OS MELHORES ENTRE OS MELHORES… E BOAS E MÁS ESCOLHAS!
No Movimento Escutista, gostamos de falar de valores. Falamos de liderança, serviço, exemplo e formação de jovens para que se tornem cidadãos responsáveis e íntegros. No entanto, há uma questão que nos perturba e que raramente é colocada em voz alta: estaremos realmente a aplicar esses princípios quando elegemos quem ocupa cargos e funções dentro do próprio movimento?
A verdade é que muitas vezes não o fazemos.
Com demasiada frequência, as escolhas dentro das estruturas
escutistas parecem obedecer a critérios que não têm nada a ver com mérito ou
competência. Pesam mais as amizades, as proximidades, as conveniências de grupo
ou a velha lógica do "é dos nossos". Cria-se assim um ambiente de
conforto, onde se repetem os mesmos nomes, se protegem os mesmos círculos e se
evitam decisões que possam incomodar alguém.
No entanto, um movimento educativo não pode funcionar como
um clube de amigos.
Se quisermos levar a sério a nossa missão, temos de começar
por exigir rigor nas escolhas. Cada cargo deve ter um perfil bem
definido. Cada função exige competências concretas: experiência,
capacidade de liderança, visão educativa e disponibilidade real para servir.
Não basta ter boa vontade. Não basta simpatia. E definitivamente não basta ser
próximo de quem decide.
Escolher os melhores entre os melhores não é
arrogância nem elitismo. É uma questão de responsabilidade. Ao assumir um cargo
escutista, a pessoa em causa influencia diretamente a qualidade do trabalho
educativo com os jovens e… também adultos, a motivação das equipas e o rumo de
uma comunidade inteira. Tratar essas escolhas com ligeireza é, no mínimo, uma
falta de respeito pelo próprio movimento.
Há também uma consequência silenciosa que raramente é
discutida: quando as escolhas são feitas por afinidade e não por mérito, o
movimento perde pessoas competentes. Muitos dirigentes competentes acabam por
se afastar, cansados de estruturas fechadas onde o reconhecimento não depende
do trabalho realizado, mas sim de quem se conhece.
E assim instala-se uma mediocridade confortável que, embora
não seja assumida, é percebida por todos.
Se quisermos uma associação escutista forte, credível
e fiel à sua missão educativa, precisamos de coragem para mudar esta cultura. É
necessário ter coragem para valorizar as competências em vez das amizades.
Coragem para dar espaço a quem realmente tem capacidade para servir. Coragem
para escolher com exigência.
Porque, afinal de contas, a questão é simples: não podemos
ensinar aos jovens valores que não somos capazes de pôr em prática no próprio
movimento.


Nenhum comentário:
Postar um comentário