CHEFES OU CIRCUNSTÂNCIAS?
Quantas vezes, no meio da azáfama escutista, não nos deixamos cair na tentação de pensar que somos “importantes”? Chefes insubstituíveis, dirigentes imprescindíveis, “pilares” do agrupamento, do núcleo, da região escutista Mas será mesmo assim?
Um breve passeio por qualquer cemitério basta para nos
colocar no devido lugar. Ali jazem homens e mulheres que, no seu tempo, foram
figuras de destaque, talvez até mais reconhecidas do que nós. Muitos tiveram
cargos, responsabilidades, poder. Hoje, os seus nomes estão gravados em pedra —
e já ninguém se lembra deles. A sua “importância” era apenas circunstancial.
E nós, dirigentes escutistas?
Também somos circunstâncias. Estamos de passagem. O que hoje fazemos, amanhã
outros farão. O que hoje lideramos, amanhã outros continuarão. E isso é bom!
Porque o movimento não nos pertence. Pertence aos jovens e ao futuro.
O verdadeiro valor de um chefe não se mede pela centralidade
que conquista, mas pela liberdade que gera. Um adulto escutista não está para
ocupar espaço, mas para abrir espaço. Não está para controlar, mas para
inspirar. Não está para ser lembrado, mas para ajudar cada jovem a tornar-se
alguém que fará a diferença no mundo.
Talvez devêssemos perguntar-nos: estamos a viver o nosso
papel como servidores ou como protagonistas? Estamos a facilitar o caminho dos
jovens ou a ocupar o palco que deveria ser deles?
Um dia, inevitavelmente, a memória do nosso nome
esbater-se-á. Mas se tivermos deixado sementes de autonomia, confiança e vida,
então a nossa passagem — a nossa circunstância — terá valido a pena.

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