TODOS, TODOS, TODOS… MAS MESMO TODOS!
O carinho que tenho pelos meus escuteiros é uma dessas coisas.
Por todos. Todos, todos, todos.
Durante grande parte da minha vida escutista, o meu caminho foi feito sobretudo com adultos. Foram muitos anos a trabalhar com dirigentes, a partilhar responsabilidades, a organizar, decidir, resolver problemas, pensar projetos e tentar, muitas vezes, fazer o melhor que sabíamos.
E gosto muito dessa parte do Escutismo. Faz parte de mim.
Mas estar mais próxima dos jovens trouxe-me uma coisa diferente. Trouxe-me outras perguntas, outros desafios e, acima de tudo, uma outra forma de olhar para o que significa ser Chefe.
Porque com eles não basta preparar uma atividade bonita ou ter tudo planeado.
É preciso estar.
Estar quando estão felizes. Estar quando estão zangados. Quando fazem barulho. Quando nos tiram do sério. Quando nos fazem rir até às lágrimas. Quando não querem participar. Quando nos surpreendem. Quando achamos que não estão a ouvir absolutamente nada… e, de repente, percebemos que afinal ouviram.
É também aprender a conhecê-los um a um.
Perceber que cada um tem o seu tempo, a sua maneira de ser, as suas inseguranças, os seus sonhos e as suas capacidades. Uns precisam de mais atenção, outros de mais espaço. Uns falam pelos cotovelos, outros dizem tudo num olhar.
E é aí que percebemos que ser Chefe é muito mais do que ensinar.
É acompanhar.
É caminhar ao lado deles durante uma pequena parte da vida. É tentar ajudá-los a crescer, sem querer escolher por eles o caminho que vão seguir.
E talvez uma das coisas mais bonitas seja vê-los mudar.
Ver aquele Lobito, Explorador, Pioneiro ou Caminheiro que chegou cheio de energia, tímido, desajeitado ou sem saber muito bem onde se encaixava… e, algum tempo depois, vê-lo mais seguro, mais autónomo, a ajudar os outros e a descobrir aquilo de que é capaz.
São pequenas coisas.
Um sorriso.
Um “Chefe, olha o que consegui fazer!”
Um abraço, tão tímido, como de inesperado.
Uma conversa no final de uma atividade.
Uma mensagem anos depois.
E são essas pequenas coisas que ficam.
Nem sempre conseguimos acompanhar todos até ao fim. Alguns seguem outros caminhos, deixam o Agrupamento, mudam de residência, crescem, fazem as suas escolhas. E é assim que deve ser.
O nosso papel nunca foi prendê-los a nós.
Foi ajudá-los a ganhar asas.
E quando partem, levamos connosco um bocadinho deles. E esperamos que eles levem também um bocadinho de nós.
Por isso, quando digo que tenho carinho pelos meus escuteiros, não é apenas uma frase bonita.
É mesmo isso.
Tenho carinho por todos. Pelos que estão. Pelos que já estiveram. Pelos que passaram rapidamente pela minha caminhada e pelos que ficaram muitos anos. Pelos fáceis e pelos difíceis. Pelos que me fizeram rir e pelos que me fizeram respirar fundo… muitas vezes.
Todos deixaram qualquer coisa.
E todos, sem exceção, fazem parte da minha história no Escutismo.
Talvez seja esta uma das maiores riquezas de ser Chefe: perceber que aquilo que damos nem sempre fica visível naquele momento. Às vezes só muitos anos depois percebemos que uma palavra, um gesto, uma atividade ou simplesmente termos estado presentes fez diferença.
E isso vale tudo.
Aos meus escuteiros, de ontem, de hoje e aos que ainda vou conhecer, no próximo, Ano Escutista que agora começa:
obrigada.
Obrigada por me desafiarem, por me ensinarem, por me fazerem crescer também.
E, sobretudo, obrigada por me deixarem caminhar convosco.
Porque, no fundo, é isso que fazemos no Escutismo.
Caminhamos juntos.
Durante um tempo.
Mas, de alguma maneira, para sempre.

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