QUANDO A MISSÃO SE PERDE NO FARDO
O Escutismo sempre se apresentou como um movimento juvenil e de formação, capaz de criar líderes, de inspirar jovens e de deixar marcas profundas na vida de quem veste um uniforme escutista. No entanto, olhando para a realidade atual, parece que já não há espaço para verdadeiros Dirigentes. O que se espera, muitas vezes, não é liderança, nem visão, nem coragem. O que se pede é alguém que esteja disponível para “tratar das coisas”, para arrumar, carregar, cumprir horários e listas intermináveis… sem levantar questões, sem espírito crítico, sem paixão pelo ideal.
É desanimador perceber que, em vez de Dirigentes, se procura
“mulheres a dias” que limpam o que outros sujam, ou “capachos” que aceitam
tudo, que servem de tapete para que os problemas passem por cima. A grandeza do
Escutismo, que devia assentar no serviço generoso e consciente, vai-se
transformando num trabalho doméstico mal disfarçado, onde a entrega já não é
vocação, mas obrigação.
Assim, o movimento que devia educar para a autonomia e para a responsabilidade corre o risco de se perder na indiferença, porque sem verdadeiros líderes, sem pessoas capazes de sonhar e inspirar, o Escutismo deixa de ser luz… e torna-se apenas rotina.

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