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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

SER DIRIGENTE: ENTRE A FIRMEZA E A SERENIDADE

“O dirigente que é firme nas suas convicções, paciente com os outros, simples no servir, natural no agir e tranquilo perante as dificuldades está mais perto da Verdade.”

Há uma pergunta que vale a pena fazermos de vez em quando:

Que adulto sou eu quando estou ao serviço dos outros?

Não quando tudo corre bem.
Não quando a equipa está de acordo.
Não quando o acampamento está perfeitamente preparado.

Mas quando chove. Quando alguém discorda. Quando um jovem nos desafia. Quando uma atividade não corre como planeámos. Quando estamos cansados e já não temos a mesma paciência.

É nesses momentos que o nosso verdadeiro modo de estar se revela.

Ser dirigente é muito mais do que desempenhar uma função. É uma oportunidade permanente de servir, educar e crescer com os outros.

E talvez seja precisamente aí que cinco palavras nos possam ajudar a encontrar o caminho: firmeza, paciência, simplicidade, naturalidade e tranquilidade.

Firme, sem ser rígido

Um dirigente precisa de ter convicções.

Saber aquilo em que acredita. Conhecer os valores que defende. Ter coragem para tomar decisões — mesmo quando não são as mais populares.

Mas firmeza não é autoritarismo.

Ser firme é saber manter o rumo sem deixar de escutar quem caminha connosco.

Uma boa liderança não precisa de impor a sua presença. Inspira confiança porque é coerente.

Paciente, porque cada pessoa tem o seu tempo

No Escutismo, ninguém cresce ao mesmo ritmo.

Há quem arrisque primeiro. Há quem precise de mais tempo. Há quem erre muitas vezes antes de aprender. Há quem precise simplesmente de alguém que acredite nele.

A paciência é uma forma silenciosa de confiança.

Ser paciente é acreditar que as pessoas podem crescer, mesmo quando ainda não vemos o resultado.

Também nós, adultos, continuamos a aprender. Continuamos a errar. Continuamos a precisar dos outros.

E isso faz parte do caminho.

Simples, porque servir não é aparecer

O Escutismo ensina-nos uma coisa essencial: estar ao serviço.

Por vezes, porém, podemos confundir serviço com protagonismo.

O verdadeiro serviço nem sempre se vê.

Está naquele adulto que chega mais cedo para preparar. Naquele que fica até ao fim para arrumar. Naquele que resolve um problema sem procurar reconhecimento. Naquele que deixa outro assumir o protagonismo porque percebe que é a sua vez de crescer.

Servir é colocar o outro no centro.

A simplicidade lembra-nos que não precisamos de complicar aquilo que pode ser vivido com verdade.

Natural, porque não precisamos de representar um papel

Os jovens não precisam de adultos perfeitos.

Precisam de adultos verdadeiros.

Adultos capazes de dizer “não sei”.
Capazes de pedir desculpa.
Capazes de rir de si próprios.
Capazes de reconhecer um erro.
Capazes de mostrar entusiasmo, mas também cansaço.
Capazes de ser firmes sem deixarem de ser próximos.

Quando somos autênticos, damos aos outros liberdade para também serem quem são.

E é aí que nasce a confiança.

Tranquilo, sobretudo quando tudo parece correr mal

Há momentos em que o Escutismo nos põe à prova.

O plano falha.
A equipa entra em conflito.
O tempo muda.
Os recursos não chegam.
A decisão é difícil.

Nesses momentos, podemos escolher entre reagir ou parar.

Parar. Respirar. Escutar. Pensar. E só depois agir.

A tranquilidade não significa falta de preocupação. Significa não deixar que a preocupação nos impeça de pensar.

Um adulto tranquilo transmite segurança.

E, muitas vezes, quando todos procuram respostas, aquilo de que uma equipa mais precisa é simplesmente de alguém capaz de manter a serenidade.

E a Verdade?

Talvez a Verdade não seja uma resposta que encontramos de uma vez por todas.

Talvez seja um caminho.

Um caminho feito de escolhas diárias, de coerência entre aquilo que dizemos e aquilo que fazemos, de disponibilidade para aprender e de coragem para reconhecer quando precisamos de mudar.

Firmeza. Paciência. Simplicidade. Naturalidade. Tranquilidade.

Não são apenas características desejáveis num dirigente.

São atitudes que podem transformar a forma como vivemos o Escutismo.

Porque educamos muito mais pelo que fazemos do que pelo que dizemos.

E os jovens observam.

Observam como tratamos quem pensa diferente.
Como reagimos quando erramos.
Como lidamos com o poder.
Como assumimos responsabilidades.
Como cuidamos uns dos outros.

No fundo, o nosso maior instrumento educativo somos nós próprios.

Por isso, talvez a pergunta inicial possa ser outra:

Que exemplo estou a deixar quando sirvo no Escutismo?

