quarta-feira, 29 de julho de 2026

QUANDO TUDO TEM DE SER “SEGURO”

Nos últimos anos, o movimento escutista tem assistido ao surgimento de várias iniciativas e programas que colocam a segurança no centro da sua comunicação, como o "Movimento Seguro" e o "Acampamento Seguro", entre outras designações que procuram reforçar a importância da prevenção, proteção e responsabilidade.
Ninguém questiona a necessidade de proporcionar ambientes seguros a crianças, jovens e adultos. A segurança física, emocional e institucional deve ser um compromisso permanente de qualquer organização educativa. Nesse aspeto, não há dúvidas.
No entanto, é pertinente refletir sobre uma tendência curiosa: a necessidade crescente de rotular tudo como "seguro". Chega a um ponto em que o próprio escutismo deixa de ser, por definição, um espaço de confiança, responsabilidade e educação, passando a necessitar de um selo linguístico que o certifique.
A ironia é evidente: se continuarmos neste caminho, em breve teremos também o "Fogo Seguro", a "Promessa Segura", o "Jogo Seguro" ou até o "Lenço Seguro". E, como o humor também faz parte da pedagogia, alguém poderá acrescentar que só faltará a "Benção do Seguro", numa divertida alusão ao apelido do dirigente político português, atual Presidente da República.
Naturalmente, esta é apenas uma brincadeira. Mas, como toda a boa sátira, convida a pensar. A comunicação institucional deve inspirar confiança, mas não deve recorrer à repetição excessiva de conceitos que, por serem muito utilizados, perdem impacto.
O escutismo sempre foi uma escola de responsabilidade, autonomia e serviço. A verdadeira segurança nasce da formação dos dirigentes, da preparação das atividades, do cumprimento das regras, do exemplo dado aos jovens e da aplicação da Lei e da Promessa. Nenhum logotipo ou slogan substitui estes pilares.
Talvez o maior desafio não seja criar mais programas com a palavra "seguro", mas sim continuar a construir comunidades em que cada escuteiro se sinta verdadeiramente acolhido, protegido, respeitado e incentivado a progredir.
Afinal de contas, o melhor "seguro" continua a ser um escutismo praticado com competência, bom senso e espírito de serviço.

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