O UNIFORME E O EXEMPLO, EM TEMPOS DA SUA REVISÃO
Há temas no Escutismo que geram sempre debate — e o uso do uniforme é, sem dúvida, um deles. Por vezes, surgem opiniões apaixonadas, citações do fundador fora de contexto e até acusações de que o Escutismo atual seria um “neo-Escutismo”.
Ora, não existe “neo-Escutismo”. Existe apenas o Escutismo,
um movimento que evolui com o tempo para continuar a cumprir a sua
missão: formar cidadãos ativos, responsáveis e solidários, preparados para
servir as suas comunidades e o mundo. Desde 1908, o Escutismo tem-se adaptado,
mantendo-se fiel aos princípios de Baden-Powell (B.-P.).
É natural que existam desafios e imperfeições, mas cabe a
cada dirigente contribuir para melhorar o Movimento, com espírito construtivo e
fraterno. Criticar por criticar pouco acrescenta; apontar caminhos e soluções é
o que realmente fortalece o Escutismo.
No que toca ao uniforme, B.-P. foi claro quanto à sua
intenção:
“The uniform makes for brotherhood, since when universally
adopted it covers up all differences of class and country.” O uniforme
promove a fraternidade, pois, quando usado universalmente, elimina as
diferenças de classe e de país.
O uniforme nasceu como símbolo de igualdade e união,
escolhendo-se na altura tecidos simples e acessíveis. Não era questão de
vaidade, mas de espírito de fraternidade e exemplo.
Outra frase marcante de B.-P. resume bem a importância do
exemplo:
“Show me a poorly uniformed troop and I’ll show you a poorly
uniformed leader.” Mostra-me uma patrulha mal uniformizada e eu
mostrar-te-ei um chefe mal uniformizado.
Ou seja, o uniforme não é um fim em si mesmo, mas um reflexo
do cuidado, do orgulho e da atitude com que se vive o Escutismo. Um
dirigente que se apresenta com brio e respeito pelo uniforme transmite esse
mesmo espírito aos jovens.
Há quem cite B.-P. para dizer que o uniforme não importa:
“I do not care if a Scout wears a uniform or not so long as
his heart is in his work…”
Mas a leitura completa mostra o contrário:
“…the fact is that there is hardly a Scout who does not wear
uniform if he can afford it. The spirit prompts him to it.” …o facto é que
dificilmente há um Escuteiro que não use uniforme se o puder comprar. O
espírito leva-o a isso.
B.-P. acrescenta ainda que os dirigentes não têm
obrigação de o usar, “mas devem pensar nos outros e não em si mesmos”.
O uniforme, portanto, é um ato de serviço e exemplo.
Usamo-lo não por vaidade, mas para inspirar os jovens e honrar o Movimento que
representamos.
Assim, quando B.-P. afirmou que usamos uniforme “para dar exemplo”, fê-lo no sentido mais profundo: o exemplo visível de quem vive a Lei e a Promessa Escutista — com simplicidade, fraternidade e orgulho de ser Escuteiro.


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