quarta-feira, 1 de julho de 2026

ATINGIMOS TODOS OS OBJECTIVOS?

A verdade é que sim. E não.
Há crianças e jovens que, pela primeira vez, chegaram ao escutismo de mão dada com os pais ou amigos, os olhos cheios de curiosidade e o coração apertado pelo medo do desconhecido.
E hoje?
Hoje, correm para a sede, para o campo, para a aventura, tal como se corressem para casa.
Há quem tenha chegado sem conhecer ninguém e, pelo caminho, tenha encontrado amigos, e talvez o(a) futuro(a) companheiro(a), irmãos de caminhada e memórias para toda a vida.
Aprenderam a esperar, a ouvir, a partilhar, a pedir desculpa e a compreender que crescer é também saber viver com os outros.
Há quem tenha descoberto que é mais forte do que pensava.
Que consegue ir mais longe, subir mais alto, enfrentar o frio, a chuva, a saudade e até os próprios medos.
Que consegue falhar e tentar de novo.
Aprendeu a montar uma tenda.
A carregar a mochila.
A cuidar do material.
A viver com muito menos e a dar mais valor.
No meio de tudo isto, aprendeu coisas ainda mais importantes.
Aprendeu a confiar.
A ter coragem.
A perder sem desistir.
A esperar.
A cuidar.
A servir.
E a descobrir que ser escuteiro não se resume a usar um uniforme.
Claro que ainda há objetivos a atingir.
Continuamos a tentar convencer alguns de que lavar a louça no campo não é um castigo.
Ainda explicamos que arrumar a mochila faz parte da aventura.
E continuamos sem perceber por que razão desaparecem sempre meias, lanternas ou cantis.
Mas esses são pormenores.
Porque há aprendizagens que não se encaixam em planos, objetivos ou avaliações... ou "cartões de progresso".
Aquelas que não se vêem de imediato.
A coragem que nasce devagar.
E a verdade é esta:
No escutismo, ninguém evolui de acordo com um calendário de atividades.
Ninguém chega ao fim do ano escutista e afirma: "Pronto, já aprendi tudo."
Crescer leva tempo.
Há sementes que demoram muito tempo escondidas antes de florescerem.
Por isso, nunca avaliamos um ano escutista apenas com base nas metas alcançadas.
Avaliamo-lo pelos abraços, pelas quedas, pelos sorrisos, pelas lágrimas e pelas pequenas conquistas que, um dia, se tornarão gigantes.
E, sobretudo, pelas sementes, que nós dirigentes lançámos.
Muitas vezes, aquilo que hoje parece não ter acontecido é exatamente o que amanhã fará toda a diferença.



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