domingo, 14 de setembro de 2025

CHEFES OU CIRCUNSTÂNCIAS?

Quantas vezes, no meio da azáfama escutista, não nos deixamos cair na tentação de pensar que somos “importantes”? Chefes insubstituíveis, dirigentes imprescindíveis, “pilares” do agrupamento, do núcleo, da região escutista Mas será mesmo assim?

Um breve passeio por qualquer cemitério basta para nos colocar no devido lugar. Ali jazem homens e mulheres que, no seu tempo, foram figuras de destaque, talvez até mais reconhecidas do que nós. Muitos tiveram cargos, responsabilidades, poder. Hoje, os seus nomes estão gravados em pedra — e já ninguém se lembra deles. A sua “importância” era apenas circunstancial.

E nós, dirigentes escutistas?
Também somos circunstâncias. Estamos de passagem. O que hoje fazemos, amanhã outros farão. O que hoje lideramos, amanhã outros continuarão. E isso é bom! Porque o movimento não nos pertence. Pertence aos jovens e ao futuro.

O verdadeiro valor de um chefe não se mede pela centralidade que conquista, mas pela liberdade que gera. Um adulto escutista não está para ocupar espaço, mas para abrir espaço. Não está para controlar, mas para inspirar. Não está para ser lembrado, mas para ajudar cada jovem a tornar-se alguém que fará a diferença no mundo.

Talvez devêssemos perguntar-nos: estamos a viver o nosso papel como servidores ou como protagonistas? Estamos a facilitar o caminho dos jovens ou a ocupar o palco que deveria ser deles?

Um dia, inevitavelmente, a memória do nosso nome esbater-se-á. Mas se tivermos deixado sementes de autonomia, confiança e vida, então a nossa passagem — a nossa circunstância — terá valido a pena.

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