quarta-feira, 3 de setembro de 2025

A VERDADE CABE NUMA MOCHILA

E
ntra no acampamento de botas de campo gastas. Começa a falar. Sem pose, sem distância. Dá vontade de ouvi-lo, de participar, de ficar à volta da fogueira, de regressar ao campo. Não é coisa pouca: é um chefe que faz com que escuteiros e não-escuteiros queiram voltar a viver o espírito escutista.

Não é um truque, não é marketing. Ele é mesmo um de nós. E isso, quando é verdadeiro, muda tudo. Ele marcha, carrega a mochila, monta a tenda à chuva, perde-se nos percursos pedestres, ri-se, erra, aprende. Fez travessias duras, subiu montanhas, ajudou a puxar quem ficou para trás. O corpo dele, porque a idade já pesa, sabe o que custa chegar ao destino. Não há vaidade nenhuma, exibição nenhuma. Há uma presença habitada por um ideal que não pesa, que não se impõe. Naquele uniforme amarrotado, com lenço ao pescoço e terra nas botas, há verdade. E a verdade desconcerta tanto.

O escutismo pode não ser apenas um conjunto de regras. Pode ser serviço: o espírito escutista, como única coisa que não precisa de prova, de anúncio, de discursos longos. Nesse serviço, cabe tudo: cabe Deus, cabe o próximo, cabe o mistério que não sabemos explicar. Acho que é isso que ele tenta ensinar. O mais importante não é acreditar em algo; é caminhar com alguém. Vejo nele um homem forte — feito da mesma fragilidade que todos nós.

Obrigado, Grande Chefe. Lembraste-me que ser escuteiro pode simplesmente querer dizer ser de todos.

[publicado a 13 de agosto 2026]

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