terça-feira, 26 de agosto de 2025

PARA ONDE VÃO OS NOSSOS SILÊNCIOS QUANDO DEIXAMOS DE DIZER O QUE SENTIMOS?

No movimento escutista, especialmente entre os adultos, dirigentes, o silêncio pode ter vários destinos. Nem sempre o que deixamos por dizer desaparece: muitas vezes transforma-se em barreira, em mal-entendido ou em peso que carregamos em silêncio. Outras vezes, esse mesmo silêncio pode ser espaço de escuta, de respeito ou até de contemplação.

Entre dirigentes, a comunicação é um pilar fundamental. O projeto educativo escutista exige que exista confiança e partilha — de ideias, de preocupações, de sonhos e também de dificuldades. Quando um dirigente opta pelo silêncio, podem acontecer dois caminhos:

O silêncio que constrói: é o silêncio da escuta ativa, da humildade em deixar o outro falar, ou da oração partilhada em comunidade. Esse silêncio cria espaço e fortalece relações.

O silêncio que divide: é o silêncio que nasce do receio de magoar, do orgulho ou da falta de coragem para expor sentimentos. Este silêncio acumula-se e, mais tarde, pode resultar em conflitos ou afastamentos.

O desafio, portanto, é cultivar uma cultura de confiança, onde os dirigentes consigam transformar os silêncios em palavras construtivas, ditas no momento certo. No fundo, “para onde vão os nossos silêncios” depende de como escolhemos lidar com eles: ou os guardamos, arriscando que se tornem barreiras, ou os partilhamos, transformando-os em pontes de compreensão e unidade.

Em contexto escutista, este tema é particularmente relevante, pois a missão do dirigente é servir e testemunhar. Se o silêncio se transforma em falta de comunicação, a equipa fragiliza-se. Se, pelo contrário, se transforma em espaço de escuta e depois em diálogo, então fortalece a fraternidade e a vivência comunitária.

Assim, talvez a resposta seja esta: os nossos silêncios vão para dentro de nós — mas é nossa responsabilidade decidir se os deixamos apodrecer em ressentimento ou florescer em comunhão.


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