Por isso, considero que uma formação de qualidade deve procurar equilibrar os três pilares — Saber, Saber Fazer e Ser — utilizando metodologias diversificadas, sejam elas presenciais, em e-learning ou em b-learning. Acima de tudo, deve proporcionar oportunidades para que os adultos aprendam através da experiência, da reflexão e da ação. Afinal, formar adultos não é apenas transmitir informação; é promover o crescimento integral da pessoa, capacitando-a para agir de forma competente, consciente e responsável nos diferentes contextos da sua vida.
INDABA - REGRESSO ÀS ORIGENS é um espaço de partilha, reflexão e reencontro com a essência do Escutismo. Dirigido a todos os Dirigentes Escutistas, este blog propõe uma viagem ao coração dos valores fundadores do movimento, inspirando-se no espírito dos primeiros acampamentos e nos ensinamentos de Baden-Powell.
domingo, 14 de junho de 2026
A IMPORTÂNCIA DO SABER, SABER FAZER E SER NA FORMAÇÃO DE ADULTOS
Quando frequentei o CAF — Curso de Formadores Adjuntos no âmbito do escutismo — uma das primeiras lições que aprendi foi que a formação de adultos deve assentar em três dimensões fundamentais: o saber, o saber-fazer e o ser. Esta abordagem marcou-me profundamente, pois reconhece que a aprendizagem não se limita à aquisição de conhecimentos, mas abrange também o desenvolvimento de competências, bem como a construção de atitudes e valores.
O saber corresponde aos conhecimentos adquiridos por cada pessoa. Constitui a base teórica que permite compreender conceitos, métodos e processos. No entanto, o conhecimento, por si só, tem um valor limitado se não for colocado em prática. É aqui que entra o saber fazer, ou seja, a capacidade de aplicar os conhecimentos em situações concretas, resolver problemas e realizar tarefas com eficácia. Por sua vez, o "Ser" refere-se à dimensão humana da formação, incluindo valores, ética, responsabilidade, capacidade de trabalhar em equipa e a forma como cada pessoa se relaciona com os outros e com a sociedade.
Atualmente, a formação de adultos pode ocorrer através de diferentes modalidades. A formação presencial, realizada em sala de aula, continua a ser importante, pois favorece a interação direta entre formador e formandos, a partilha de experiências e a construção coletiva do conhecimento. O contacto humano permite esclarecer dúvidas de imediato e criar dinâmicas de grupo que enriquecem o processo de aprendizagem.
Por outro lado, a formação à distância veio alargar significativamente as oportunidades de formação. Através das plataformas digitais, os adultos podem aprender ao seu próprio ritmo e conciliar a formação com as exigências profissionais e familiares. Esta flexibilidade é uma das grandes vantagens do ensino online, sobretudo numa sociedade em que o tempo disponível para aprender é cada vez mais escasso.
Entre estes dois modelos encontra-se o b-learning (blended learning), que combina momentos presenciais com atividades online. Na minha opinião, esta modalidade reúne muitas das vantagens dos dois sistemas, permitindo aproveitar a interação humana da formação em sala e, simultaneamente, a flexibilidade proporcionada pelas tecnologias digitais.
Contudo, independentemente da modalidade utilizada, existe um princípio pedagógico que considero essencial na formação de adultos: o aprender fazendo. Os adultos aprendem melhor quando participam ativamente no processo formativo, quando experimentam, praticam, refletem sobre as suas experiências e aplicam imediatamente os conhecimentos adquiridos. A aprendizagem torna-se mais significativa quando está ligada a situações reais e aos desafios concretos que cada pessoa enfrenta no seu contexto profissional ou pessoal.
Esta ideia está profundamente ligada ao desenvolvimento do Saber Fazer, mas também contribui para consolidar o Saber e fortalecer o Ser. Ao enfrentar situações práticas, o formando não apenas adquire competências, mas também desenvolve autonomia, confiança, espírito crítico e sentido de responsabilidade.
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