Não precisamos de ser adultos perfeitos.

Precisamos de ser adultos coerentes, disponíveis e verdadeiros.

Adultos que saibam caminhar com os outros.

Adultos que saibam liderar sem dominar.

Adultos que saibam servir sem aparecer.

Adultos que, mesmo no meio das dificuldades, consigam manter o rumo e a serenidade.

Porque talvez seja isso que significa estar mais perto da Verdade:

ser aquilo que acreditamos, viver aquilo que ensinamos e servir aquilo que amamos.

Sempre alerta. Sempre a aprender. Sempre a caminho.

terça-feira, 1 de setembro de 2026

QUANDO O ESCUTISMO SE TRANSFORMA EM ANGARIAÇÃO DE FUNDOS?

Um agrupamento de escuteiros precisa de dinheiro.

Precisa pagar a renda da sede, comprar material, manter equipamentos, financiar atividades, apoiar jovens com menos recursos e, em alguns casos, simplesmente conseguir fechar as contas no final do mês. Angariar fundos faz parte da realidade de muitas associações.

O problema não começa quando o agrupamento procura recursos.

Começa quando angariar recursos passa a consumir mais energia do que aquilo que os recursos deveriam tornar possível.

É fácil perceber como isso acontece.

Primeiro aparece uma pequena campanha. Depois uma venda de bolos. Depois uma quermesse. Em seguida, rifas, sorteios, festas, jantares, bancas, calendários, produtos personalizados, campanhas online e pedidos de apoio. Os adultos organizam, os jovens participam, as famílias ajudam e, pouco a pouco, o calendário do agrupamento e das unidades começa a ser preenchido por atividades cujo principal objetivo não é educativo.

No papel, continua tudo a ser "para os jovens".

Mas será que continua a ser para os jovens na prática?

Um sábado que poderia ser um pequeno bivaque transforma-se numa banca de vendas. Uma reunião de patrulha é substituída pela preparação de uma festa. Um fim de semana que poderia proporcionar uma atividade ao ar livre é ocupado pela montagem, funcionamento e desmontagem de um evento para angariar dinheiro.

E surge uma pergunta desconfortável:

quanto escutismo estamos dispostos a sacrificar para conseguir dinheiro para fazer escutismo?

A pergunta não é contra a angariação de fundos.

É contra a falta de proporção.

O dinheiro é um recurso. Não é a finalidade do Movimento Escutista.

Quando uma patrulha organiza uma atividade para financiar um acampamento, existe uma oportunidade educativa. Os jovens podem aprender a planear, calcular custos, dividir responsabilidades, comunicar, vender, lidar com imprevistos e perceber que uma atividade exige recursos.

Tudo isso pode ser escutismo.

Mas há uma diferença enorme entre aprender através de uma angariação de fundos e transformar os jovens numa força de trabalho para financiar a instituição.

Essa diferença nem sempre é fácil de perceber.

Um jovem que passa horas a vender rifas está necessariamente a desenvolver autonomia? Uma criança que passa um domingo inteiro numa banca está necessariamente a viver uma experiência educativa? Uma unidade que organiza sucessivos eventos para pagar despesas está necessariamente a cumprir melhor a sua missão?

Nem sempre.

Existe um momento em que a pergunta deixa de ser "o que esta atividade ensina?" e passa a ser apenas "quanto dinheiro vamos conseguir?"

Quando isso acontece, alguma coisa se perdeu pelo caminho.

O problema torna-se ainda maior quando a saúde financeira do agrupamento passa a depender de uma espécie de ciclo permanente: é preciso angariar dinheiro para manter a estrutura que exige mais dinheiro para ser mantida.

Uma sede maior exige mais despesas.

Mais despesas exigem mais campanhas.

Mais campanhas ocupam mais tempo.

Mais tempo dedicado às campanhas significa menos tempo para atividades.

Menos atividades podem reduzir o interesse e a participação.

E, para compensar, organizam-se ainda mais campanhas.

O agrupamento pode acabar preso numa armadilha curiosa: trabalha cada vez mais para conseguir recursos para manter uma estrutura que deveria existir para permitir que o escutismo aconteça.

É claro que há despesas inevitáveis. É claro que equipamentos custam dinheiro. É claro que atividades têm custos. E é claro que nem todas as famílias podem pagar tudo.

Por isso, a solução não é simplesmente "não angariar fundos".

A solução talvez seja fazer perguntas mais difíceis.

Quanto custa realmente o nosso modelo de agrupamento?

Que despesas existem porque são necessárias e quais existem porque nos habituámos a elas?

Estamos a tentar proporcionar boas experiências aos jovens ou a manter uma estrutura maior do que aquilo que conseguimos sustentar?

Se tivéssemos metade das despesas, precisaríamos de metade das campanhas?

E talvez a pergunta mais importante:

Se não precisássemos de angariar dinheiro neste sábado, o que faríamos com os jovens?

