domingo, 31 de agosto de 2025

OS LOBITOS OU «WOLF CUBS»

(…) Avançam em fila, leves como sombras, sobre as pontas dos pés – a passo de lobo. A certa altura, a linha dobra-se, descreve uma curva, fecha-se num círculo em torno do chefe da alcateia. De repente, tudo pára. O silêncio suspende o movimento. Os mais pequenos agacham-se sobre os calcanhares, as mãos pousadas na terra, e então ecoa um uivo prolongado, ritmado em cada sílaba: «Á-Ké-Lá! Da melhor vontade».

As palavras extinguem-se e, num instante, reina uma quietude densa, quase sagrada. Eis que, num salto súbito, todos se erguem de pé. As mãos levantam-se à altura da cabeça; dois dedos afastados em cada uma delas transformam-se em orelhas de lobo. Firmes, direitos, imóveis – assim saúdam o seu chefe, Akela. (Pronuncia-se Áquélá – embora se encontrem diversas variantes, adoptámos esta forma).

Não entendeu? Então abra o Livro da Selva, de Kipling. Lá encontrará Mogli, o rapazinho salvo da morte pelas presas de um tigre, acolhido pela mãe loba e criado entre lobinhos. A partir dessas páginas, compreenderá a razão deste nome estranho e desta encenação que, a um olhar adulto, poderá parecer pueril ou até grotesca, mas que às crianças oferece pura alegria, sem reservas nem disfarces. É nesse jogo inocente, nessa imaginação que se torna rito, que repousa a verdadeira originalidade da descoberta de Sir Robert Baden-Powell (…)

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