QUEREMOS SER CREDÍVEIS... DAMOS O EXEMPLO?
Aproximam-se as eleições nacionais para a Junta Central e para o Conselho Fiscal e Jurisdicional Nacional para o triénio 2026/2029 e, mais uma vez, instala-se o silêncio, a indiferença e o alheamento.
Num movimento que se afirma como escola de cidadania, tal não é apenas preocupante, mas também profundamente incoerente.
A abstenção total de um agrupamento não é um acaso nem um pormenor sem importância. É um falhanço. Um falhanço coletivo, mas também um falhanço de liderança. Quando ninguém vota, não se trata de uma questão de falta de tempo ou de desatenção, mas sim de desinteresse instalado, ausência de mobilização e, provavelmente, de uma cultura interna falhada.
E neste caso não vale a pena relativizar. O chefe de agrupamento tem responsabilidades claras. Liderar não é ocupar um cargo, mas sim mobilizar, envolver, dar sentido e garantir que o agrupamento está vivo e participa. Quando a participação é nula, a liderança tem de ser questionada sem rodeios.
Alegar que "a participação depende de todos" é confortável, mas insuficiente. Quem lidera tem o dever acrescido de criar condições para que a participação exista. Quando tal não acontece, não basta lamentar: é necessário assumir responsabilidades.
A responsabilização não é um ataque pessoal nem um excesso de rigor. É, simplesmente, coerência. Um movimento que pretenda formar cidadãos não pode tolerar estruturas onde a cidadania não é praticada.
Ignorar isso é pactuar com a irrelevância. É aceitar que os processos existem apenas no papel e que os valores são meramente decorativos.


Nenhum comentário:
Postar um comentário