A MAGIA DO TECOREE…
O Tecoree não é apenas um torneio. É uma daquelas atividades que parecem pequenas no calendário, mas que acabam por ocupar um lugar enorme na memória de quem as vive.
Organizado pelo Corpo Nacional de Escutas, o Tecoree é exigente, intenso e, por vezes, até duro. Mas é talvez precisamente aí que reside a sua beleza. Porque não foi concebido para ser fácil. Foi concebido para pôr à prova, para desafiar e, sobretudo, para transformar.
Há algo quase difícil de explicar no ambiente que se vive lá. As equipas que chegam cheias de energia e confiança percebem rapidamente que nada se faz sozinho. A técnica escutista deixa de ser apenas um conjunto de competências para se tornar uma linguagem comum: nós, mapas, decisões rápidas, primeiros socorros, orientação e improviso. Mas, mais do que isso, passa a ser confiança.
Confiança no colega ao nosso lado, mesmo quando ele hesita. Confiança na equipa, mesmo quando tudo parece correr mal. E, sobretudo, confiança em si próprio, quando o corpo já pede para parar, mas o compromisso pede para continuar.
O Tecoree também nos mostra uma verdade importante: ninguém lidera sempre, ninguém sabe tudo e ninguém vence sozinho. Há momentos em que dar um passo atrás e seguir um elemento mais calmo evita um erro. Há momentos em que uma palavra simples pode mudar completamente o rumo de uma prova. E há momentos em que o silêncio diz mais do que qualquer ordem.
É por isso que, no fim, ninguém sai do Tecoree como entrou. Não se trata apenas de cansaço físico, mas de crescimento. É a estranha, mas bonita, sensação de ter sido posto à prova e ter descoberto que se era capaz de mais do que se pensava.
E o mais marcante é que o Tecoree não se limita a ensinar a resolver problemas no terreno. Ensina a ver a vida de outra forma. Mostra que os desafios não devem ser evitados, mas enfrentados em conjunto. Ensina que falhar não é o fim, mas sim parte do caminho.
Quando regressamos, com as mochilas mais leves e o barulho do campo para trás, fica algo mais pesado, mas no bom sentido. Fica a consciência de que se pertence a algo maior. Fica a certeza de que a técnica escutista é importante, mas que o verdadeiro valor está nas pessoas que a praticam.
E, no fundo, é isso que o Tecoree proporciona: não apenas melhores escuteiros, mas também melhores companheiros de caminhada.


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