CRÉDITOS, CRÉDITOS, CRÉDITOS – E A INSANA PROCURA DE “PONTOS” NA FORMAÇÃO DE ADULTOS NO ESCUTISMO
No escutismo, a formação de adultos deveria ser, acima de tudo, um caminho de crescimento pessoal, serviço e aquisição de competências que fortalecem o movimento e melhoram a experiência educativa das crianças e jovens. No entanto, nos últimos anos, tem-se tornado cada vez mais evidente uma tendência preocupante: a obsessão pelos créditos. Não pelos conhecimentos, não pelas aprendizagens verdadeiramente significativas, mas pelos números que se somam num formulário.
A lógica dos créditos — útil enquanto ferramenta de
organização e reconhecimento — transformou-se, inadvertidamente, num sistema
que cria pressão, burocracia e, em alguns casos, até competição desnecessária.
Muitos adultos sentem-se obrigados a “caçar créditos” para cumprir requisitos
formais, em vez de procurarem formações pelas razões certas: melhorar enquanto
educadores, reforçar a missão escutista e contribuir para a comunidade.
Esta procura quase frenética de créditos não só desvirtua o
espírito da formação, como também pode gerar desigualdades. Nem todos os dirigentes
voluntários têm a mesma disponibilidade para frequentar múltiplas atividades
formais, o que pode levar a frustrações e ao afastamento de pessoas que, apesar
de extremamente competentes e dedicadas, se veem penalizadas por não acumularem
participações suficientes.
A pergunta que deveríamos colocar é simples: que tipo de
educadores pretendemos formar? Pessoas motivadas por números e certificados
ou adultos comprometidos, conscientes do seu papel e inspirados pelos
valores escutistas?
Talvez esteja na hora de repensar o modelo (que entre nós, é
ago recente) e olhar um pouco para as experiências do passado. Menos foco nos
créditos enquanto métrica rígida e mais ênfase na relevância, no impacto real e
na aprendizagem contínua. Porque o escutismo, no seu cerne, nunca foi sobre
colecionar insígnias ou carimbos — foi sempre sobre crescer, servir e ser
melhor para os outros.


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