segunda-feira, 17 de agosto de 2026

# 5 - A maldição do "só mais cinco minutos"

Há uma frase que arruinou mais fins de semana de dirigentes escutistas do que a chuva, a lama e os mosquitos juntos.
— É só cinco minutos.
Quem a diz acredita sinceramente nela. Quem a ouve também. O problema é que, no escutismo, "cinco minutos" constituem uma unidade de tempo completamente independente do Sistema Internacional de Unidades.
Tudo começa de forma inocente.
— Chegas um pouco mais cedo? É só para descarregar a carrinha.
— Claro. Cinco minutos.
Uma hora depois, já tínhamos descarregado mesas, bancos, panelas, tendas, varas e troncos, material de cozinha, cordas suficientes para amarrar um navio de cruzeiro, bem como uma caixa misteriosa cujo conteúdo é desconhecido, mas que acompanha o agrupamento desde 1998 por uma questão de superstição.
Ainda nem começou a atividade e já estamos a transpirar como se tivéssemos atravessado o Saara a pé.
Depois vem outra.
Outra mentira piedosa.
Porque montar o campo nunca é só montar o campo. É descobrir que faltam estacas, que afinal estão na outra carrinha, que esta ficou na sede, que alguém trouxe o toldo errado e que a previsão de "céu limpo" foi claramente feita por um meteorologista com sentido de humor.
Entretanto, aparecem as crianças.
Cheios de energia.
Cheios de perguntas.
Com aquela capacidade inesgotável de aparecerem precisamente quando estamos a transportar o objeto mais pesado possível.
— Chefe, posso fazer uma pergunta?
— Podias.
Mas preferia que fosse depois de eu pousar este tronco, que pesa mais do que o meu futuro.
Ao longo do dia, a expressão continua a perseguir-nos.
— É só acender o fogo.
— É só preparar o jantar.
— É só fazer um jogo.
— É só desmontar aquilo.
Pequena.
Outra palavra cujo significado desaparece assim que se entra num acampamento.
Uma reunião de chefia começa às nove da noite.
Às dez, ainda se discute o programa.
Às onze, alguém se lembra de uma questão administrativa.
À meia-noite, surge o tema dos transportes.
À uma da manhã, já estamos a discutir a atividade de Natal do próximo ano, quando alguém sugere que talvez fosse boa ideia rever todo o projeto educativo.
Tudo isto enquanto metade da equipa boceja discretamente e a outra metade já adormeceu.
No entanto, ninguém tem coragem de dizer que quer ir dormir.
Porque há sempre aquele dirigente veterano que afirma, com uma serenidade irritante:
— Aproveitamos agora que estamos todos juntos.
A frase parece sensata.
Na prática, significa apenas que ninguém verá uma almofada antes das duas da manhã.
No dia seguinte, acordamos ao primeiro toque.
Não porque sejamos disciplinados.
Mas porque todas as articulações decidiram fazer a sua própria reunião e nenhuma chegou a consenso sobre qual dói mais.
Mesmo assim, lá seguimos, com café numa mão.
Com café numa mão.
A caneca na outra.
E esperança no olhar.
Ao longo do dia, repetimos o mesmo ritual.
Sempre que alguém pergunta quem é que trata de determinada tarefa, a resposta é automática:
— Eu faço.
Não porque sejamos os mais competentes.
É porque temos uma estranha incapacidade de ficar quietos enquanto vemos trabalho por fazer.
É uma espécie de reflexo condicionado.
Quase pavloviano.
Vemos uma corda no chão e sentimos a necessidade de lhe fazer um nó.
Vemos um tronco e imaginamos um pórtico.
Vemos uma mesa torta e já estamos à procura de sisal.
Finalmente, chega a hora de regressar.
As crianças despedem-se, felizes.
Os pais agradecem.
A carrinha regressa misteriosamente mais cheia do que quando partiu.
E nós regressamos convencidos de que, desta vez, vamos finalmente descansar.
Mentira.
Ainda falta descarregar tudo.
Limpar o material.
Separar o que ficou molhado.
Há que responder às mensagens que chegaram durante o fim de semana.
E há ainda que descobrir quem levou para casa, por engano, a panela da cozinha.
Na segunda-feira, alguém pergunta no trabalho:
— Então? Como foi o fim de semana?
E nós respondemos, sem hesitar:
— Foi tranquilo.
É talvez a maior mentira alguma vez contada por um dirigente escutista.
Porque, no fundo, todos sabemos que nada no escutismo demora apenas cinco minutos.
Exceto o tempo que decorre entre anunciarmos que este foi o último acampamento antes de um período de descanso e aceitarmos organizar o seguinte.
E, estranhamente, continuamos a aparecer.
Porque o problema nunca foi o tempo.
O problema é que, no escutismo, aprendemos a medir a vida em memórias, gargalhadas e histórias para contar.
Mesmo que cada uma delas tenha começado com a frase mais enganadora de sempre: "É só cinco minutos."

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