ENTRE A CONTINUIDADE E A RUPTURA: O VALOR DO CAMINHO JÁ PERCORRIDO
TEXTO DE OPINIÃO
Na primeira fotografia de apresentação da equipa candidata à Junta Central do Corpo Nacional de Escutas para o triénio 2026–2029, reconheço a presença do atual Secretário Nacional Pedagógico. Este facto, à partida, suscita em mim uma leitura positiva e tranquilizadora: no pressuposto de que venha a manter as mesmas funções, a sua integração na equipa constitui uma garantia de continuidade do trabalho desenvolvido até ao momento.
A continuidade, muitas vezes desvalorizada, é um fator
essencial em organizações com a dimensão, a história e a missão educativa do
CNE. Projetos pedagógicos exigem tempo, acompanhamento e avaliação; não se
constroem nem se consolidam de um mandato para o outro. Por isso, a permanência
de alguém que conhece os processos em curso, os desafios enfrentados e os
resultados já alcançados pode ser determinante para evitar ruturas
desnecessárias e para assegurar uma evolução sustentada.
Infelizmente, a nossa realidade cultural demonstra que nem
sempre este princípio é respeitado. Existe uma tendência, quase instintiva,
para que cada novo elenco procure marcar a sua diferença através da rutura com
o passado, descartando — por vezes de forma injusta — tudo o que foi feito
anteriormente. Esta lógica de “deitar fora para recomeçar” nem sempre nasce de
uma avaliação crítica e fundamentada, mas antes de um desejo de afirmação
pessoal ou institucional.
Importa sublinhar que querer fazer diferente não é, por si
só, sinónimo de querer fazer melhor. A inovação é saudável e necessária, mas
deve assentar no reconhecimento do que já foi bem feito, na valorização do
trabalho anterior e na melhoria contínua, e não na simples substituição por
algo novo apenas para marcar mudança.
Assim, a presença do atual Secretário Nacional Pedagógico
pode representar mais do que uma escolha individual: pode ser um sinal de
maturidade institucional, de respeito pelo caminho percorrido e de compromisso
com um futuro construído sobre bases sólidas. No CNE, tal como na educação em
geral, a verdadeira evolução faz-se mais pela continuidade consciente do que
pela rutura precipitada.


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