UMA TAREFA SIMPLES, UMA GRANDE OPORTUNIDADE EDUCATIVA
Porque é que, numa tarefa tão simples como arrumar o salão paroquial, pedimos um ou dois elementos por patrulha em vez de desafiar uma patrulha completa?
À primeira vista, esta pode parecer uma questão meramente
organizativa. Afinal de contas, se precisamos de duas ou três pessoas para
realizar um serviço específico, porque havemos de mobilizar uma patrulha
inteira?
No entanto, no Escutismo, uma tarefa nunca deveria ser
apenas uma tarefa. Cada momento pode ser uma oportunidade educativa.
Ao pedirmos apenas um ou dois elementos de cada patrulha
para realizar um serviço, estamos, na verdade, à procura de pessoas disponíveis
para executar uma função específica. O trabalho será, provavelmente, realizado
de forma rápida e eficiente. No entanto, perdemos uma oportunidade importante:
a de permitir que a patrulha, enquanto equipa, seja responsável por uma missão.
A patrulha enquanto unidade educativa
A patrulha não é apenas um grupo de jovens que trabalha
ocasionalmente em conjunto. É uma pequena equipa em que cada elemento tem um
papel e responsabilidades, bem como a possibilidade de contribuir para um
objetivo comum.
São precisamente os desafios concretos que desenvolvem o
espírito de patrulha, a autonomia, a liderança, a capacidade de organização e a
responsabilidade coletiva.
Por exemplo, imagine que é atribuída a uma patrulha a tarefa
de deixar o salão paroquial devidamente arrumado.
O desafio já não se resume a "arrumar cadeiras e
mesas". A patrulha terá de compreender o que é necessário fazer,
distribuir tarefas, decidir como se organizar, verificar o trabalho realizado e
garantir que não há nada por fazer.
O guia poderá coordenar a equipa. O subguia poderá assumir
determinadas responsabilidades. Cada elemento terá uma função específica. No
final, o resultado será da patrulha.
É precisamente aí que está o valor educativo.
E se algo correr mal?
Aqui também existe uma oportunidade de aprendizagem.
Se a patrulha não se organizou bem, se as tarefas não foram
distribuídas adequadamente ou se algo ficou por fazer, é necessário refletir
sobre o que aconteceu. Assim, na próxima oportunidade, poderá fazer melhor.
Uma patrulha que aprende a trabalhar de forma autónoma não é
criada com instruções constantes dos adultos. É construída através de
oportunidades reais para decidir, experimentar, errar, corrigir e tentar
novamente.
Ao retirarmos sistematicamente elementos das patrulhas para
formar pequenos grupos de trabalho, podemos conseguir uma maior eficiência a
curto prazo, mas corremos o risco de enfraquecer a patrulha enquanto espaço de
aprendizagem.
Eficiência ou educação?
Esta é talvez a questão fundamental.
Queremos apenas que o salão fique arrumado? Ou queremos
aproveitar a ocasião para formar jovens capazes de assumir responsabilidades,
trabalhar em equipa e tomar decisões?
Naturalmente, nem todas as tarefas justificam a mobilização
de uma patrulha completa. Há serviços que, devido à sua dimensão ou natureza,
podem exigir apenas uma ou duas pessoas. O objetivo não é transformar qualquer
pequena tarefa numa grande operação.
A questão é outra: quando temos liberdade para escolher a
forma de organizar uma atividade, devemos pensar primeiro no que é mais
eficiente ou no que é mais educativo?
No Escutismo, a resposta não deveria ser difícil.
Dar responsabilidade para criar autonomia.
A autonomia não se ensina apenas explicando aos jovens o que
significa serem autónomos. É necessário dar-lhes espaço para o serem.
A responsabilidade também não se desenvolve apenas com
discursos. É necessário confiar-lhes responsabilidades reais.
O espírito de patrulha não se constrói apenas com jogos ou
atividades preparadas especificamente para esse efeito. Constrói-se quando
uma patrulha recebe uma missão e compreende que depende dela para a cumprir.
Por conseguinte, da próxima vez que surgir uma tarefa
aparentemente simples, como arrumar um espaço, preparar uma sala, organizar
material ou apoiar uma atividade, talvez seja útil fazer perguntas diferentes:
"Quem é necessário para realizar esta tarefa?" e "Que
oportunidade educativa podemos criar com esta tarefa?".
No Escutismo, até uma tarefa de arrumação simples pode ser
muito mais do que isso.
Pode ser uma oportunidade para a patrulha exercer as suas
funções.

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