A resposta pode ser reveladora.

Se a resposta for uma caminhada, um jogo, uma atividade de patrulha, uma oficina, uma exploração, um acampamento ou simplesmente tempo de qualidade juntos, então talvez devêssemos olhar com atenção para a proporção que a angariação de fundos ocupa no nosso programa.

Há também uma questão ética.

Os jovens não são mão de obra barata.

Não são vendedores.

Não são responsáveis por resolver os problemas financeiros criados pelos adultos.

Podem e devem participar em iniciativas de angariação de fundos quando essas iniciativas fazem sentido educativo e são adequadas à sua idade. Podem aprender com o trabalho, com a responsabilidade e até com a frustração de descobrir que nem tudo se vende.

Mas existe uma diferença entre dar aos jovens uma responsabilidade real e transferir para eles uma necessidade financeira da organização.

O adulto deve ser capaz de reconhecer essa diferença.

Talvez uma das formas mais honestas de avaliar uma angariação de fundos seja perguntar:

se o dinheiro não fosse necessário, ainda faríamos esta atividade?

Se a resposta for sim, provavelmente existe ali uma boa experiência escutista que também gera recursos.

Se a resposta for não, talvez estejamos apenas a procurar uma forma eficiente de conseguir dinheiro utilizando o tempo dos jovens.

E isso merece ser discutido.

Porque o Movimento Escutista não existe para financiar sedes, comprar equipamentos ou equilibrar orçamentos.

Existe para contribuir para a educação de crianças e jovens.

O dinheiro deve servir essa missão.

Nunca o contrário.

Uma boa gestão financeira não é aquela que consegue organizar mais rifas, mais festas ou mais campanhas.

É aquela que consegue garantir os recursos necessários sem transformar a vida do agrupamento numa sucessão de atividades cujo objetivo principal é pagar as contas.

Talvez seja preciso ter a coragem de fazer algo que parece contraintuitivo: reduzir.

Reduzir despesas.

Reduzir estruturas.

Reduzir aquilo que precisa de manutenção.

Reduzir aquilo que acumulámos porque "um dia pode dar jeito".

Reduzir a dependência de receitas extraordinárias.

E, com isso, recuperar aquilo que nunca deveria ter sido secundário.

O tempo dos jovens.

A presença dos adultos.

As patrulhas.

A aventura.

A descoberta.

A autonomia.

A vida ao ar livre.

A experiência de fazer algo pela primeira vez.

Porque existe uma ironia que vale a pena não ignorar:

podemos organizar uma angariação de fundos para pagar uma atividade escutista e, no processo, gastar precisamente o tempo que deveria ter sido dedicado a viver essa atividade.

Quando isso acontece, talvez não estejamos a financiar o escutismo.

Talvez estejamos a financiar uma máquina que ficou grande demais para o escutismo que pretende servir.

E talvez a verdadeira angariação de fundos comece antes de pedir dinheiro a alguém.

Comece por perguntar:

de quanto realmente precisamos para fazer bom escutismo?

A resposta pode ser muito menor do que imaginamos.

E o escutismo que sobra pode ser muito maior.


sábado, 29 de agosto de 2026

#7 - Conversa entre escuteiros na tenda

Era noite no acampamento.

Depois de um dia inteiro de atividades, jogos, construções, canções e, sobretudo, de um raid interminável, os quatro elementos da Patrulha Morcego finalmente tinham conseguido chegar à tenda.

Tinham chegado cansados, sujos e com uma única certeza: naquele momento, qualquer coisa que não envolvesse andar mais de cinco metros era uma excelente atividade.

Luís, o sub-guia, estava deitado no saco-cama, muito direito e muito sério, como se estivesse a comandar uma operação militar.

Filipe, o cozinheiro, tinha-se enrolado no saco-cama e ainda cheirava ligeiramente a fumo da fogueira.

Diogo, o animador da patrulha, parecia ter guardado toda a energia do dia apenas para continuar a falar.

E Tiago, o noviço recém-chegado da Alcateia, olhava fixamente para o teto da tenda, desconfiado de que, a qualquer momento, alguma coisa pudesse cair-lhe em cima.

Durante alguns segundos, reinou o silêncio.

Depois:

— Rapazes… — murmurou Diogo.

Ninguém respondeu.

— Rapazes!

Luís abriu um olho.

— O quê?

— Tenho uma ideia!

Filipe levantou ligeiramente a cabeça.

— Isso nunca acaba bem.

— Vamos fazer um jogo! — anunciou Diogo. — Cada um diz aquilo que lhe mete mais medo.

Tiago levantou-se imediatamente.

— Eu começo!

Luís olhou para ele.

— Claro que começas. És o mais novo.

Tiago respirou fundo, como quem se preparava para revelar um segredo de Estado.

