segunda-feira, 13 de julho de 2026

VIVÊNCIAS ESCUTISTAS #1

#1 – Um namoro que começou sem ninguém dar por isso
Bom dia.
Hoje começo uma coisa nova. E gostava que ela acontecesse todas as semanas. A publicar à segunda, á terça, á quarta… não sei. Só sei é que que é durante a semana.
Não para ensinar técnicas de campismo, nem para explicar os regulamentos ou falar de distintivos. Para isso já existem livros e dirigentes sabedores e experientes (eu só sou de vida…!).
Quero apenas contar histórias.
Histórias verdadeiras. Dessas que nasceram ao redor da fogueira, debaixo de uma tenda, numa caminhada que nunca mais acaba ou num daqueles momentos em que o Escutismo nos oferece muito mais do que aquilo que fomos procurar.
Porque, às vezes, um acampamento dura apenas um fim de semana... mas muda uma vida inteira.
E a primeira história é precisamente sobre isso.
Na Tribo Leonardo da Vinci havia, além de outros, dois Caminheiros.
Ela e ele.
Não vou dizer os nomes. Eles sabem quem são, e isso basta.
Durante meses foram apenas mais dois elementos da Tribo. Caminhavam juntos quando calhava, riam das mesmas parvoíces, ajudavam nas montagens, lavavam panelas quando ninguém queria e, como todos os Caminheiros, aprendiam a servir sem fazer muito barulho.
Ninguém deu importância.
Nem eles.
Mas os acampamentos têm um estranho poder. Longe da rotina, sem os ecrãs a ocupar todos os silêncios, as pessoas começam realmente a conversar.
Uma caminhada mais longa.
Uma vigília.
Uma noite passada à volta da fogueira.
Uma desmontagem feita já com o cansaço nos ossos.
Sem que ninguém percebesse muito bem quando aconteceu, começaram a procurar-se.
Primeiro para conversar.
Depois para caminhar lado a lado.
Mais tarde... porque fazia sentido.
Não foi um daqueles romances de filme.
Foi melhor.
Foi um namoro construído devagar, entre mochilas pesadas, botas enlameadas, chuva inesperada, refeições queimadas e muitos quilómetros percorridos juntos.
O Escutismo não os fez apaixonar.
Mas criou o espaço onde puderam conhecer-se de verdade.
Porque, em campo, é difícil usar máscaras.
Ali vemos as pessoas cansadas, bem-dispostas, irritadas, generosas, pacientes, distraídas, disponíveis... exatamente como são.
E talvez seja por isso que tantas amizades — e alguns amores — nascem num acampamento.
Não porque o campo seja mágico.
Mas porque nos obriga a sermos autênticos.
É essa autenticidade que fica.
E essa talvez seja uma das maiores aventuras que o Escutismo oferece.
Até para a semana.
(13,07.2026)





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