quinta-feira, 11 de setembro de 2025

UM MUNDO MELHOR? ESTÃO LOUCOS…

Esses loucos de lenço. Eu conheço-os. São raros. Já os vi.
Não sei muito bem, mas devem ser mesmo loucos… Todos os sábados, faça frio, calor, quer chova, neve ou troveje, lá estão eles: marcham em silêncio, com um pau na mão e uma mochila às costas… E passam aqui, a apenas duas ruas! Não os compreendo. Estão loucos.

Quando chegam a um lugar cheio de árvores e com umas casas perdidas… gritam! Sim, gritam!
Dizem que são panteras, lobos, pumas. Que são fortes, que são rápidos. Estão loucos. Não os compreendo.

Às vezes levantam-se de madrugada, com um frio terrível. Formam-se em filinhas, gritam, cantam. Quem sabe o que dizem? Soa a coisa de índios… Não sei. Só sei que depois partem em equipas, viajam dezenas de quilómetros, dormem em tendas, ao relento, desconfortáveis. Estão malucos.

O pior? Cantam, gritam, riem, dançam. Todos. Uns cinquenta, talvez. Desde miúdos de seis ou sete anos até senhores de setenta. E são todos iguais. Nem se distingue quem é criança, quem é adulto.

Enquanto outros jovens vão dançar, eles armam as suas tendas em círculo. E à noite, em volta do fogo, gritam, cantam e riem como loucos. E divertem-se. E passam bem. Não entendo.

Usam camisas — nem bonitas são — cheias de insígnias que ninguém sabe o que significam. Usam-nas no verão, a suar em bica. Usam-nas no inverno, com graus negativos. E parece que não lhes importa. Riem-se na mesma. Eu já os vi. Estão loucos.

Dizem que fazem demasiado barulho. Dizem que gostam. Dizem que se encontram, fazem projetos, arrependem-se, dão-se os parabéns, discutem e perdoam-se.
Juro que os vi. Não batem bem da cabeça.

E usam chapéus. Alguns comuns, outros tipo cowboy, outros lembram militares ingleses de outro século. Não sei! São estranhos.

Alguns participam pouco, discretos. Mas um dia… quando ninguém olha, atrevem-se a cantar mais alto, a sorrir mais. E, meses depois, estão iguais aos outros. Loucos.
Correm, saltam, caem, levantam-se, giram, respiram fundo, suspiram, voltam a correr.

Para mim, não fazem nada de útil. Mas eles dizem que estão a construir um mundo melhor.

Um mundo melhor?
Eles estão completamente loucos.

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