E QUANDO ESQUECEMOS O “CONTEÚDO” DA ORAÇÃO DO ESCUTA!
“Senhor Jesus
Ensinai-me a ser generoso,
A servir-Vos como Vós o mereceis,
A dar-me sem medida,
A combater sem cuidar das feridas,
A trabalhar sem procurar descanso,
A gastar-me sem esperar outra recompensa,
Senão saber que faço a Vossa vontade santa,
Ámen”.
Talvez algo se tenha perdido pelo caminho... ou talvez não se tenha perdido, mas sim sido esquecido, lentamente, entre reuniões, agendas cheias e rotinas vazias de sentido.
A oração do escuta não é apenas um conjunto de palavras
bonitas para recitar em momentos formais. É um compromisso. É um espelho
exigente. É quase um incómodo, pois obriga-nos a olhar para dentro e a
questionar: "Estou mesmo a viver isto?"
"Dar-me sem medida"... mas medimos tudo. O tempo,
o esforço, a disponibilidade.
"Servir sem procurar recompensa" ... mas tantas
vezes esperamos reconhecimento, validação, um simples "obrigado" que,
quando não vem, pesa mais do que devia.
"Trabalhar sem procurar descanso" ... mas estamos
sempre cansados, não de um trabalho verdadeiro, mas de uma azáfama que pouco
tem a ver com a nossa missão.
Talvez o problema não esteja nas palavras. A oração continua
tão forte como sempre. O problema está em nós, que aprendemos a recitá-la sem a
interiorizar. Tornou-se hábito, deixou de ser um desafio.
E, no entanto, o escutismo não nasceu para ser cómodo. Nunca
se tratou de fazer o mínimo. Nunca foi sobre cumprir calendários. Foi — e devia
continuar a ser — sobre entrega, exemplo e coerência.
Custa admiti-lo, mas há momentos em que parece que nos
afastamos daquilo a que nos comprometemos. Não por maldade, mas por distração.
Por cansaço. Por nos acomodarmos.
Porém, talvez este desconforto seja necessário. Talvez seja
precisamente este incómodo que nos pode acordar.
Porque a verdade é simples e difícil ao mesmo tempo: ou
deixamos que estas palavras nos transformem, ou continuamos apenas a
repeti-las, vazias de significado.
E isso, no fundo, é o que mais dói.


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