QUANDO OS DEDOS SE UNEM
Repara que nenhum dedo tem o mesmo comprimento. O polegar é curto e robusto, o indicador aponta o caminho, o dedo médio destaca-se pela sua altura, o anelar sustenta símbolos de compromisso e o dedo mindinho, apesar de ser o mais pequeno, é indispensável para a força e o equilíbrio da mão.
À primeira vista, as diferenças são evidentes. No entanto, quando fechamos a mão, algo de extraordinário acontece: todos os dedos alinham-se em direção ao mesmo centro. Cada dedo ocupa o seu lugar e contribui com aquilo que é e, juntos, formam uma estrutura capaz de criar, proteger, construir e servir.
Talvez esta seja uma das mais belas lições da natureza para os dirigentes escutistas.
No Escutismo, também somos diferentes. Temos histórias distintas, profissões variadas, sensibilidades diversas, estilos de liderança próprios e experiências que nos moldaram ao longo dos anos. Uns têm facilidade em planear, enquanto outros inspiram pelo exemplo. Uns organizam com rigor, outros escutam com empatia, outros ensinam técnicas, outros acompanham discretamente e outros motivam nos momentos mais difíceis.
Seria um erro esperar que todos fossem iguais.
A riqueza de um agrupamento nunca esteve na uniformidade, mas sim na complementaridade. Tal como uma mão precisa de todos os dedos para cumprir a sua função plenamente, uma equipa de adultos precisa de talentos diversos para educar melhor as crianças e os jovens que lhe são confiados.
O verdadeiro desafio não é eliminar as diferenças. É fazer com que caminhem todos na mesma direção.
Quando há um propósito comum, as diferenças deixam de ser obstáculos e transformam-se em recursos. Quando a missão é clara, os egos dão lugar ao serviço. Quando as decisões são orientadas pela Lei e pela Promessa Escutistas, a confiança supera as divergências e a cooperação vence a competição.
Uma mão aberta mostra a singularidade de cada dedo. Uma mão fechada mostra a força da unidade.
Talvez esta seja a imagem de que mais precisamos nos dias de hoje. Num mundo em que é fácil separar, criticar ou competir, o Escutismo continua a lembrar-nos que a educação é uma obra coletiva. Nenhum dirigente consegue transformar a vida de um jovem sozinho. São as comunidades educativas, unidas pelos mesmos valores, que deixam marcas duradouras.
Por isso, devemos ser como os dedos da mão: diferentes, mas pertencentes; únicos, mas humildes; diversos, mas unidos pela nossa missão.
A força do Escutismo nunca esteve em dirigentes iguais. Está sempre em adultos diferentes que escolheram caminhar lado a lado, unidos pelo mesmo ideal de servir.
E, quando isso acontece, nenhuma diferença enfraquece a equipa. Pelo contrário, é precisamente isso que lhes dá força para continuarem a construir um mundo melhor, um jovem de cada vez.


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