domingo, 31 de agosto de 2025

MAIS DO QUE DIVIDIR JOVENS: A VERDADEIRA ESSÊNCIA DO SISTEMA DE PATRULHAS

Apesar de o Sistema de Patrulhas ser um dos oito elementos fundamentais do Método Escutista, ainda existem Chefes ou Dirigentes que se opõem à sua aplicação, apoiando-se em argumentos totalmente contrários ao espírito do Escutismo. Um dos mais comuns é, por exemplo: “Tenho receio de dar responsabilidades aos meus Guias; prefiro fazer tudo sozinho, porque assim as coisas ficam mais rápidas e melhor executadas”.

Com esta postura, elimina-se uma das características mais importantes e distintivas do Movimento Escutista: a formação do carácter através da responsabilidade. O Sistema de Patrulhas é, de facto, uma verdadeira escola de responsabilidade. A minha experiência tem demonstrado que as melhores Unidades, aquelas que alcançam melhores resultados e garantem maior permanência dos jovens no Movimento, são precisamente as que vivem plenamente o Sistema de Patrulhas em todas as suas atividades.

Vale a pena recordar as palavras do Capitão Roland Philips, incumbido pelo próprio Baden-Powell de redigir as bases originais do trabalho em Patrulhas: “O Sistema de Patrulhas não é apenas um método para praticar Escutismo: é o ÚNICO MEIO POSSÍVEL.”

É igualmente necessário combater um erro bastante comum: pensar que aplicar o Sistema de Patrulhas se resume a dividir matematicamente a Unidade em pequenos grupos. Nada mais artificial. A verdadeira Unidade nasce da reunião e da cooperação das suas Patrulhas. É frequente ver-se, por exemplo, a criação de uma nova Unidade com 32 jovens, logo repartidos em quatro patrulhas de oito. Este é um dos maiores erros que se pode cometer contra o Escutismo. O correto é começar apenas com uma Patrulha; depois, com o tempo e o crescimento natural, formar outra, e assim sucessivamente até se chegar a três ou quatro. Só assim a Unidade ganha identidade e personalidade, através do trabalho coordenado das diversas patrulhas em prol de um objetivo comum.

Não há, para mim, maior alegria do que visitar uma Sede de Escuteiros e encontrar os Cantos de Patrulha, cada um deles repleto de objetos, trabalhos manuais, curiosidades e tantas outras coisas que refletem o entusiasmo dos escuteiros, orientados por um Guia devidamente preparado. São estes elementos que alimentam as tradições e o verdadeiro espírito de Patrulha.

Para que o Sistema de Patrulhas seja eficaz, é indispensável que o Guia assuma o papel de instrutor dos seus escuteiros, acompanhando-os nas “provas” do Sistema de Progresso e transmitindo os conhecimentos técnicos escutistas. Para isso, cabe ao Chefe e aos instrutores da Unidade reunir-se periodicamente com os Guias, preparando-os para a sua missão.

Da mesma forma, os temas relacionados com acampamentos, atividades, programas, competições, bem como decisões acerca de atos meritórios ou de faltas, devem ser confiados ao Conselho de Guias. O papel dos Chefes é apenas o de orientar e apoiar, nunca substituir a responsabilidade que cabe aos Guias.

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