NO ESCUTISMO NÃO HÁ LUGAR PARA EGOISMO INTELECTUAL
É necessário dizê-lo sem rodeios: a mentalidade do "cada um por si" não tem lugar no escutismo. Guardar apontamentos, esconder recursos ou evitar partilhar estratégias de estudo para manter uma suposta vantagem pessoal contradiz frontalmente aquilo que defendemos enquanto movimento.
O escutismo, não nasceu para formar acumuladores de mérito
individual. Nasceu para formar cidadãos comprometidos, solidários e capazes de
colocar os seus talentos ao serviço dos outros.
Que sentido faz falar de fraternidade escutista e, ao mesmo
tempo, agir como se o conhecimento fosse uma propriedade privada? Que coerência
há em prometer ajudar o próximo e depois fechar a mochila — literal ou
metaforicamente — quando se tem algo que pode facilitar o caminho a outro
escuteiro?
Quem guarda para si o que pode ajudar os outros está, no
fundo, a optar pela lógica da competição em vez da lógica da comunidade. Está a
preferir brilhar sozinho a crescer em conjunto. Porém, o brilho individual
nunca foi o critério de sucesso no escutismo. O verdadeiro líder não é aquele
que sabe mais, mas sim aquele que faz os outros saberem mais.
Há um equívoco perigoso na ideia de que partilhar
enfraquece. Pelo contrário, partilhar fortalece o grupo, eleva o nível coletivo
e cria uma cultura de confiança. Um agrupamento em que o conhecimento circula
livremente está mais bem preparado, é mais unido e é mais fiel à sua missão
educativa.
Se queremos jovens que transformem o mundo, precisamos
primeiro de jovens que saibam transformar o seu próprio ambiente, começando
pela atitude perante o saber. O escutismo não é uma corrida por classificações.
É uma escola de carácter.
E o caráter também se mede pela forma como usamos o que
sabemos.
No Escutismo, o conhecimento não é um troféu. É uma
ferramenta. Uma ferramenta que não é partilhada enferruja.


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