segunda-feira, 6 de julho de 2026

COMO EU VEJO O ESCUTISMO… COMO SEMPRE O VI… E COMO ESPERO CONTINUAR A VÊ-LO

É assim que vejo o Escutismo, tal como sempre o vi e como espero continuar a vê-lo.

Há imagens que valem mais do que muitas palavras. Não porque mostrem feitos extraordinários, mas porque capturam a essência. Um grupo de seis exploradores reunidos à volta de uma mesa construída por eles próprios, a partilhar uma refeição, a caminhar juntos, a navegar numa jangada feita pelas suas mãos, a rezar em silêncio, a cantar em redor da fogueira do conselho ou a descobrir a história num museu. É assim que vejo o escutismo. Foi assim que o conheci. E é assim que desejo que continue.

Vivemos tempos de mudança acelerada, em que tudo parece exigir inovação constante. O Escutismo não escapa a essa pressão. Surgem novas metodologias, recursos e linguagens. Tudo isto pode ser útil, desde que nunca percamos de vista aquilo que verdadeiramente nos define: o Método Escutista, concebido por Baden-Powell.

Porque o escutismo nunca foi apenas um conjunto de atividades. Nunca foi uma sucessão de jogos ou um calendário de eventos. O escutismo é, acima de tudo, um método educativo. Um método extraordinariamente simples e, por isso mesmo, profundamente eficaz.

A patrulha continua a ser o seu coração.

É através dela que os jovens aprendem a liderar e a ser liderados. É através dela que descobre que a responsabilidade não se ensina em teoria, mas sim se vive. Percebe que servir os outros não é um gesto ocasional, mas uma forma de estar.

Ao preparar o seu canto, construir a sua mesa, organizar o seu material, cozinhar a sua refeição, partir para um trilho, enfrentar os desafios de um jogo ou construir uma jangada para atravessar um lago, a Patrulha não está apenas a executar tarefas. Está a crescer. Está a aprender a decidir, a confiar, a cooperar e a superar dificuldades.

A oração também faz parte desse crescimento. Baden-Powell nunca concebeu o Escutismo desligado da dimensão espiritual. O contacto com Deus, vivido de forma simples e natural, integrado na vida no campo e na contemplação da natureza, continua a ser um dos pilares da formação integral do indivíduo.

Depois, chega a noite.

Acende-se o fogo de conselho.

Não há ecrãs nem distrações à sua volta. Há histórias, canções, silêncio, amizade, alegria e recordações. Os jovens descobrem que pertencem a algo maior do que eles próprios. Há líderes que educam sem recorrer a discursos, mas sim através da sua presença, do seu exemplo e da confiança que inspiram.

No dia seguinte, a patrulha visita um museu, entra em contacto com outras culturas, compreende melhor o mundo e regressa mais rica. O Escutismo educa para a curiosidade, o conhecimento e a cidadania.

É esta diversidade que enriquece o nosso Movimento. O jogo, a aventura, o serviço, a técnica, a natureza, a cultura, a espiritualidade e a fraternidade não são atividades isoladas, mas sim peças de um mesmo projeto educativo.

Talvez seja precisamente isso que mais me preocupa quando vejo, por vezes, o método ser substituído pela organização, a autonomia pela centralização, a patrulha pelo grande grupo e a responsabilidade pela intervenção constante do adulto.

O escutismo nunca teve como objetivo formar jovens dependentes dos seus dirigentes. Pelo contrário. Baden-Powell idealizou um movimento em que os adultos preparassem o terreno para os próprios jovens construírem o seu caminho. Um movimento em que o Guia de Patrulha fosse um líder de facto, em que os erros fossem oportunidades de aprendizagem e em que a confiança valesse mais do que o controlo.

Naturalmente, o escutismo deve acompanhar os tempos. Deve responder às necessidades das novas gerações e tirar partido dos recursos que estas oferecem. No entanto, adaptar-se nunca poderá significar abandonar aquilo que lhe confere identidade. Modernizar não significa descaracterizar.

Continuo a acreditar que o futuro do escutismo passa precisamente por aquilo que lhe deu origem: pequenas patrulhas autónomas, vida ao ar livre, aprendizagem através da ação, responsabilidade progressiva, serviço ao próximo, formação do carácter e educação baseada na confiança.

Sempre que vejo uma patrulha a caminhar unida, a construir com as próprias mãos, a cozinhar a sua refeição, a rir durante um jogo, a rezar em conjunto ou a cantar à volta da fogueira do conselho, vejo o escutismo com que Baden-Powell sonhou.

É esse o escutismo em que acredito.

O escutismo que conheci.

O escutismo que procuro viver.

E, sobretudo, é o escutismo que espero continuar a ver durante muitos anos, fiel ao espírito do fundador, pois há princípios que não envelhecem e um método que, mais de um século depois, continua a formar homens e mulheres de carácter, cidadãos responsáveis e cristãos comprometidos.

O verdadeiro futuro do escutismo não está em reinventá-lo. Está em vivê-lo todos os dias com autenticidade e fidelidade ao legado de Lord Baden-Powell.



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