segunda-feira, 15 de junho de 2026

CONVIDAR OU “ESPERAR SENTADO”…

A organização de grandes atividades escutistas é sempre um desafio que vai muito além da logística ou da simples distribuição de tarefas. Trata-se de um teste à maturidade do movimento, à forma como valorizamos a experiência e, sobretudo, à maneira como entendemos a responsabilidade coletiva.
Na minha opinião, insistir numa lógica em que se espera que os dirigentes se inscrevam e só depois se procure ajuda, revela uma certa ingenuidade — ou, por vezes, uma perigosa falta de visão. Embora possa parecer um modelo mais "democrático" ou aberto, na prática, arrisca-se a transformar atividades de grande escala em processos frágeis, dependentes do acaso e da disponibilidade momentânea de quem aparece.
E a verdade é esta: o escutismo não se pode dar ao luxo de depender do acaso.
Quando falamos de grandes atividades, falamos de segurança, de educação e de experiências que marcam os jovens para toda a vida. Nesses contextos, a experiência não é um pormenor, mas sim uma base estrutural. Ignorar dirigentes experientes ou colocá-los ao mesmo nível de quem ainda não tem as ferramentas necessárias para desempenhar funções críticas não é sinal de igualdade, mas sim de irresponsabilidade.
Por outro lado, é igualmente importante reconhecer que um sistema baseado apenas em convites fechados pode tornar-se injusto, repetitivo e até desgastante. Há o risco de serem sempre os mesmos a ser chamados, enquanto outros ficam à margem, com vontade de contribuir, mas sem espaço para crescer. Isso cria frustração e, aos poucos, enfraquece o movimento.
É precisamente aqui que reside a tensão mais delicada — e também mais importante.
O problema não está em convidar. O problema não é abrir inscrições. O problema é não saber distinguir quando cada abordagem deve ser utilizada. E, sobretudo, o problema é não planear com antecedência suficiente para que as coisas não dependam da sorte ou da boa vontade de última hora.
É difícil de aceitar, mas muitas vezes o improviso é vendido como flexibilidade e a falta de planeamento como confiança nas pessoas. No entanto, esta romantização do "logo se vê" acaba sempre por recair sobre os mesmos ombros: os de quem aparece, de quem resolve, de quem segura o que os outros não prepararam.
Por isso, defendo com alguma firmeza — e até com alguma preocupação — que as grandes atividades devem ser construídas com uma base clara: os dirigentes experientes devem ser convidados estrategicamente para funções essenciais, não por privilégio, mas por responsabilidade. Só depois disso faz sentido abrir espaço mais amplo à participação, garantindo que todos podem contribuir sem comprometer a qualidade ou a segurança.
No fundo, o que está em causa não é apenas uma questão de método. É uma questão de respeito: respeito pelos participantes, que merecem atividades bem preparadas; respeito pelos dirigentes, que não devem ser chamados apenas quando "já não há mais ninguém"; e respeito pelo próprio escutismo, que perde força sempre que a improvisação substitui a intenção.



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