PORQUE OS ADULTOS ABANDONAM O MOVIMENTO?
A segunda situação é quase o oposto. Trata-se daqueles que chegam cheios de entusiasmo. Começam com energia, fazem a formação “básica” e alguns (muito poucos) a “avançada”, envolvem-se, trazem a família e apaixonam-se pela proposta educativa do escutismo. No entanto, afastam-se subitamente. Dizem que estão cansados, que não têm tempo, que têm problemas pessoais — ou simplesmente desaparecem sem dar qualquer explicação. Ao procurá-los mais tarde, percebemos que o motivo real foi uma mágoa. Como dizia um antigo chefe, a mágoa é mais perigosa do que a raiva. Esta não leva ao confronto, mas retira o interesse.
Estas desistências revelam um problema mais profundo: a falta de preparação emocional para lidar com os conflitos. Quando a relação interpessoal se desgasta, muitas pessoas preferem abandonar a situação a enfrentá-la. Não desistem por falta de razão, mas porque não querem "lutar". Desta forma, perdemos voluntários valiosos que poderiam ter tido um futuro brilhante no escutismo.
Muitas vezes, tudo começa com um simples desentendimento com outro elemento do agrupamento. E quando esse adulto se vai embora, frequentemente leva consigo toda a família. A raiz do problema é a falta de preparação para gerir conflitos. A responsabilidade é de quem parte? Ou nossa, por não termos antecipado, apoiado e formado?
No fim, os mais afetados são sempre os jovens. Perdem um adulto que, até há pouco tempo, estava lá por eles.
A solução? Prevenção. Os mais experientes devem estar atentos aos sinais de tensão. Muitas vezes, uma simples mudança de função, de equipa ou de secção pode evitar um conflito maior.
Claro que há casos em que o confronto é inevitável. Nesses momentos, é necessário tomar decisões difíceis. A questão é: quem deve ficar? Quem tem mais para oferecer ao escutismo?
Sabemos quanto tempo, em média, um jovem permanece no movimento. E quanto aos adultos? Existem estudos sobre o assunto? E pesquisas? Antigamente, falava-se em quatro anos. Será que este período se mantém?
Enquanto não abordarmos os conflitos de forma séria e estruturada, continuaremos a assistir à saída de adultos do movimento. Talvez tenha chegado o momento de investigar a fundo: por que razão deixam os adultos o escutismo?


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