MANIFESTO PELA SIMPLICIDADE DO ESCUTISMO
Existe um risco silencioso a crescer no nosso movimento escutista: o de esquecermos o que é essencial enquanto nos ocupamos do que é secundário.Como dirigentes, não somos chamados a construir palcos, alimentar vaidades, colecionar títulos, fotografias ou protagonismos. Estamos chamados a servir. E servir no escutismo começa por uma coisa difícil: desaparecer do centro das atenções.
Defendemos sem hesitação que a simplicidade não é uma opção estética, mas sim uma exigência moral. Sempre que complicamos o que deveria ser simples, afastamo-nos dos jovens. Sempre que multiplicamos estruturas, discursos ou práticas sem sentido educativo, estamos a trair o método que dizemos seguir.
O Método Escutista não deve ser reinventado para agradar a modas ou egos. Precisa de ser vivido com verdade. O sistema de patrulhas não é uma mera formalidade. A aprendizagem através da ação não é um slogan. A progressão pessoal não é um formulário. Tudo isto perde valor quando os adultos ocupam o lugar destinado aos jovens.
Há, porém, algo mais incómodo que deve ser dito: a vaidade infiltra-se facilmente onde deveria haver serviço. Disfarça-se de zelo, exigência, "tradição" ou "modernização". No entanto, o resultado é o mesmo: o escutismo deixa de formar e começa a exibir.
Eliminemos o supérfluo, mesmo que nos proporcione conforto, estatuto ou uma sensação de importância. O supérfluo não é neutro: distrai, ocupa espaço e rouba tempo ao que realmente importa.
O dirigente escutista não é o protagonista da história. Quando o é, o escutismo já perdeu parte da sua essência.
Reafirmamos, por isso, uma opção clara e exigente: menos ego e mais serviço, menos aparências e mais formação, menos ruído e mais Método vivido.
O futuro do Escutismo não depende da nossa capacidade de o tornar mais complexo, mas sim da nossa coragem para o tornar mais verdadeiro.


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