terça-feira, 22 de setembro de 2026

QUANDO O DIRIGENTE TAMBÉM DIZ: "NÃO SEI"

“Enganei-me.”
“Preciso de ajuda.”
“Não tenho todas as respostas.”

Serão estas frases compatíveis com o papel de um dirigente escutista?

Durante muito tempo, talvez tenhamos associado liderança à ideia de segurança absoluta: o dirigente que sabe o que fazer, que tem sempre uma resposta pronta, que consegue resolver qualquer problema e que nunca demonstra dúvidas. Mas será realmente isso que os nossos jovens precisam de encontrar em nós?

Um dirigente não é alguém que sabe tudo. É alguém que acompanha, aprende, orienta e cresce com os outros.

Reconhecer um erro não nos torna menos dirigentes. Pedir ajuda não significa falta de capacidade. Admitir que não sabemos pode, muitas vezes, ser o primeiro passo para encontrarmos juntos uma resposta.

A coragem de mostrar vulnerabilidade

Mostrar vulnerabilidade exige coragem. Significa deixar cair, ainda que por momentos, a imagem de quem tem sempre tudo sob controlo.

Quando um dirigente consegue dizer “enganei-me”, transmite uma mensagem poderosa: errar faz parte do caminho e assumir a responsabilidade é uma forma de crescer.

Quando diz “preciso de ajuda”, mostra que ninguém caminha sozinho — uma ideia profundamente ligada ao espírito escutista.

E quando admite “não tenho todas as respostas”, abre espaço para que outros pensem, contribuam e descubram soluções.

É precisamente aí que a liderança pode ganhar uma dimensão diferente: em vez de estar centrada em ter todas as respostas, passa a estar centrada em criar condições para que todos possam participar na procura das respostas.

O exemplo que ensinamos sem palavras

No Escutismo, educamos sobretudo através do exemplo.

Se queremos que os nossos jovens tenham coragem para experimentar, precisamos de lhes mostrar que também podemos experimentar. Se queremos que aceitem os seus erros, temos de ser capazes de reconhecer os nossos. Se queremos que peçam ajuda quando precisam, talvez seja importante que nos vejam fazer o mesmo.

Um jovem que vê o seu dirigente dizer “não sei, vamos descobrir” aprende algo que nenhum discurso consegue ensinar da mesma forma: não é preciso saber tudo para continuar a avançar.

E talvez seja esta uma das formas mais bonitas de exercer liderança: não estar sempre à frente com todas as respostas, mas, por vezes, caminhar ao lado, fazer perguntas e descobrir em conjunto.

Vulnerabilidade não é fraqueza

Ser vulnerável não significa deixar de assumir responsabilidades, evitar decisões ou transferir os problemas para os outros.

Significa reconhecer os próprios limites sem deixar de procurar soluções.

Um dirigente pode dizer “não sei” e, logo depois, acrescentar:

“Mas vou procurar saber.”

Pode dizer:

“Enganei-me, e vou corrigir.”

Ou simplesmente:

“Preciso de ajuda. Quem me acompanha?”

Estas frases não diminuem a liderança. Podem torná-la mais humana, mais próxima e mais confiável.

Porque, no final, talvez os nossos jovens não precisem de dirigentes perfeitos.

Precisam de adultos verdadeiros, capazes de aprender, reconhecer erros, pedir ajuda, escutar e continuar a crescer.

E talvez um dos maiores gestos de confiança que podemos oferecer a uma equipa seja precisamente este:

ter a coragem de dizer “não tenho todas as respostas”.

Porque liderar também é aprender. E, no Escutismo, ninguém cresce sozinho.

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