PARA SEMPRE...
Haverá um dia em que os nossos passos deixarão de correr livres pelos caminhos dos trilhos e começarão a arrastar o peso invisível da vida.
As mochilas que outrora transportávamos às costas parecerão leves em comparação com as preocupações que o tempo nos colocará no peito.
O trabalho roubar-nos-á horas, as responsabilidades consumir-nos-ão forças e os sonhos que um dia proclamámos à volta da fogueira poderão perder-se lentamente no silêncio cansado das rotinas.
Chegará o momento em que acordaremos demasiado cedo, dormiremos demasiado tarde e sentiremos que o mundo exige mais de nós do que aquilo que conseguimos dar.
Talvez nos esqueçamos, por instantes, de quem éramos quando o coração ainda se maravilhava com coisas simples: o cheiro da terra molhada após a chuva, o calor de uma fogueira numa noite fria, o som das gargalhadas partilhadas entre irmãos com lenços ao pescoço.
No entanto, mesmo quando a vida nos parecer esmagar, haverá sempre um lugar dentro de nós que permanecerá intacto.
Um lugar onde aprendemos a cair e a levantar-nos.
Onde descobrimos que a coragem não é a ausência de medo, mas sim a decisão de continuar apesar dele.
Um lugar onde, pela primeira vez, nos sentimos verdadeiramente vistos, aceites e importantes.
O escutismo nunca se resumiu ao uso de um uniforme.
Nunca se resumiu a reuniões, acampamentos ou canções.
Foi casa.
Foi refúgio.
Foi o local onde crescemos sem nos apercebermos.
Onde criámos memórias tão profundas que nem o tempo consegue apagar.
E quando o mundo lá fora se tornar demasiado frio, regressa.
Volta às raízes.
Volta aos trilhos.
Volta às pessoas que te lembram quem és, quando tudo o resto tenta fazer-te esquecer.
Não há vergonha em regressar vezes sem conta ao lugar que um dia salvou partes de nós de que nem sabíamos que precisavam de salvação.
Porque algumas jornadas nunca terminam verdadeiramente.
Vivem em nós.
Esperam por nós.
Nos dias mais difíceis, chamam por nós como uma luz acesa no meio da escuridão.
E não importa quanto tempo passe, quantos anos envelheçam os nossos rostos ou quantas tempestades atravessemos — haverá sempre uma verdade que permanecerá eterna:
Uma vez escuteiro… sempre escuteiro.


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