FOGO OU ÁGUA?
Muitos de nós pedimos mais acampamentos, mais cursos práticos, mais oportunidades de viver intensamente o escutismo. Reclamamos, e muitas vezes reclamamos muito! Mas quando chega o momento de nos formarmos, de nos capacitarmos, de dar o exemplo aos que nos seguem… quantas vezes preferimos permanecer no conforto, escondidos na rotina?
Um dirigente que não se forma é como um guia sem bússola:
pode aparentar que lidera, mas conduz o seu grupo à deriva. A irmandade
escutista não é uma loja onde se “consomem” experiências; é uma verdadeira
oficina, onde todos trabalhamos, aprendemos e contribuímos para um bem comum.
A corresponsabilidade não é apenas uma palavra bonita para
discursos: é uma atitude. Se pedes, também tens de dar; se recebes, também
deves construir; se esperas, também precisas de agir.
O escutismo floresce quando cada adulto reconhece que
continua a ser aprendiz. Não se trata apenas do que exigimos, mas do que
estamos dispostos a oferecer. Não se mede pelo que já sabemos, mas pela
abertura que temos para aprender sempre mais.
Porque todos somos corresponsáveis por esta irmandade: cada
mão que se estende, cada voz que se faz ouvir, cada ação — por pequena que
pareça — mantém acesa a fogueira que ilumina o caminho dos nossos jovens.
E a pergunta é clara, sem espaço para evasivas:
Vais ser parte do fogo que inspira… ou da água que o apaga?
Conta-nos: no teu agrupamento ou na tua unidade, já se
refletiu sobre o verdadeiro sentido da corresponsabilidade? Estamos a construir
juntos ou a cair na tentação de exigir sem assumir? O desafio está lançado.
O futuro do escutismo depende da coragem com que cada um de
nós escolhe sair da zona de conforto.

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