O SOM DAS ÁGUAS E AS PEDRAS DO CAMINHO
Esta imagem simples encerra uma verdade profunda sobre o escutismo e, em particular, sobre a missão daqueles que aceitam ser dirigentes.
À primeira vista, as pedras parecem obstáculos. Interrompem o curso da água, desviam-na e obrigam-na a encontrar novos caminhos. No entanto, é precisamente este encontro que cria o murmúrio do ribeiro, a melodia da natureza e a beleza do seu percurso. Sem as pedras, a água correria em silêncio, talvez mais depressa, mas certamente de forma menos inspiradora.
A caminhada de um dirigente escutista também está repleta de "pedras". São os desafios de conciliar a vida familiar, profissional e escutista, as preocupações com a segurança e o bem-estar dos jovens, a preparação das atividades, a responsabilidade de educar pelo exemplo, os momentos de dúvida, cansaço e incompreensão.
Cada um destes desafios pode ser encarado como um obstáculo ou como uma oportunidade de crescimento. Afinal, é através das dificuldades que a liderança se fortalece, a paciência se desenvolve, a capacidade de escutar se aprende e o espírito de serviço se consolida. Um dirigente não se forma apenas com ações de formação ou experiência. Forma-se sobretudo na forma como enfrenta os pequenos e grandes obstáculos que encontra ao longo do seu percurso.
Os jovens observam-nos mais do que imaginamos. Aprendem com a nossa coerência, com a nossa capacidade de manter a serenidade perante a adversidade e com a alegria que demonstramos ao servir, mesmo quando o caminho se torna mais difícil. Cada dificuldade superada transforma-se numa lição silenciosa, mas profundamente educativa.
O fundador do escutismo, Baden-Powell, lembrava-nos de que o verdadeiro sucesso está em deixar o mundo um pouco melhor do que o encontramos. Essa missão raramente se cumpre por caminhos fáceis. Requer perseverança, coragem, criatividade e uma confiança constante na força da equipa e nos valores que nos unem.
Tal como a água encontra sempre uma forma de prosseguir, o dirigente escutista é chamado a avançar, adaptando-se às circunstâncias, sem nunca perder de vista a sua missão educativa. As pedras não são o fim do caminho, mas sim parte dele. São elas que imprimem ritmo ao percurso, conferem profundidade à experiência e embelezam a missão de servir.
Nunca devemos temer as pedras. Porque, afinal, talvez sejam elas que dão o som mais bonito à nossa caminhada.

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