ERRAR TAMBÉM, FAZ PARTE…
No escutismo, a perfeição é algo que dificilmente fica na memória e, de facto, não deveria ficar. Os escuteiros não se lembram de atividades impecáveis, em que cada minuto está cronometrado e em que tudo corre exatamente como planeado. O que levam consigo, anos depois, são as experiências vividas com intensidade: o frio de uma noite ao ar livre, a gargalhada inesperada numa atividade que correu mal, a superação de um desafio aparentemente impossível e a união que surge quando algo corre mal.
Lembram-se mais facilmente de uma caminhada em que se perdeu o trilho e foi necessário encontrar o caminho novamente em conjunto do que de uma caminhada perfeitamente linear. Lembra-se mais facilmente da tenda que caiu com o vento e que a patrulha teve de reconstruir de noite do que da montagem perfeita feita em teoria na reunião. Ficamos com a recordação da sopa que quase queimou, mas que todos ajudaram a salvar e a partilhar com orgulho, mais do que de qualquer refeição perfeita.
As melhores lições do escutismo não nascem da execução perfeita dos planos, mas dos imprevistos. São os momentos em que a chuva altera os planos, o material falha, o tempo é escasso ou alguém se perde no raciocínio da patrulha que proporcionam as verdadeiras aprendizagens: a capacidade de adaptação, a comunicação, a liderança partilhada, a paciência e o sentido de responsabilidade.
Ser dirigente escutista não significa evitar que estes momentos aconteçam. Pelo contrário, é criar espaço para que estes aconteçam em segurança. Significa planear com intencionalidade, mas aceitar que o crescimento não decorre dentro de um guião fechado. Significa saber dar um passo atrás quando a patrulha precisa de cometer erros para aprender e dar um passo de lado para permitir que os jovens encontrem as suas próprias soluções.
Quando um jovem falha a primeira vez ao tentar acender uma fogueira e, após uma nova tentativa, consegue fazê-lo com a ajuda discreta da sua patrulha, não está apenas a aprender uma técnica. Está a descobrir a persistência. Da mesma forma, quando uma equipa de pioneiros se perde num jogo de orientação e tem de se reorganizar e comunicar melhor, não se trata apenas de um jogo: trata-se de aprender a confiar uns nos outros.

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