COOPERAR NÃO É PERDER. É CUMPRIR A MISSÃO
Uma atitude inteligente por parte das estruturas passa por sugerir a realização pontual de atividades conjuntas aos agrupamentos próximos que apresentem um défice de elementos nas suas unidades. Esta abordagem potencia a aplicação do Método Escutista, favorece a partilha de recursos humanos, promove a troca de experiências e contribui para o fortalecimento do movimento escutista.
Apesar das evidências, esta continua a ser uma solução encarada com demasiada reserva. Muitas vezes, opta-se por manter uma normalidade aparente, mesmo quando está claro que uma unidade não reúne as condições ideais para proporcionar uma experiência educativa completa. Preservam-se fronteiras, hábitos e tradições, mas por vezes à custa da principal preocupação: a qualidade da experiência dos jovens.
É legítimo questionar se, por vezes, estamos mais empenhados em preservar estruturas do que em concretizar a nossa missão educativa. Quando uma unidade funciona durante anos com um número reduzido de elementos, equipas educativas incompletas ou programas limitados pela escassez de recursos humanos, o problema deixa de ser circunstancial. Torna-se uma opção. E toda a opção tem consequências.
O Método Escutista assenta na aprendizagem através da ação, na vida em pequenos grupos, na progressão pessoal, no contacto com modelos positivos e na riqueza das relações humanas. Quanto mais reduzida for a dimensão da unidade, mais difícil será proporcionar estas experiências em toda a sua plenitude. Ignorar esta realidade não resolve o problema, tornando-o apenas mais permanente.
Cooperar com agrupamentos vizinhos não significa perder identidade, autonomia ou protagonismo. Significa reconhecer que a missão educativa está acima das fronteiras administrativas. Os jovens dificilmente compreenderão por que razão deixaram de viver determinadas oportunidades apenas porque os adultos não conseguiram estabelecer laços entre si.
Talvez tenha chegado o momento de substituir a questão "Como podemos manter esta unidade a funcionar?" por outra muito mais exigente: "Como podemos garantir que estes jovens vivam o melhor escutismo possível?". Tal poderá exigir mais colaboração, mais humildade e menos apego a modelos organizacionais que já não correspondem à realidade atual.
O futuro do escutismo não depende apenas da capacidade de recrutar mais elementos. Depende sobretudo da coragem para colocar a missão acima das estruturas e compreender que a cooperação não é um sinal de fraqueza. Trata-se de uma demonstração de maturidade e fidelidade aos princípios que afirmamos defender.


Nenhum comentário:
Postar um comentário