FOGUEIRAS QUE SE APAGAM…
Algumas fogueiras apagam-se com a madrugada. Outras, porém, continuam a arder para sempre no coração daqueles que delas receberam calor.O Escutismo sobrevive graças a essas chamas invisíveis. Vive da generosidade de homens e mulheres que, sem procurar reconhecimento, dão o seu melhor para que os outros descubram o melhor que existe neles. A verdadeira grandeza do Movimento Escutista constrói-se todos os dias na simplicidade da entrega, na constância do serviço e na força do exemplo.
Nenhum uniforme se enverga sozinho. Nenhuma promessa floresce sem inspiração. Nenhum jovem encontra o seu caminho na vida sem a ajuda de um dirigente que acredita nele, que o acompanha, que o educa e que o ama, muitas vezes em silêncio.
Um dia, inevitavelmente, todos participaremos no nosso último acampamento. Será a última alvorada, o último fogo de conselho, a última oração sob um céu repleto de estrelas. Nesse momento, perceberemos que pouco importará se o campo era mais bonito, se choveu ou se fez sol, se a tenda resistiu ao vento ou se a caminhada foi mais longa.
O que verdadeiramente permanecerá serão os rostos. Os sorrisos que ajudámos a devolver. As lágrimas que enxugámos. A coragem que despertámos. Os sonhos que ajudámos a realizar. As vidas que se tornaram maiores, discretamente, porque um dia alguém decidiu caminhar ao seu lado.
Porque os escuteiros não praticam campismo. Os escuteiros acampam. E acampar é muito mais do que montar uma tenda ou acender uma fogueira. É transformar a natureza numa escola, a fraternidade num caminho e o serviço num modo de vida. É descobrir que cada trilho nos leva ao encontro dos outros e que cada desafio é uma oportunidade de crescimento.
No final, não levaremos connosco os mastros, as construções de campo, mas as fotografias das atividades. Levaremos connosco os nomes, as histórias, os abraços e a certeza de termos deixado o mundo um pouco melhor do que o encontramos, ao termos ajudado alguém a acreditar em si próprio.
Talvez esse seja o verdadeiro sentido do escutismo: compreender que a maior obra que alguma vez construiremos não será feita de madeira nem de cordas, mas sim de carácter, esperança e humanidade.
E, quando a última fogueira se apagar, outras mãos estarão prontas para a reacender. O fogo que um dirigente acende no coração de um jovem nunca se extingue, transforma-se em luz e continua a iluminar o caminho de todos os que escolhem servir, passando de geração em geração.
É essa luz, mais do que qualquer acampamento, que faz do escutismo uma escola de vida e uma extraordinária aventura de amor ao próximo.


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