— O meu maior medo é que, a meio da noite, me dê vontade de fazer chichi e tenha de ir sozinho à casa de banho.

Luís desatou a rir.

— Isso é medo?

— É!

— Medo de quê?

— De tudo!

— Isso não explica nada.

Tiago começou a contar pelos dedos:

— Do escuro… dos barulhos… de algum desconhecido… de um animal… de um fantasma…

Diogo interrompeu:

— Um fantasma?

— Sim!

— Tiago, estamos num acampamento de escuteiros. Os únicos fantasmas que aparecem aqui de madrugada são os chefes, quando vêm verificar se estamos a dormir.

Filipe acrescentou:

— E esses fazem mais barulho do que um fantasma. Especialmente quando usam botas número 45.

Os quatro começaram a rir.

Luís abanou a cabeça.

— Isso é medo de lobito!

Tiago cruzou os braços.

— Pelo menos eu admito os meus medos!

— Está bem, está bem — disse Diogo. — Próximo. Luís?

O sub-guia ficou pensativo.

— O meu maior medo é ter negativa no teste de Português.

Silêncio.

Diogo piscou os olhos.

— A sério?

— Claro!

— Tens medo da professora?

— Não.

— De ficar de castigo?

— Também não.

— Então do quê?

Luís suspirou.

— Se tiver negativa, o meu pai não me dá o telemóvel novo que pedi.

Silêncio outra vez.

Filipe espreitou para fora do saco-cama.

— Ah…

Diogo começou a sorrir.

— Então o teu verdadeiro medo não é ter negativa.

— Não?

— É ficares sem telemóvel.

— Exatamente.

— Então porque é que disseste Português?

Luís ficou alguns segundos a pensar.

— Porque dizer “tenho medo de ficar sem telemóvel” não fica muito bem para um sub-guia.

Filipe concordou solenemente:

— Pois. É muito mais digno dizer que tens medo da gramática.

Nova explosão de gargalhadas.

Diogo levantou uma mão.

— Muito bem. Agora eu.

Os outros ficaram à espera.

Desta vez, Diogo não sorriu.

— O meu maior medo é estar numa situação em que alguém precise de ajuda e eu não tenha coragem para agir.

A brincadeira parou.

— Como assim? — perguntou Tiago.

— Imaginem que estamos numa atividade e encontramos alguém perdido ou ferido. Está a anoitecer, estamos longe do acampamento e não sabemos bem o que fazer.

Fez uma pausa.

— Numa situação dessas, podemos ficar assustados. Podemos querer fugir. Podemos pensar primeiro em nós.

Tiago levantou a mão.

— Eu sei o que faria.

— O quê?

— Corria.

Luís deu-lhe uma cotovelada.

— Tu corres muito pouco.

— Pois… então escondia-me.

Diogo riu-se.

— E é precisamente isso que me assusta. Não é ter medo. É deixar que o medo me impeça de fazer aquilo que devo fazer.

Filipe ficou pensativo.

— Mas também não devemos fazer coisas perigosas só para parecermos corajosos.

— Claro que não — respondeu Diogo. — Ser corajoso também é saber quando devemos pedir ajuda.

Luís assentiu.

— Isso faz sentido.

Diogo olhou para Filipe.

— E tu? Ainda não disseste o teu.

Filipe ficou alguns segundos em silêncio.

— O meu maior medo é passar pela vida a ver pessoas com fome, sem casa, sozinhas ou a sofrer injustiças… e ficar simplesmente a olhar.

Ninguém brincou.

— Às vezes pensamos que os grandes problemas são demasiado grandes para nós — continuou Filipe. — Mas podemos sempre fazer alguma coisa. Ajudar alguém. Partilhar o que temos. Defender quem precisa. Dar uma palavra amiga.

Fez uma pausa.

— O que me assusta é saber que podia ter feito alguma coisa e ter escolhido não fazer.

A tenda ficou silenciosa.

Lá fora, o vento mexia nas árvores.

Durante alguns segundos, nenhum dos quatro disse nada.

Até que Tiago levantou lentamente a mão.

— Posso fazer uma pergunta?

Luís olhou para ele.

— O quê?

— Se encontrarmos alguém perdido, temos de o levar para o acampamento?

— Não — respondeu Diogo. — Primeiro pensamos no que fazer e pedimos ajuda a um adulto.

Tiago ficou pensativo.

— Ah.

Mais alguns segundos de silêncio.

Depois levantou novamente a mão.

— E se for uma pessoa que sabe o caminho?

— Tiago…

— O quê?

— O que é que estás a pensar?

Tiago sorriu.

— Estou a pensar que já sei uma coisa que podemos fazer.

— O quê? — perguntou Filipe.

— Podemos começar por ajudar-me a ir à casa de banho.

Luís agarrou numa almofada.

— Nem penses!

— Mas vocês acabaram de dizer que devemos ajudar quem precisa!

