AMIGO DE TODOS… OU APENAS DE ALGUNS? A COERÊNCIA NA LEI ESCUTISTA
É uma pergunta incómoda — e ainda bem que o é.
Quando esquecemos o verdadeiro significado de “o escuta é
amigo de todos e irmão de todos os outros escutas”, e passamos a escolher
quem incluímos, quem ignoramos ou quem julgamos, sim, há um risco real de
hipocrisia. Não no sentido moralista da palavra, mas naquele mais profundo:
dizer que acreditamos num valor enquanto, na prática, o relativizamos quando
ele nos exige esforço.
A fraternidade escutista não é simpatia seletiva, nem
convivência apenas com quem pensa como nós. É uma opção consciente,
muitas vezes exigente, que pede:
- respeito
mesmo na discordância,
- escuta
antes do julgamento,
- proximidade
mesmo quando seria mais fácil afastar.
Quando o lema se transforma apenas em frase bonita para
cerimónias bonitas, uniformes envergados (bem ou mal…) e discursos, perde a sua
força educativa. E aí, sim, instala-se a incoerência entre o que proclamamos e
o que vivemos.
Mas há uma nuance importante: reconhecer essa falha já é
um ato de honestidade escutista. O escutismo nunca prometeu escuteiros
perfeitos; propõe escuteiros em caminho, atentos à própria consciência e
dispostos a corrigir os trilhos.
Talvez a pergunta mais transformadora não seja “estamos a
ser hipócritas?”, mas esta:
o que posso mudar hoje — num gesto concreto — para voltar a viver esta Lei
com verdade?
É aí que o escutismo deixa de ser discurso… e volta a ser
método, vida e testemunho.


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