A TENTAÇÃO DE SER “MESTRE-ESCOLA”
Será que estamos, de facto, a confiar nos nossos jovens? Ou estamos apenas a tratá-los como alunos de uma sala de aula ao ar livre?
Cada vez mais vemos dirigentes a assumir o papel de
“mestres-escolas”: controlam, decidem, planificam, arrumam e limpam o material,
cozinham, corrigem… e deixam pouco espaço para que as patrulhas e equipas
possam errar, experimentar e aprender por si mesmas. Mas se o Escutismo nasceu
para formar jovens responsáveis e autónomos, que sentido faz tirar-lhes essa
autonomia em nome de uma eficiência imediata?
É verdade que, quando o chefe toma as rédeas, as atividades
parecem correr melhor, o grupo fica mais “certinho”, o campo mais arrumado, a
progressão mais clara. Mas será que não estamos apenas a formar bons executores
em vez de líderes conscientes?
Será que não estamos a criar escuteiros que sabem obedecer,
mas não sabem decidir? O método escutista não é cómodo para nós, adultos.
Implica confiança. Implica deixar que os jovens façam o seu caminho, mesmo que
seja mais lento, mais imperfeito, mais caótico. Mas é nesse caos que nasce a
verdadeira aprendizagem.
O papel do dirigente não é substituir-se ao jovem, mas
acompanhá-lo no processo de descoberta. Então, deixo a pergunta incómoda: Será
que estamos a educar para a autonomia ou apenas a mascarar o Escutismo de
escola, onde o professor mudou de nome e passou a chamar-se “chefe”?

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