— Eu disse para pedires ajuda! — respondeu Diogo.

— Pois. Estou a pedir.

Filipe começou a rir.

— Acho que ele ganhou.

— Ninguém ganhou nada! — resmungou Luís.

Tiago apontou para a saída da tenda.

— Então quem vem comigo?

Silêncio.

Os três olharam uns para os outros.

Finalmente, Luís suspirou.

— Eu vou.

Tiago sorriu.

— Sabia que podia contar contigo.

— Não te habitues.

Diogo apagou a lanterna.

— Vá, rapazes. Agora é mesmo para dormir.

— Boa noite.

— Boa noite.

— Boa noite.

Passaram cinco segundos.

— Luís?

— O quê?

— Levas a lanterna?

— Levo.

— E vais à frente?

— Vou.

— E se aparecer um fantasma?

— Tiago!

A tenda voltou a encher-se de gargalhadas.

Pouco depois, os quatro ficaram finalmente em silêncio.

Naquela noite, a Patrulha Morcego percebeu que todos temos medos diferentes.

Alguns parecem pequenos, como atravessar o acampamento às escuras.

Outros são maiores, como encontrar alguém em dificuldades ou assistir a uma injustiça sem saber o que fazer.

Mas também descobriram que coragem não significa não ter medo.

Coragem é reconhecer o medo, pensar antes de agir, pedir ajuda quando necessário e fazer aquilo que está ao nosso alcance para ajudar os outros.

E, naquela noite, a Patrulha Morcego aprendeu ainda uma última lição:

quando um companheiro precisa de ajuda, uma boa patrulha não o deixa sozinho.

Mesmo que seja para ir à casa de banho à meia-noite.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

PARA ALÉM DOS CONSELHOS: CRIAR ESPAÇOS PARA ESCUTAR, PARTICIPAR E APRENDER

No Escutismo, falar de participação é falar de uma das dimensões essenciais da nossa vivência associativa. Temos Conselhos, assembleias, equipas e outros espaços institucionais onde se debate, se apresentam propostas e se tomam decisões. São estruturas fundamentais e devem continuar a ser valorizadas.

Mas será que a participação escutista tem de acontecer apenas nos espaços formais?

Talvez seja tempo de pensar mais longe.

dirigentes com ideias, experiências e preocupações que nem sempre chegam a um Conselho. Há quem tenha muito para partilhar, mas não se sinta confortável num espaço formal. Há quem esteja a começar, quem tenha pouca experiência, quem não ocupe cargos ou simplesmente quem prefira contribuir de outra forma.

E é aqui que pode surgir uma ideia simples, mas poderosa: criar mais espaços de participação.

Escutar para além das estruturas

Podemos imaginar “cafés escutistas”, círculos de conversa, fóruns temáticos, laboratórios de ideias, grupos de trabalho temporários, encontros de partilha de boas práticas ou comunidades de aprendizagem.

Espaços onde não seja necessário ter um cargo para ter voz.

Espaços onde uma dificuldade concreta possa ser apresentada e um grupo de dirigentes possa ajudar a encontrar soluções.

Espaços onde se possa perguntar sem receio: “Como fazem isto na vossa unidade?”

Ou simplesmente: “Também vos acontece isto?”

Porque muitas vezes a formação mais significativa não acontece numa sala de formação. Acontece numa conversa depois de uma atividade, numa reunião informal, numa troca de experiências entre dirigentes ou quando alguém partilha uma solução que aprendeu depois de cometer um erro.

Isto também é formação escutista.

E é formação não formal no seu sentido mais rico: aprender fazendo, refletindo, partilhando e aprendendo com os outros.

E se criássemos os “Escuteiros Anónimos”?


Já falámos anteriormente dos “Escuteiros Anónimos” como uma possível metáfora para dar voz àquilo que muitas vezes fica escondido no Escutismo: as dúvidas, as dificuldades, os fracassos, os receios e até as pequenas vitórias que nem sempre temos coragem de partilhar.

Podemos levar essa ideia mais longe.

Um espaço de “Escuteiros Anónimos” poderia permitir que um dirigente colocasse uma questão ou partilhasse uma situação sem medo de ser julgado:

“Não sei como motivar a minha equipa.”

“Sinto que estou a fazer tudo sozinho.”

“Experimentei uma atividade e correu mal. O que fariam diferente?”

“Tenho uma ideia, mas não sei se faz sentido.”

“Preciso de ajuda.”

E talvez a resposta não tivesse de vir de um especialista (que muitas vezes, não o é…). Poderia vir de outros dirigentes que já passaram pelo mesmo.

Não seria um espaço para procurar culpados. Seria um espaço para procurar respostas.

Participar não é apenas votar

Existe também uma oportunidade para repensarmos o próprio conceito de participação.

