A IMPORTÂNCIA DO CATÁLOGO DE PERFIS CARGOS E FUNÕES E DA FORMAÇÃO ESCUTISTA EXIGÍVEL
As candidaturas a órgãos executivos do Escutismo constituem um dos momentos mais relevantes da vida democrática do Movimento. Não se trata apenas de escolher pessoas para ocupar cargos, mas de definir quem assume a responsabilidade de orientar, coordenar e garantir a fidelidade educativa do Escutismo, nos seus diferentes níveis de organização.
Por essa razão, estas candidaturas não podem assentar apenas na disponibilidade pessoal, na notoriedade interna ou na experiência genérica. Exigem critérios claros, transparentes e previamente conhecidos.
1. O Catálogo de Perfis, Cargos e Funções: um instrumento estruturante
O Catálogo de Perfis, Cargos e Funções não é um documento meramente administrativo. É um instrumento essencial de organização, responsabilidade e justiça interna.
A sua existência permite:
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clarificar as responsabilidades específicas associadas a cada cargo;
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definir os limites de atuação e de decisão;
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assegurar que as funções não dependem da interpretação pessoal de quem as exerce;
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promover a coerência entre os diferentes níveis do Movimento.
Ignorar ou relativizar o Catálogo fragiliza as estruturas, cria ambiguidades e abre espaço a lideranças excessivamente personalizadas, em detrimento do projeto educativo comum.
2. A centralidade dos perfis na escolha dos dirigentes
Nem todos os dirigentes, por mais dedicados ou experientes que sejam, possuem o perfil adequado para funções executivas. Esta constatação não diminui ninguém — pelo contrário, valoriza a diversidade de vocações no Escutismo.
Os órgãos executivos exigem perfis específicos, nomeadamente:
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capacidade de liderança servidora e não centralizadora;
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aptidão para o trabalho em equipa e para a tomada de decisões partilhadas;
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equilíbrio emocional e capacidade de gestão de conflitos;
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visão estratégica aliada a profundo respeito pelo Método Escutista.
Quando os perfis não são considerados, os cargos deixam de ser instrumentos de serviço e passam a ser espaços de afirmação pessoal.
3. Formação escutista: requisito essencial, não formalidade
A formação escutista exigível para o exercício de cargos executivos deve ser entendida como um requisito mínimo de competência, e não como um prémio de carreira ou um detalhe secundário.
Quem assume funções executivas deve demonstrar:
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conhecimento aprofundado do Método Escutista;
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compreensão clara do papel educativo do adulto;
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domínio das dinâmicas das várias secções;
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capacidade de enquadrar decisões administrativas à luz dos princípios escutistas.
A ausência de formação adequada compromete a qualidade das decisões e enfraquece a identidade do Movimento.
4. Candidatar-se é um ato de serviço consciente
A candidatura a um órgão executivo deve ser entendida como um ato consciente de serviço, que pressupõe disponibilidade, preparação e humildade para ser avaliado à luz de critérios objetivos.
Não existe, no Escutismo, um “direito natural” ao cargo.
Existe, sim, a responsabilidade de demonstrar que se possui o perfil, a formação e a maturidade necessárias para servir melhor.
5. Exigência como garantia de qualidade e credibilidade
A definição clara de perfis, funções e requisitos de formação não afasta candidatos. Pelo contrário, reforça a credibilidade do processo eleitoral, protege o Movimento e fortalece a confiança dos dirigentes e dos jovens nas suas estruturas.
O Escutismo ganha quando as lideranças são:
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competentes,
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bem formadas,
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conscientes dos seus limites,
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e profundamente alinhadas com o seu projeto educativo.
Porque, em última análise, os cargos passam — o Escutismo fica.


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