MAIS DO QUE DIVIDIR JOVENS: A VERDADEIRA ESSÊNCIA DO SISTEMA DE PATRULHAS
Apesar de o Sistema de Patrulhas ser um dos oito elementos fundamentais do Método Escutista, ainda existem Chefes ou Dirigentes que se opõem à sua aplicação, apoiando-se em argumentos totalmente contrários ao espírito do Escutismo. Um dos mais comuns é, por exemplo: “Tenho receio de dar responsabilidades aos meus Guias; prefiro fazer tudo sozinho, porque assim as coisas ficam mais rápidas e melhor executadas”.
Com esta postura, elimina-se uma das características mais
importantes e distintivas do Movimento Escutista: a formação do carácter
através da responsabilidade. O Sistema de Patrulhas é, de facto, uma verdadeira
escola de responsabilidade. A minha experiência tem demonstrado que as melhores
Unidades, aquelas que alcançam melhores resultados e garantem maior permanência
dos jovens no Movimento, são precisamente as que vivem plenamente o Sistema de
Patrulhas em todas as suas atividades.
Vale a pena recordar as palavras do Capitão Roland Philips,
incumbido pelo próprio Baden-Powell de redigir as bases originais do trabalho
em Patrulhas: “O Sistema de Patrulhas não é apenas um método para praticar Escutismo: é o
ÚNICO MEIO POSSÍVEL.”
É igualmente necessário combater um erro bastante comum:
pensar que aplicar o Sistema de Patrulhas se resume a dividir matematicamente a
Unidade em pequenos grupos. Nada mais artificial. A verdadeira Unidade nasce da
reunião e da cooperação das suas Patrulhas. É frequente ver-se, por exemplo, a
criação de uma nova Unidade com 32 jovens, logo repartidos em quatro patrulhas
de oito. Este é um dos maiores erros que se pode cometer contra o Escutismo. O
correto é começar apenas com uma Patrulha; depois, com o tempo e o crescimento
natural, formar outra, e assim sucessivamente até se chegar a três ou quatro.
Só assim a Unidade ganha identidade e personalidade, através do trabalho
coordenado das diversas patrulhas em prol de um objetivo comum.
Não há, para mim, maior alegria do que visitar uma Sede de
Escuteiros e encontrar os Cantos de Patrulha, cada um deles repleto de objetos,
trabalhos manuais, curiosidades e tantas outras coisas que refletem o
entusiasmo dos escuteiros, orientados por um Guia devidamente preparado. São
estes elementos que alimentam as tradições e o verdadeiro espírito de Patrulha.
Para que o Sistema de Patrulhas seja eficaz, é indispensável
que o Guia assuma o papel de instrutor dos seus escuteiros, acompanhando-os nas
“provas” do Sistema de Progresso e transmitindo os conhecimentos técnicos
escutistas. Para isso, cabe ao Chefe e aos instrutores da Unidade reunir-se
periodicamente com os Guias, preparando-os para a sua missão.
Da mesma forma, os temas relacionados com acampamentos,
atividades, programas, competições, bem como decisões acerca de atos meritórios
ou de faltas, devem ser confiados ao Conselho de Guias. O papel dos Chefes é
apenas o de orientar e apoiar, nunca substituir a responsabilidade que cabe aos
Guias.




















