A NOSSA SEGUNDA CASA
Há um som que nunca se esquece: o das conversas alegres de crianças e jovens. Uns são leves e repletos de gargalhadas, outros são mais profundos, nos quais se partilham sonhos, dúvidas e projetos. Também há momentos de silêncio, oração e reflexão, que são, por vezes, interrompidos pelo apito do chefe, um sinal simples que todos conhecemos e respeitamos e que nos chama à concentração, ao silêncio ou ao início de mais uma aventura.
Na sede, há mochilas abertas, cordas, projetos de pioneiros por concluir, fardas penduradas, botas enlameadas e material de campo que, por vezes, está arrumado de forma exemplar e, noutras, parece contar a história da atividade que acabou de terminar. Há mesas onde se preparam jogos, imaginam projetos, se fazem esboços de construções e se aprendem a fazer nós. Há mapas abertos, canções ensaiadas e desafios lançados.
Existem os cantos de patrulha ou de equipa, pequenos mundos dentro da casa comum. São lugares quase secretos, cuidadosamente construídos e personalizados, onde cada elemento deixa um pouco de si. Antes de uma inspeção da chefia, tudo ganha um brilho especial; depois, regressa a desarrumação própria de quem vive intensamente. É aí que as amizades se fortalecem, as divergências se resolvem, as aventuras se planeiam e, tantas vezes, os trabalhos de casa que ficaram por concluir se fazem.
No entanto, a sede é muito mais do que paredes, mesas e armários. É o local onde se aprende a servir antes de ser servido, a ouvir antes de falar, a liderar com humildade e a ser liderado com confiança. É onde se descobrem talentos, se superam medos, se aprende com os erros e se celebram pequenas e grandes conquistas.
É lá que os novos elementos são recebidos com um sorriso, que nos lembramos daqueles que já partiram para outras etapas da vida e que a memória das gerações de escuteiros que por lá passaram é mantida viva. Cada fotografia na parede, cada bandeirola, cada marca deixada numa mesa ou cada recanto familiar guardam histórias que não cabem num álbum, mas que permanecem gravadas no coração de quem as viveu.
A sede é o ponto de partida e o porto de abrigo. É onde começa a expedição e onde se regressa para partilhar o que se viveu no campo. É uma escola de cidadania, serviço, fé, amizade e responsabilidade. É um local onde se cresce quase sem dar por isso, onde as crianças se tornam jovens e os jovens adultos, e onde muitos regressam anos mais tarde para ajudar outros a percorrer o mesmo caminho.
Porque a sede dos escuteiros nunca é apenas um edifício. É a nossa casa comum. É um local onde se aprende a viver em comunidade, a cuidar uns dos outros e a deixar o mundo um pouco melhor do que o encontramos. É um espaço feito de madeira e pedra, mas acima de tudo construído com sorrisos, serviço, espírito de patrulha, fé, amizade e memórias que duram para sempre.

Nenhum comentário:
Postar um comentário