segunda-feira, 15 de junho de 2026

"FAZ O QUE EU DIGO, NÃO FAÇAS O QUE EU FAÇO"

Por vezes, esta situação, infelizmente, começa logo com os nossos chefes de agrupamento. São eles que deveriam dar o exemplo, assumindo que a formação não é um pormenor nem uma obrigação para os outros, mas um compromisso pessoal com a associação, com o movimento escutista e com os liderados.
É difícil aceitar que aqueles que ocupam cargos de responsabilidade, escolhidos para orientar, inspirar e servir, sejam muitas vezes os primeiros a ignorar aquilo que a própria associação define como essencial. Mais difícil ainda é ver esses mesmos dirigentes exigirem dos outros o cumprimento rigoroso de normas, percursos formativos e regras que eles próprios não valorizam nem cumprem.
Isto não é apenas uma questão administrativa. É uma questão de coerência, ética e respeito. No escutismo, não se lidera apenas com palavras ou com o peso de um cargo; lidera-se com o exemplo, com entrega e com humildade. Quando essa coerência falha no topo, a mensagem que passa para toda a estrutura é perigosa: a de que há regras para uns e exceções para outros.
É aqui que o problema ganha dimensão. A falta de responsabilidade dos líderes contamina o espírito do agrupamento, desmotiva os que se esforçam para cumprir e enfraquece os valores que deveriam estar na base do nosso caminho. Não podemos exigir compromisso, dedicação e formação aos dirigentes mais novos ou aos caminheiros quando aqueles que os orientam não assumem o mesmo nível de exigência.
Se queremos um escutismo forte, credível e fiel aos seus princípios, a mudança tem de começar por aqueles que lideram. Ser chefe não é apenas ocupar um lugar, mas sim ser exemplo todos os dias.



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