quarta-feira, 16 de setembro de 2026

ESCUTISMO NA GERAÇÃO DOS GRUPOS DO WHATSAPP

Vivemos a era dos grupos de WhatsApp. No Escutismo também.


Há grupos para tudo: para organizar atividades, trocar informações, preparar reuniões, partilhar documentos, discutir ideias, comentar decisões e, naturalmente, conversar sobre pessoas. Alguns são abertos, outros restritos. Uns são verdadeiramente úteis; outros existem quase por tradição. Há grupos onde se constrói e grupos onde, simplesmente, se comenta.

A questão não está em utilizar o WhatsApp. Seria absurdo ignorar uma ferramenta que hoje faz parte da comunicação quotidiana de tantos dirigentes e jovens. A questão está naquilo que fazemos com ela.

Começa a ser preocupante quando os grupos fechados passam a funcionar como pequenas comunidades dentro da comunidade. Entra-se apenas quando se está "alinhado". As opiniões circulam entre os que pensam de forma semelhante. As discordâncias ficam à porta. E, pouco a pouco, aquilo que deveria ser um espaço de diálogo transforma-se num espaço de confirmação.

Falamos muito uns dos outros, mas nem sempre falamos uns com os outros.

É aqui que o Escutismo deve parar para pensar.

O Movimento nasceu para formar pessoas capazes de viver em comunidade, de cooperar, de servir e de respeitar quem pensa de maneira diferente. A vida escutista não pode resumir-se àqueles que concordam connosco, nem os nossos grupos podem transformar-se em espaços onde a crítica ao ausente é mais fácil do que a conversa com quem está presente.

Há uma diferença enorme entre discutir uma ideia e desvalorizar uma pessoa. Entre discordar de uma decisão e criar um ambiente de maledicência. Entre ter um grupo de trabalho e criar um grupo de "eleitos" onde se decide quem está dentro e quem fica de fora.

E talvez seja precisamente aqui que precisamos de recuperar uma velha prática escutista: escutar.

Escutar verdadeiramente.
Escutar antes de responder.
Escutar antes de julgar.
Escutar quem concorda e quem discorda.
Escutar sobretudo quem não está no nosso grupo.

Porque um Movimento feito apenas de pessoas "alinhadas" corre o risco de deixar de ser Movimento.

O WhatsApp pode aproximar-nos. Mas também pode criar bolhas. Pode facilitar a comunicação, mas também alimentar rumores. Pode ajudar a organizar, mas também transformar uma conversa informal numa espécie de tribunal permanente.

Por isso, talvez valha a pena fazer uma pergunta simples antes de escrever ou enviar uma mensagem:

Eu diria isto da mesma maneira se a pessoa de quem estou a falar estivesse aqui?

Se a resposta for não, talvez seja melhor fechar o telemóvel e abrir uma conversa.

Afinal, o Escutismo não se faz de grupos de WhatsApp.

Faz-se de pessoas.

E pessoas não se "alinham". Pessoas encontram-se, escutam-se, confrontam ideias, discordam, aprendem e crescem juntas.

Talvez esteja na hora de voltarmos a fazer isso.

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