Participar não é apenas votar numa proposta. É também fazer uma pergunta. É apresentar uma ideia. É discordar. É ouvir. É ajudar a resolver um problema. É contar uma experiência. É experimentar uma solução. É reconhecer que algo não funcionou. É aprender com quem está ao nosso lado.

Por isso, os Conselhos institucionais podem continuar a ser os espaços onde determinadas decisões são formalmente tomadas, mas não precisam de ser os únicos lugares onde as ideias nascem.

A decisão pode ser formal. A construção da decisão pode ser muito mais aberta.

Antes de uma proposta chegar a um Conselho, pode ter passado por dezenas de conversas, experiências, debates e contributos informais.

É aí que uma associação verdadeiramente participativa pode ganhar força.

Pequenos espaços, grandes mudanças

Não precisamos necessariamente de criar mais estruturas pesadas.

Pelo contrário.

Precisamos talvez de menos burocracia e mais oportunidades de encontro.

Um encontro mensal de uma hora entre dirigentes de diferentes unidades.

Um grupo online dedicado a um determinado tema.

Um “café de ideias” antes de uma grande decisão.

Um encontro onde se partilham atividades que correram bem — e outras que correram mal.

Um grupo temporário criado para responder a um desafio concreto.

Uma sessão de “Escuteiros Anónimos”.

Uma conversa entre dirigentes novos e dirigentes mais experientes.

Pequenos espaços podem gerar grandes mudanças quando existe uma cultura de confiança.

O mais importante: criar confiança

Nenhum novo espaço de participação funcionará se as pessoas sentirem que têm de apresentar sempre a resposta certa.

Precisamos de espaços onde seja legítimo não saber.

Onde seja possível dizer “não concordo”.

Onde seja possível dizer “não consigo”.

Onde uma má experiência possa ser transformada em aprendizagem.

Onde a experiência de um dirigente com muitos anos de Escutismo tenha o mesmo valor humano que a pergunta de quem acabou de começar.

Porque a formação não formal acontece precisamente quando criamos condições para que as pessoas aprendam umas com as outras.

E talvez esta seja uma das maiores riquezas que temos dentro do Movimento: milhares de pessoas com experiências diferentes, problemas diferentes, soluções diferentes e uma enorme vontade de fazer melhor.

Temos apenas de criar mais oportunidades para que essa riqueza circule.

Uma associação que escuta é uma associação que aprende

Talvez o desafio não seja criar mais um órgão.

Talvez seja criar mais cultura de escuta.

Uma cultura em que os dirigentes não sejam apenas chamados quando é necessário decidir, mas onde sejam regularmente convidados a partilhar, questionar, experimentar e construir.

Uma cultura onde os jovens também tenham espaços reais para influenciar as decisões que lhes dizem respeito.

Uma cultura onde a experiência de cada unidade possa contribuir para o crescimento de todas.


E onde os “Escuteiros Anónimos” possam deixar de ser apenas uma ideia e passar a representar aquilo que todos nós, em algum momento, precisamos:

um lugar seguro para falar, ser escutados e descobrir que não estamos sozinhos.

Porque o futuro do Escutismo não se constrói apenas nos Conselhos.

Constrói-se também nas conversas de corredor, nas perguntas difíceis, nas ideias improváveis, nas experiências partilhadas e nos pequenos espaços onde alguém encontra coragem para dizer: “Tenho uma ideia. Vamos conversar?”

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

AS TRÊS JANGADAS... 

Uma expedição de cinco dias pelo coração da Albufeira

Há aventuras que se planeiam.

Há aventuras que se vivem.

E há aventuras que, depois de terminarem, continuam a viver dentro de nós.

Foi assim com a grande expedição de verão da Comunidade de Pioneiros.

Durante cinco dias, três equipas — Rainha Santa, Fernando Pessoa e Afonso Henriques — deixaram para trás a rotina, o conforto e as certezas, levando apenas aquilo que verdadeiramente importa numa aventura escutista: a mochila, as mãos para trabalhar, o coração para servir e os irmãos de caminho em quem confiar.

O destino era a Barragem de Castelo de Bode.

O ponto de partida, Foz de Alge.

Entre os dois, esperavam-nos a água, o sol, as margens da albufeira, o acampamento volante, a cozinha em campo, a vida em patrulha, a oração, o cansaço, o riso e, sobretudo, uma grande aventura.

Mas havia uma condição.

As próprias mãos teriam de construir o caminho.


O chamado da aventura

Ainda antes de a primeira jangada tocar a água, havia já uma missão para cumprir.

À frente das três equipas estavam troncos, varas, cordas e materiais que, à primeira vista, pareciam não passar de um monte desorganizado.

Mas um Pioneiro vê mais longe.

Onde outros veem madeira, ele vê uma jangada.

Onde outros veem cordas, ele vê uma construção.

Onde outros veem dificuldade, ele vê um desafio.

E foi assim que começou a construção.

A Rainha Santa reuniu-se.

A Fernando Pessoa reuniu-se.

