sábado, 3 de janeiro de 2026

AMIGO DE TODOS… OU APENAS DE ALGUNS? A COERÊNCIA NA LEI ESCUTISTA

É uma pergunta incómoda — e ainda bem que o é.

Quando esquecemos o verdadeiro significado de “o escuta é amigo de todos e irmão de todos os outros escutas”, e passamos a escolher quem incluímos, quem ignoramos ou quem julgamos, sim, há um risco real de hipocrisia. Não no sentido moralista da palavra, mas naquele mais profundo: dizer que acreditamos num valor enquanto, na prática, o relativizamos quando ele nos exige esforço.

A fraternidade escutista não é simpatia seletiva, nem convivência apenas com quem pensa como nós. É uma opção consciente, muitas vezes exigente, que pede:

  • respeito mesmo na discordância,
  • escuta antes do julgamento,
  • proximidade mesmo quando seria mais fácil afastar.

Quando o lema se transforma apenas em frase bonita para cerimónias bonitas, uniformes envergados (bem ou mal…) e discursos, perde a sua força educativa. E aí, sim, instala-se a incoerência entre o que proclamamos e o que vivemos.

Mas há uma nuance importante: reconhecer essa falha já é um ato de honestidade escutista. O escutismo nunca prometeu escuteiros perfeitos; propõe escuteiros em caminho, atentos à própria consciência e dispostos a corrigir os trilhos.

Talvez a pergunta mais transformadora não seja “estamos a ser hipócritas?”, mas esta:
o que posso mudar hoje — num gesto concreto — para voltar a viver esta Lei com verdade?

É aí que o escutismo deixa de ser discurso… e volta a ser método, vida e testemunho.



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