CORREÇÃO TAMBÉM É EDUCAÇÃO: VALOR DE APRENDER COM OS
ERROS NO ESCUTISMO
No Escutismo, cometer erros, receber correções e tentar
novamente fazem parte do processo de crescimento. Mais do que ensinar
"técnicas escutistas" ou cumprir regras, educar significa ajudar cada
jovem a tornar-se mais responsável, autónomo e preparado para a vida.
Vivemos numa época em que muitas vezes existe a preocupação
de evitar que as crianças e os adolescentes enfrentem qualquer tipo de
frustração. Queremos protegê-los, facilitar-lhes o caminho e evitar que se
sintam desconfortáveis. Esta preocupação nasce do carinho, mas pode
retirar-lhes oportunidades importantes de aprendizagem.
No Escutismo, encontramos precisamente o espaço para
trabalhar o oposto: não a frustração em si, mas a capacidade de a enfrentar,
compreender e superar.
Uma atividade não corre como previsto. Uma patrulha perde um
jogo. Um elemento esquece uma tarefa. Uma regra não é cumprida. Uma decisão do
dirigente não é do agrado de todos. São situações simples, mas com um grande
potencial educativo.
A correção é uma oportunidade de crescimento.
A correção não tem de ser uma repreensão. Quando feita com
respeito, clareza e intenção educativa, pode ser uma das formas mais
importantes de ajudar um jovem a crescer.
Corrigir significa dizer: "Há algo que podes fazer
melhor e acredito que és capaz de o fazer."
O objetivo não deve ser envergonhar o jovem perante os
outros, mas sim ajudá-lo a compreender o que aconteceu, a assumir a sua
responsabilidade e a encontrar uma forma melhor de agir.
No Escutismo, isto está profundamente ligado ao
desenvolvimento pessoal. Os jovens aprendem através da prática, da
experimentação, dos erros e da tentativa e erro. A correção faz parte desse
processo.
Nem sempre ganhar é o mais importante.
Os jogos e desafios escutistas são excelentes exemplos
disso. Nem todas as patrulhas vão ganhar. Nem todos os elementos terão sempre a
melhor ideia. Nem todas as atividades serão um sucesso.
E isso é bom.
A derrota pode ensinar-nos a lidar com a frustração. A
espera pode ensinar paciência. Aceitar uma decisão pode ensinar-nos respeito.
Reconhecer um erro pode ensinar humildade. Pedir desculpa pode ensinar
responsabilidade.
Tentar novamente pode ensinar perseverança.
São aprendizagens que dificilmente se desenvolvem quando
procuramos retirar constantemente todos os obstáculos do nosso caminho.
Os limites também são uma forma de cuidado.
Estabelecer limites não significa ser menos acolhedor ou
menos próximo dos jovens. Pelo contrário. Um ambiente educativo saudável
precisa de regras claras, coerentes e compreensíveis.
Quando um jovem sabe o que se espera dele, compreende que as
suas ações têm consequências e que há adultos que aplicam as regras com
justiça, está a aprender algo fundamental: viver em comunidade implica
responsabilidade.
No Escutismo, ninguém está sozinho. A vida em patrulha
mostra diariamente que as nossas escolhas afetam os outros. Se alguém não
cumprir a sua tarefa, outra pessoa poderá ter de assumir esse trabalho. Se
alguém não respeitar uma regra de segurança, poderá pôr os outros em risco. Se
alguém não souber ouvir, dificultará a cooperação do grupo.
É precisamente através destas pequenas experiências que se
constrói a responsabilidade.
A correção deve preservar a dignidade.
Defender a importância da correção não significa defender
qualquer forma de a aplicar.
Humilhar, gritar, ridicularizar ou expor um jovem perante o
grupo não constituem estratégias educativas. Uma correção eficaz deve preservar
a dignidade da pessoa e concentrar-se no comportamento a melhorar.
É possível ser-se firme sem ser-se agressivo. É possível
estabelecer limites sem deixar de demonstrar afeto. Podemos dizer
"não" e, ao mesmo tempo, transmitir: "Continuo a acreditar em
ti."
Esta combinação de exigência e cuidado é essencial no
trabalho educativo do escutismo.
O objetivo é preparar para a vida, não apenas para a
próxima atividade.
O valor de uma experiência escutista não reside apenas no
que acontece durante a atividade. Está no que o jovem leva consigo quando
regressa a casa.
Saber ouvir uma correção aos 10, 12 ou 15 anos pode ajudar,
mais tarde, a aceitar uma crítica construtiva na escola ou no trabalho.
Da mesma forma, aprender a lidar com uma derrota pode ajudar
a enfrentar uma oportunidade perdida.
Assumir uma responsabilidade na patrulha pode contribuir
para que, no futuro, se torne um adulto mais comprometido com a sua comunidade.
Compreender que os erros podem ser corrigidos ajuda a
desenvolver uma atitude fundamental: não precisamos de ser perfeitos, mas
precisamos de assumir a responsabilidade pelas nossas ações e de estar
dispostos a melhorar.
Educar é acompanhar o caminho.
O papel do dirigente não é retirar todas as dificuldades do
caminho do jovem. Pelo contrário, deve criar condições para que este possa
enfrentá-las com segurança, apoio e orientação.
Por vezes, educar significa incentivar. Outras vezes, será
ouvir.
Noutras, será deixar o jovem tentar sozinho. Haverá também
momentos em que será necessário corrigir, estabelecer um limite ou dizer
simplesmente: "Assim não. Vamos pensar numa maneira melhor de
fazer."
É neste equilíbrio que o Escutismo revela uma das suas
maiores forças: proporcionar aos jovens experiências reais de responsabilidade,
convivência, superação e crescimento.
Porque educar não é evitar todos os erros.
Trata-se de ajudar cada jovem a aprender com os seus
erros, a levantar-se depois de uma queda e a continuar o seu caminho um pouco
mais preparado do que estava antes.
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