A Afonso Henriques reuniu-se.

Cada equipa tinha o seu projeto, as suas ideias e a sua maneira de fazer.

Vieram os nós.

Vieram as amarrações.

Vieram as discussões.

Vieram os erros.

Vieram as gargalhadas.

E vieram aqueles momentos em que alguém dizia:

Isto não vai aguentar!

E outro respondia:

Vai ter de aguentar. Somos Pioneiros!

E apertava-se mais uma corda.

Mais um nó.

Mais uma amarra.

Porque no Escutismo aprendemos cedo que não é quando tudo corre bem que uma equipa mostra aquilo que vale. É quando aparece a dificuldade.

Ao fim de horas de trabalho, três jangadas começaram finalmente a ganhar forma.

E quando os últimos nós foram apertados, ninguém precisava de dizer nada.

Todos sabiam.

A aventura estava pronta para começar.


Primeiro dia — Foz de Alge

O primeiro mergulho dos remos na água pareceu quase um sinal.

A margem ficou para trás.

Foz de Alge desaparecia lentamente.

À frente estava a albufeira.

Atrás ficavam as preocupações de todos os dias.

Na água, havia apenas a equipa.

A jangada.

O remo.

E o caminho.

O acampamento volante obrigava a uma nova forma de viver.

Não havia lugar para levar tudo.

Não havia lugar para desperdícios.

Cada objeto tinha uma função.

Cada Pioneiro tinha uma responsabilidade.

Montar.

Desmontar.

Cozinhar.

Transportar.

Orientar.

Ajudar.

Servir.

E, quando o dia terminava, havia sempre o fogo.

À volta da fogueira, cansados e com as roupas marcadas pela aventura, os Pioneiros descobriam que o melhor momento do dia talvez não tivesse acontecido na água.

Acontecia ali.

Quando as vozes baixavam.

Quando alguém contava uma história.

Quando surgia uma canção.

Quando as chamas iluminavam os rostos.

E quando, por alguns minutos, ninguém tinha pressa de ir dormir.


Segundo dia — A força da patrulha

No segundo dia, o corpo começava a sentir a aventura.

Os braços já conheciam o peso dos remos.

Os pés conheciam o caminho.

As mãos conheciam as cordas.

E a cabeça começava a perceber que aquilo não seria apenas uma brincadeira.

Era preciso confiar.

Confiar naquele que remava ao nosso lado.

Confiar naquele que preparava a refeição.

Confiar naquele que ficava responsável pelo material.

Confiar naquele que, mesmo cansado, dizia:

Eu faço.

Era essa a verdadeira força da patrulha.

Ninguém fazia tudo.
Mas todos faziam alguma coisa.

E, quando todos davam o seu melhor, a equipa tornava-se maior do que a soma das suas forças.

Na cozinha de campo, cada refeição tinha outro sabor.

Talvez porque tivesse sido preparada depois de um dia inteiro de aventura.

Talvez porque tivesse sido cozinhada sobre o fogo.

Ou talvez porque, quando se está longe de casa, se descobre que uma simples refeição partilhada com a equipa pode transformar-se num banquete.


Terceiro dia — Dornes

Depois de dias de viagem, a expedição chegou a Dornes.

Mas ali o ritmo mudou.

As jangadas ficaram por momentos em silêncio.

Os remos repousaram.

As vozes abrandaram.

Era tempo de celebrar.

A comunidade reuniu-se para a Eucaristia, presidida pelo Assistente de Agrupamento e concelebrada pelo Assistente de Agrupamento de Ferreira do Zêzere.

No coração da expedição, aquela celebração teve um significado especial.

Porque também é isto ser Pioneiro.

É partir.

É descobrir.

É construir.

É servir.

Mas é também parar para agradecer Aquele que nos acompanha no caminho.

Ali, junto às águas que tinham sido companheiras de tantos quilómetros, cada Pioneiro podia olhar para trás e perceber que aquela aventura era feita de muito mais do que esforço físico.

Era uma caminhada interior.

Uma caminhada de comunidade.

Uma caminhada de fé.

E talvez tenha sido nesse momento que todos perceberam verdadeiramente que não estavam apenas a fazer uma expedição. Estavam a construir uma memória.


Quarto dia — Castanheira, Pombal e Bairradinha

A viagem continuou.

Castanheira.

Pombal.

Bairradinha.

Os nomes iam ficando gravados no mapa e, sobretudo, na memória.

A paisagem passava devagar.

O sol subia e descia.

As jangadas avançavam.

E as três equipas começaram a sentir aquilo que só quem vive uma verdadeira aventura conhece:

já não éramos três equipas separadas. Éramos uma comunidade.

Se uma jangada precisava de ajuda, as outras aproximavam-se.

Se alguém estava cansado, havia uma mão para ajudar.

Se alguém perdia o ritmo, alguém esperava.

