos. As meias, bem esticadas, com as jarreteiras devidamente colocadas. A bandeirola da patrulha apresentava-se sempre limpa e corretamente presa à respetiva vara.

E havia a inspeção que ninguém esquecia.

Cada patrulha começava com cem pontos.

— Recebem cem pontos porque acredito que são capazes de dar o vosso melhor — dizia o chefe.

Então iniciava-se a revista.

Um lenço mal colocado.

Menos dez pontos.

Um botão desapertado.

Menos dez.

Botas empoeiradas.

Menos dez.

No final, ninguém queria ser responsável pela perda de pontos da patrulha.

Com o passar do tempo, deixaram de esperar que fosse o chefe a detetar as falhas. Muito antes da formatura, eram os próprios elementos da patrulha que se ajudavam mutuamente.

— O teu lenço está torto.

— Espera... tens o distintivo a descoser-se.

— Dá cá a camisa. Esse botão ficou desapertado.

Sem se aperceberem, a verdadeira inspeção já começava muito antes da formatura. Acontecia entre eles, através da atenção, da entreajuda e do cuidado que cada um dedicava ao outro.

Certo dia, decidiram lançar um desafio.

— Aposto que o Chefe Álvaro também há de ter alguma falha!

Durante semanas observaram-no discretamente.

Não encontraram nenhuma.

Nem um botão fora do lugar.

Nem um distintivo mal cosido.

Nem uma fivela sem brilho.

Nem um único vestígio de poeira nas botas.

O chefe jamais exigia aos outros aquilo que não exigia primeiro de si próprio.

Os anos passaram.

O Tiago tornou-se guia de patrulha e, mais tarde, chefe dos escuteiros.

Na sua primeira reunião como chefe, reparou num escuteiro com um botão desapertado.

Sorriu ao recordar a própria infância.

Em vez de o chamar à atenção diante de todos, aproximou-se discretamente, apertou-lhe o botão e perguntou:

— Sabes por que usamos o uniforme?

O rapaz respondeu, hesitante:

— Porque faz parte do Escutismo?

O Tiago sorriu.

— Também. Mas o uniforme faz muito mais do que identificar um escuteiro. Recorda-nos que, aqui, todos somos iguais, independentemente da nossa origem, condição ou história. É o sinal visível do compromisso que assumimos na Promessa, do orgulho de pertencer à patrulha, ao Grupo de Exploradores e à grande fraternidade escutista espalhada pelo mundo. Quando cuidamos dele, demonstramos respeito por nós próprios, pelos nossos companheiros e pelos valores que escolhemos viver.

O rapaz baixou os olhos para o uniforme, endireitou o lenço e alisou cuidadosamente a camisa.

Na reunião seguinte apresentou-se irrepreensivelmente uniformizado.

Alguns meses depois, foi ele quem se aproximou discretamente de um companheiro.

— Tens o botão desapertado.

O rapaz agradeceu, sorriu e compôs o uniforme antes da formatura.

Naquele instante, o Tiago compreendeu finalmente a maior lição que aprendera com o velho Chefe Álvaro.

Durante muitos anos acreditara que o chefe implicava com botões, distintivos, cintos ou botas empoeiradas. Só então percebeu que nada disso constituía o verdadeiro objetivo.

Reunião após reunião, o Chefe Álvaro fazia algo muito mais importante: ajudava cada escuteiro a desenvolver disciplina, sentido de responsabilidade, respeito por si próprio e consideração pelos outros. Ensinava, sobretudo, que o exemplo vale mais do que qualquer discurso e que o orgulho de vestir o uniforme nasce da fidelidade aos valores que ele representa.

Porque um uniforme veste-se em poucos minutos.

Mas o caráter que simboliza constrói-se todos os dias, em cada pequeno gesto, em cada detalhe e em cada escolha.

E essa foi a maior conquista daquele velho Grupo de Exploradores: não formar jovens de uniforme impecável, mas homens e mulheres que, onde quer que a vida os levasse, continuassem a honrar o uniforme, mesmo quando já não o vestissem.

domingo, 26 de julho de 2026

NÃO É BEM O “ROCK IN RIO”…

As grandes atividades escutistas, como os jamborees, “acanacs, acaregs, acanucs, acagrups” e outras, têm privilegiado, em alguns casos, a grandiosidade, o impacto e a inovação em detrimento da simplicidade e da fidelidade ao Método Escutista. Há uma tendência crescente para a criação de programas cada vez mais "memoráveis" e diferenciadores, esquecendo-se de que o verdadeiro valor educativo de uma atividade escutista não está na sua espetacularidade, mas sim na forma como o Método Escutista é posto em prática.
A preocupação em proporcionar experiências inéditas leva, por vezes, à introdução de modelos de funcionamento, dinâmicas e práticas que têm pouco ou nada em comum com a realidade vivida nas unidades. Estas "experiências", ainda que bem-intencionadas, acabam por transmitir aos jovens e dirigentes uma ideia distorcida do Escutismo, criando expetativas difíceis de alcançar no contexto habitual de uma alcateia (bandos), patrulha, equipa ou tribo.
O resultado é frequentemente contraproducente. Em vez de reforçar o trabalho educativo desenvolvido ao longo do ano, estas atividades podem fragilizá-lo. Os participantes regressam convencidos de que o escutismo deve funcionar segundo modelos excecionais, dependentes de grandes estruturas, abundância de recursos ou soluções organizacionais artificiais, quando o método escutista foi precisamente concebido para ser vivido de forma simples, progressiva e contínua no seio da Unidade.
Mais preocupante ainda é quando, em nome da inovação, se relativizam ou descaracterizam elementos essenciais do método escutista. A criatividade é desejável, mas nunca pode justificar o abandono dos princípios pedagógicos que sustentam o movimento desde a sua fundação. Um grande evento não deve funcionar como um laboratório de experiências educativas desvinculadas do Método, mas sim como a sua expressão mais bem-sucedida.
As grandes atividades devem confirmar aquilo que os jovens vivem semanalmente nas suas Unidades e não lhes apresentar um "escutismo paralelo". Devem servir de exemplo de uma aplicação rigorosa do Método Escutista, demonstrando que este continua plenamente atual e eficaz, sem necessidade de ser substituído por modas, tendências ou soluções pedagógicas importadas de outras realidades.
A verdadeira inovação no escutismo não consiste em reinventar o método, mas sim em aplicá-lo com qualidade, coerência e autenticidade. Sempre que uma grande atividade deixar de ser reconhecida como uma extensão natural da vida da unidade, corre-se o risco de ficar uma marca que, em vez de fortalecer o percurso educativo dos jovens, dificulte a compreensão e aplicação futuras do método escutista.