O MÉTODO ESCUTISTA NÃO É OPCIONAL
No escutismo, discute-se frequentemente qual deve ser o verdadeiro papel do adulto no movimento. Há quem defenda que o dirigente deve, acima de tudo, agradar aos jovens, evitar conflitos, facilitar tudo e garantir que "ninguém se aborrece". Outros veem o escutismo apenas como um espaço de convívio ou de realização pessoal para os adultos que nele participam. Na minha opinião, ambas as visões desviam o movimento da sua essência.
O escutismo nasceu como um movimento educativo. Não existe apenas para ocupar tempos livres ou para proporcionar atividades ocasionais. Existe para formar jovens, ajudando-os a crescer em termos de responsabilidade, autonomia, espírito de serviço, liderança, fraternidade e compromisso com os outros, através do Método Escutista. Quando o método é esquecido, o movimento perde a sua identidade e transforma-se num mero grupo de animação.
Ser adulto no escutismo implica, por conseguinte, uma responsabilidade muito maior do que "fazer a vontade" aos jovens. É fundamental escutar os jovens, pois o escutismo não se constrói sem a sua participação. Contudo, escutar não significa ceder sempre. Educar exige critério, coragem e coerência. Há momentos em que o adulto deve desafiar, exigir, orientar e, por vezes, contrariar o que é mais fácil ou mais cómodo. Muitas vezes, é precisamente nesses momentos que se aprendem as maiores lições.
Também considero perigoso quando o movimento é usado para a satisfação pessoal dos adultos. O protagonismo, a necessidade de reconhecimento ou a procura de conforto podem facilmente desvirtuar a missão educativa. O dirigente não está no escutismo para se servir do movimento, mas sim para servir os jovens e o ideal escutista. Isso exige humildade, disponibilidade e sentido de missão.
O Método Escutista continua atual, pois oferece aos jovens algo raro nos dias de hoje: experiências verdadeiras de responsabilidade, vida em equipa, contacto com a natureza, serviço e superação pessoal. No entanto, isso só acontece quando os adultos assumem seriamente o seu papel educativo. Se tudo lhes for facilitado e não houver exigência nem propósito, os jovens não encontrarão no escutismo nada de diferente do que já encontram noutros espaços.
Por conseguinte, creio que os adultos no Movimento Escutista devem comprometer-se com algo maior do que a satisfação imediata, seja ela sua ou dos jovens. Devem estar comprometidos com a missão de fazer do escutismo uma experiência que realmente valha a pena viver.


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