Porque a verdadeira aventura escutista não é chegar primeiro.

É chegar juntos.


O dia das três jangadas

E chegou o momento que todos esperavam.

As três jangadas avançaram para a água.

Primeiro, a Rainha Santa.

Depois, a Fernando Pessoa.

Logo atrás, a Afonso Henriques.

Durante alguns instantes, ninguém falou.

Ouviam-se apenas os remos a tocar a água.

Depois alguém gritou:

EQUIPA!

E a resposta veio de todas as jangadas.

SEMPRE ALERTA!

E começou a descida.

Remos para a frente.

Corpo inclinado.

Olhos atentos.

Gritos de orientação.

Água a salpicar.

Risos.

E aquela sensação maravilhosa de não saber exatamente o que viria a seguir.

A jangada balançava.

Alguém gritava:

Esquerda!

Outro respondia:

Mais força!

E alguém, inevitavelmente, acabava molhado.

As três jangadas avançavam como podiam.

Não eram embarcações perfeitas.

Eram melhores.

Eram nossas.

Tinham sido construídas pelas nossas mãos.

Eram a prova de que, com madeira, corda, criatividade e espírito de equipa, um grupo de jovens consegue transformar quase nada numa verdadeira aventura.


A noite na margem

Quando o dia terminou, a água ficou finalmente tranquila.

As jangadas repousaram na margem.

As tendas foram montadas.

O jantar foi preparado.

E, depois de comer, todos se reuniram.

O céu estava escuro.

A água refletia as primeiras estrelas.

O fogo iluminava o círculo.

E durante alguns instantes ninguém queria falar da chegada.

Porque todos sabiam que o fim estava próximo.

Alguém lembrou o primeiro dia.

As primeiras amarrações.

As discussões sobre a construção.

A primeira entrada na água.

As refeições.

Os momentos de cansaço.

Dornes.

As gargalhadas.

Os tombos.

Os remos.

As três jangadas.

E houve aquele silêncio especial que aparece quando todos percebem, ao mesmo tempo, que uma coisa importante está a acabar.


Quinto dia — Castelo de Bode

Na manhã do quinto dia, desmontou-se o último acampamento.

As mochilas foram arrumadas.

As cordas recolhidas.

O material organizado.

E as três jangadas prepararam-se para o último percurso.

À frente estava a Barragem de Castelo de Bode.

O fim estava perto.

Mas ninguém tinha pressa.

Porque, naquela manhã, cada metro percorrido parecia querer ficar para sempre.

As três jangadas avançaram.

Rainha Santa.

Fernando Pessoa.

Afonso Henriques.

Três nomes.

Três equipas.

Três formas diferentes de viver a aventura.

Mas um só espírito.

Quando finalmente chegaram ao destino, houve abraços.

Risos.

Cansaço.

E aquele orgulho silencioso de quem sabe que conseguiu.

Olharam para as jangadas.

Talvez já não fossem tão bonitas como no primeiro dia.

Tinham marcas.

Tinham cordas gastas.

Tinham madeira molhada.

Tinham as cicatrizes da aventura.

Eram, por isso mesmo, ainda mais bonitas.

Porque cada marca contava uma história.


A verdadeira chegada

A expedição terminou na Barragem de Castelo de Bode.

Mas a aventura não terminou ali.

Porque uma aventura escutista não se mede pelos quilómetros percorridos.

Mede-se pelas pessoas em que nos tornamos depois de os percorrer.

Durante cinco dias, aqueles Pioneiros aprenderam a construir.

Aprenderam a confiar.

Aprenderam a servir.

Aprenderam a esperar.

Aprenderam a remar juntos.

Aprenderam a cozinhar com pouco.

Aprenderam a viver com menos.

Aprenderam que uma patrulha não abandona ninguém.

E descobriram que uma comunidade é mais forte quando cada um percebe que tem um lugar e uma missão.

Partiram de Foz de Alge como três equipas.

Passaram por Dornes, Castanheira, Pombal e Bairradinha.

Chegaram à Barragem de Castelo de Bode como uma só comunidade.

E talvez, muitos anos mais tarde, quando aqueles Pioneiros já tiverem outras responsabilidades, outras casas e outras vidas, alguém diga:

Lembras-te daquela expedição?

E bastará mencionar as três jangadas.

A Rainha Santa.

A Fernando Pessoa.

A Afonso Henriques.

E todos saberão exatamente do que se fala.

Porque há aventuras que acabam quando se desmontam as tendas.

Há outras que acabam quando se guardam os remos.

Mas há aquelas que nunca acabam.

Ficam na memória.

Ficam no coração.

Ficam na amizade.

E ficam para sempre na história de uma Comunidade.

Cinco dias.
Uma albufeira.
Três jangadas.
Três equipas.
Uma comunidade.
Uma aventura.

E, no fim, uma certeza:

“Valeu a pena partir.”