Quando me perguntam quanto tempo dedico por semana à atividade como de dirigente dos escuteiros, a resposta é simples: 10 080 minutos. Não porque esteja sempre de uniforme ou em atividade, mas porque ser dirigente não é algo que se liga e desliga. É uma forma de estar na vida.
Ser dirigente é chegar a casa cansado depois de um dia de trabalho e ainda ter energia para preparar uma atividade que possa marcar positivamente a vida de um jovem. Acontece quando recebo uma mensagem de um escuteiro preocupado com um problema na escola e o ouço e ajudo. Acontece quando dedico tempo a planear um acampamento seguro, divertido e educativo, mesmo sabendo que ninguém vê as horas de trabalho por trás de cada detalhe.
Também sou dirigente quando dou o exemplo fora do agrupamento. Quando respeito os outros no trânsito, ajudo um vizinho com dificuldade em carregar as compras, levanto a mesa da esplanada quando vou com os amigos tomar um café ou merendar, participo numa ação de voluntariado ou procuro ser honesto e justo nas minhas decisões. Os jovens observam mais aquilo que fazemos do que aquilo que dizemos e é por isso que o exemplo é uma das maiores responsabilidades de um dirigente.
Há ainda os momentos menos visíveis: a preocupação com o escuteiro mais afastado, a alegria de ver uma criança ganhar confiança, o orgulho ao assistir ao crescimento de um jovem que, anos depois, se torna um cidadão responsável e comprometido com a sociedade. São momentos que não ficam registados em fotografias ou "selfies", mas que dão sentido a todo o esforço.
Por isso, acredito que a função de dirigente não se mede pelas horas passadas em reuniões ou nos acampamentos ou outras atividades. Mede-se pela disponibilidade para servir, educar e inspirar todos os dias. Ao longo dos 10 080 minutos de cada semana, um dirigente procura viver os valores que transmite aos outros, pois sabe que a sua missão não termina quando a atividade termina. Na verdade, é aí que continua.


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