O PODER DO EXEMPLO NO ESCUTISMO
Que exemplos lhes passamos?
No Escutismo, mais do que em qualquer outro contexto
educativo, o exemplo tem um valor imenso. As crianças e jovens prestam mais
atenção ao que veem do que ao que apenas ouvem. São como
esponjas: absorvem comportamentos, gestos e atitudes. E, como espelhos,
devolvem-nos aquilo que observam.
A ciência explica: os chamados neurónios-espelho,
presentes no nosso cérebro, fazem com que o ser humano esteja naturalmente
inclinado a imitar. É por isso que os lobitos, exploradores, pioneiros e
caminheiros tantas vezes testam, repetem e experimentam comportamentos. Não é
para desafiar o chefe ou criar conflito – é simplesmente a sua forma natural de
aprender.
Desde cedo, ainda bebés, já respondem a um sorriso com outro
sorriso, a um gesto de carinho com outro gesto, às lágrimas com lágrimas. A
imitação é, portanto, uma ferramenta poderosa.
No contexto escutista, isso significa que cada chefe,
dirigente ou guia de patrulha é um referencial vivo. O modo como
falamos, como tratamos os outros, como respeitamos a natureza, como vivemos a
Lei e a Promessa – tudo isso é observado, absorvido e imitado pelos mais novos.
Por isso, a mudança começa sempre em nós. Não podemos
esperar que os nossos jovens sejam respeitosos, comprometidos ou alegres se nós
próprios não dermos esse exemplo no dia a dia das atividades, nos acampamentos
e no convívio de grupo.
Mas atenção: dar o exemplo não significa ser perfeito. A
perfeição não existe e não deve ser um peso. O que importa é a autenticidade,
a capacidade de assumir erros, aprender com eles e mostrar que a vida escutista
é também um caminho de crescimento.
Assim, cada sorriso, cada gesto de serviço, cada atitude de
respeito e responsabilidade é uma semente lançada no coração dos jovens. E
essas sementes, mais cedo ou mais tarde, florescem.
O verdadeiro poder do exemplo está em sermos aquilo que
pedimos aos outros para ser.
Alguns cenários concretos:
1. No acampamento
- Se o
chefe ou dirigente trata o material com cuidado (guarda bem as cordas, não
deixa lixo espalhado, organiza a mochila), os jovens tenderão a fazer o
mesmo.
- Se,
pelo contrário, vir o adulto a deixar o prato sujo na cozinha de campo, os
jovens vão sentir que também podem fazê-lo.
Exemplo positivo: O chefe ajuda a lavar a loiça,
canta enquanto trabalha e mostra alegria no serviço. Rapidamente a boa
disposição contagia os mais novos.
2. Na patrulha
- O
guia de patrulha que respeita a opinião de todos e distribui tarefas de
forma justa ensina, sem palavras, a importância da cooperação.
- Se
um dirigente exige silêncio, mas fala alto e interrompe, transmite
incoerência.
Exemplo positivo: O guia chega a horas, usa o uniforme
de uma forma correta e incentiva os outros a fazer o mesmo. A patrulha,
naturalmente, segue-lhe o exemplo.
3. Nos jogos
- As
crianças aprendem mais com a forma como o adulto participa do que com as
regras ditas no início.
- Se o
chefe trapaceia ou “fecha os olhos” às regras, os jovens percebem que elas
não são importantes.
- Se o
adulto aceita perder com humildade e aplaude a vitória dos outros, ensina
espírito desportivo.
Exemplo positivo: Num jogo de estafetas, o dirigente
encoraja quem está mais cansado e celebra os pequenos progressos, mostrando que
a vitória não é o mais importante.
4. No serviço
- Se
os dirigentes realizam um serviço comunitário com empenho e alegria, os
jovens sentem que é uma experiência valiosa.
- Se
veem que é feito apenas “porque tem de ser”, irão encarar da mesma forma.
Exemplo positivo: Durante uma recolha de alimentos, o
chefe também fala com as pessoas, sorri e explica o propósito da ação. Os
jovens percebem que estão a fazer algo importante e dão-se ainda mais ao
serviço.
5. Na vida quotidiana
- O
modo como tratamos outros adultos, a forma como respeitamos os tempos, a
nossa postura no uniforme ou a maneira como lidamos com dificuldades são
lições silenciosas que os escuteiros absorvem.
- Mais
do que palavras, é o testemunho de vida que educa.
Conclusão
O Escutismo é feito de exemplos vivos. O melhor presente que
um chefe pode dar ao seu grupo é ser coerente: viver a Lei do Escuta de forma
autêntica, com simplicidade e alegria. Não é preciso ser perfeito – basta ser
verdadeiro.
No fim de contas, os jovens não se lembram tanto do que
lhes dissemos, mas nunca esquecem o que viram em nós.

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