domingo, 14 de setembro de 2025

A TENTAÇÃO DE SER “MESTRE-ESCOLA”

Será que estamos, de facto, a confiar nos nossos jovens? Ou estamos apenas a tratá-los como alunos de uma sala de aula ao ar livre?

Cada vez mais vemos dirigentes a assumir o papel de “mestres-escolas”: controlam, decidem, planificam, arrumam e limpam o material, cozinham, corrigem… e deixam pouco espaço para que as patrulhas e equipas possam errar, experimentar e aprender por si mesmas. Mas se o Escutismo nasceu para formar jovens responsáveis e autónomos, que sentido faz tirar-lhes essa autonomia em nome de uma eficiência imediata?

É verdade que, quando o chefe toma as rédeas, as atividades parecem correr melhor, o grupo fica mais “certinho”, o campo mais arrumado, a progressão mais clara. Mas será que não estamos apenas a formar bons executores em vez de líderes conscientes?

Será que não estamos a criar escuteiros que sabem obedecer, mas não sabem decidir? O método escutista não é cómodo para nós, adultos. Implica confiança. Implica deixar que os jovens façam o seu caminho, mesmo que seja mais lento, mais imperfeito, mais caótico. Mas é nesse caos que nasce a verdadeira aprendizagem.

O papel do dirigente não é substituir-se ao jovem, mas acompanhá-lo no processo de descoberta. Então, deixo a pergunta incómoda: Será que estamos a educar para a autonomia ou apenas a mascarar o Escutismo de escola, onde o professor mudou de nome e passou a chamar-se “chefe”?

 O Chefe-Escuta precisa de não ser nem “mestre-escoIa”, nem oficial comandante, nem cura, nem instrutor. Precisa de se colocar no lugar de irmão mais velho, isto é, ver as coisas do ponto de vista do rapaz e orientá-lo, guiá-lo e entusiasmá-lo na direção correta. Como o verdadeiro irmão mais velho, precisa de compreender as tradições da família e procurar que estas se mantenham, ainda que seja necessária grande firmeza.”

Baden-Powell

Nenhum comentário:

Postar um comentário