O ESPÍRITO DE PATRULHA
O Chefe de Unidade assim como o Guia devem fazer tudo o que estiver ao seu alcance para criar, fortalecer e desenvolver o verdadeiro Espírito de Patrulha.
O Espírito de Patrulha significa que cada jovem sente
que é uma parte essencial de uma unidade autónoma, completa e viva — a Patrulha
— onde cada membro tem um papel próprio e indispensável, contribuindo para que
o conjunto funcione de forma harmoniosa e eficaz.
Quando, ao fazer a Promessa, um jovem se torna Escuteiro, é
o seu futuro Guia quem o conduz à presença do Chefe de Unidade. Até esse
momento, ele não pertence, em sentido pleno, a uma Patrulha, pois uma Patrulha
é formada apenas por Escuteiros investidos. No entanto, logo após a Promessa,
passa a integrar plenamente a sua Patrulha, tornando-se um dos seus membros.
No Escutismo para Rapazes, o Fundador refere que,
após a cerimónia de investidura, “o novo Escuteiro e o seu Guia regressam
juntos à sua Patrulha”. A partir desse momento, o jovem deixa de ser apenas um
indivíduo isolado e passa a assumir a identidade da sua Patrulha: Águia,
Raposa, Lobo, Corvo ou qualquer outro animal simbólico. Não basta ter o nome; é
necessário aprender e viver os hábitos e características desse símbolo.
O primeiro passo é aprender o Grito da Patrulha, que
é a sua forma própria de comunicação e identificação. Deve saber executá-lo
corretamente, com clareza e intensidade suficientes para ser reconhecido, por
exemplo, numa floresta, a uma distância de cerca de 50 metros.
O Grito da Patrulha não é apenas simbólico: deve ser usado
com frequência. O Fundador reforçava esta ideia ao afirmar:
“Nenhum Escoteiro tem o direito de imitar o Grito de outra
Patrulha que não seja a sua.”
Isto sublinha a importância da identidade e da honra: cada
Escuteiro é fiel à sua Patrulha, tal como é fiel à sua Palavra.
Depois de dominar o Grito, o novo Escuteiro deve conhecer os
hábitos do animal símbolo da sua Patrulha. Aprende também a assinar como
membro dela, isto é, a desenhar de forma simples e esquemática o emblema que a
representa. Estes gestos podem parecer pequenos, mas no Escutismo nada é
insignificante: são estes detalhes que constroem o Espírito de Patrulha.
O Fundador recomendava ainda que cada Patrulha tivesse o seu
lema, preferencialmente criado pelos próprios jovens. Por exemplo, uma
Patrulha dos Cães poderia adotar:
“Firmes e leais”,
enquanto uma Patrulha das Rãs poderia escolher algo como:
“Mais agir do que falar”.
Outra forma importante de reforçar a identidade da Patrulha
é atribuir-lhe um espaço próprio na sede do Grupo. Algumas unidades têm
a possibilidade de disponibilizar salas diferentes para cada Patrulha. Quando
isso não é possível, deve pelo menos reservar-se um canto da sala para cada
uma.
Assim, quando uma Águia chega à sede numa tarde de reunião,
dirige-se naturalmente ao seu “Ninho das Águias”. A Raposa vai para a sua
“Toca” e o Leão para a “Cova dos Leões”. Estes espaços ajudam a criar pertença
e continuidade.
Sempre que a sede pertença ao próprio Grupo, cada canto pode
e deve ser decorado de acordo com a identidade da Patrulha: cabides para casacos,
suportes para as varas, painéis com símbolos, lemas ou recordações de
atividades vividas.
Alguém poderá argumentar que algumas sedes são demasiado
pequenas para permitir esta divisão. Nesse caso, a sede não é adequada para o
funcionamento saudável de um Grupo. O Chefe de Unidade deve ajustar o número de
jovens às condições existentes, garantindo sempre a qualidade no método
escutista.
Além disso, não há qualquer obrigatoriedade de todas as
Patrulhas reunirem na mesma tarde. Algumas podem reunir-se em dias alternados
caso isso seja possível pela proximidade de habitação dos membros da patrulha, ficando
os encontros de Grupo reservados para momentos específicos, como atividades
comuns, cerimónias ou celebrações religiosas.
Desta forma, o Espírito de Patrulha deixa de ser apenas um
conceito teórico e passa a ser vivido diariamente, fortalecendo o Escutismo na
sua essência.
Nota: texto escrito “á luz” do explanado no Escutismo para
Rapazes.


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