A ÉTICA NÃO PODE SER APENAS UM DISCURSO BONITO
Fala-se muito de ética no escutismo. É repetida em reuniões, em contexto de formação de adultos e discursos bem preparados. Diz-se que é um dos pilares do movimento, orientando decisões, comportamentos e liderança. No entanto, por vezes, a realidade mostra-nos outra coisa: mais silenciosa, mais desconfortável e, por isso mesmo, mais difícil de enfrentar.
Nos momentos de decisão interna, como as eleições, esse valor tão proclamado parece, em alguns casos, ficar em segundo plano. A verdade é substituída pela conveniência, a transparência por estratégias pouco claras e o espírito de serviço por uma disputa que, embora disfarçada de "compromisso", por vezes se assemelha demasiado à ambição pessoal.
Isto não deveria acontecer. O escutismo educa para a cidadania, o respeito e a responsabilidade. Ensina que liderar não é ocupar um lugar, mas sim servir uma comunidade. Ainda assim, há momentos em que parece que estes princípios são lembrados apenas quando convém.
É aqui que a crítica se torna necessária. Não uma crítica destrutiva, mas sim uma forma de chamar a atenção. Porque, se o escutismo não for coerente consigo mesmo, perderá uma parte essencial da sua credibilidade. Não basta formar jovens na ética se os adultos que lideram o movimento não a praticarem com rigor.
As eleições internas deveriam ser um exemplo de maturidade e não de divisão. Deviam ser momentos de escolha consciente e não de jogos de influência. Acima de tudo, as eleições internas deveriam refletir aquilo que o escutismo afirma ser: um movimento de serviço, em que o bem comum está acima dos interesses individuais.
Talvez o problema não esteja nas regras, mas na forma como as vivemos. E é por isso que a ética não pode ser apenas dita, tem de ser praticada todos os dias, mesmo quando custa, mesmo quando ninguém está a observar.
Porque, no fim, o verdadeiro teste do escutismo não está nos discursos, mas nas ações. Está nas decisões difíceis.


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