segunda-feira, 16 de março de 2026

OS MELHORES ENTRE OS MELHORES… E BOAS E MÁS ESCOLHAS!

No Movimento Escutista, gostamos de falar de valores. Falamos de liderança, serviço, exemplo e formação de jovens para que se tornem cidadãos responsáveis e íntegros. No entanto, há uma questão que nos perturba e que raramente é colocada em voz alta: estaremos realmente a aplicar esses princípios quando elegemos quem ocupa cargos e funções dentro do próprio movimento?

A verdade é que muitas vezes não o fazemos.

Com demasiada frequência, as escolhas dentro das estruturas escutistas parecem obedecer a critérios que não têm nada a ver com mérito ou competência. Pesam mais as amizades, as proximidades, as conveniências de grupo ou a velha lógica do "é dos nossos". Cria-se assim um ambiente de conforto, onde se repetem os mesmos nomes, se protegem os mesmos círculos e se evitam decisões que possam incomodar alguém.

No entanto, um movimento educativo não pode funcionar como um clube de amigos.

Se quisermos levar a sério a nossa missão, temos de começar por exigir rigor nas escolhas. Cada cargo deve ter um perfil bem definido. Cada função exige competências concretas: experiência, capacidade de liderança, visão educativa e disponibilidade real para servir. Não basta ter boa vontade. Não basta simpatia. E definitivamente não basta ser próximo de quem decide.

Escolher os melhores entre os melhores não é arrogância nem elitismo. É uma questão de responsabilidade. Ao assumir um cargo escutista, a pessoa em causa influencia diretamente a qualidade do trabalho educativo com os jovens e… também adultos, a motivação das equipas e o rumo de uma comunidade inteira. Tratar essas escolhas com ligeireza é, no mínimo, uma falta de respeito pelo próprio movimento.

Há também uma consequência silenciosa que raramente é discutida: quando as escolhas são feitas por afinidade e não por mérito, o movimento perde pessoas competentes. Muitos dirigentes competentes acabam por se afastar, cansados de estruturas fechadas onde o reconhecimento não depende do trabalho realizado, mas sim de quem se conhece.

E assim instala-se uma mediocridade confortável que, embora não seja assumida, é percebida por todos.

Se quisermos uma associação escutista forte, credível e fiel à sua missão educativa, precisamos de coragem para mudar esta cultura. É necessário ter coragem para valorizar as competências em vez das amizades. Coragem para dar espaço a quem realmente tem capacidade para servir. Coragem para escolher com exigência.

Porque, afinal de contas, a questão é simples: não podemos ensinar aos jovens valores que não somos capazes de pôr em prática no próprio movimento.



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