segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

VISÍVEIS OU VALORIZADOS?

No movimento escutista, que se orgulha de valores como a fraternidade, o serviço e a participação ativa, existe uma realidade muitas vezes ignorada, mas sentida por muitos: a ideia de que “quem não aparece, esquece”. O mesmo acontece também na Sociedade! Esta expressão, dita quase sempre de forma informal, traduz uma dinâmica que, apesar de humana, merece reflexão.

O Escutismo promove o crescimento pessoal e coletivo através do envolvimento. É natural que quem participa com regularidade seja mais lembrado, tenha mais oportunidades e esteja mais presente nas decisões. No entanto, quando a ausência — mesmo que justificada — leva ao esquecimento, corre-se o risco de contrariar o espírito inclusivo que está na base do movimento. Nem todos conseguem estar sempre presentes: há estudos, trabalho, problemas familiares ou simplesmente fases da vida que exigem afastamento temporário.

Reduzir o valor de um escuteiro ou dirigente à sua presença constante é injusto e empobrecedor. A contribuição de alguém não se mede apenas pela assiduidade, mas também pelo impacto que teve, pelas competências que trouxe e pelos valores que viveu e transmitiu. Um movimento educativo deve saber acolher, compreender e reintegrar, em vez de rotular ou esquecer.

Por outro lado, esta expressão também serve de alerta: a participação é essencial. O Escutismo vive do encontro, da partilha e da ação conjunta. Quem se afasta por longos períodos, sem comunicação, acaba inevitavelmente por perder ligação ao grupo. A responsabilidade é, portanto, mútua: da comunidade, que deve cuidar dos seus membros, e do indivíduo, que deve manter o laço vivo.

Em suma, “quem não aparece esquece” não deve ser uma regra aceite, mas sim um convite à reflexão. O verdadeiro desafio do movimento escutista é equilibrar a importância da presença com a fidelidade aos seus valores humanos, garantindo que ninguém é esquecido apenas por não estar sempre visível.



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